sexta-feira, maio 11, 2007

PERFIL/Christopher Buckley

Saiu hoje no Valor Econômico o perfil que fiz do escritor ultra-conservador Christopher Buckley, filho do criador da National Review, a bíblia da direita americana, e coqueluche das livrarias daqui desde que seu Obrigado Por Fumar virou sucesso no cinema. Não por acaso ele foi muito bem recebido por parte da audiência brasileira ávida por uma crítica - ainda que pela porta da direita mais escancarada - às muitas contradições do neoliberalismo ianque.

O Dia Do Juízo Final nos EUA

Christopher Buckley, autor de “Obrigado por Fumar”, agora mexe com a crise da previdência social americana em novo livro.
Por Eduardo Graça, para o Valor, de Nova York


O nariz aquilino, ligeiramente aberto na ponta, é o mesmo. O cabelo branco, liso, jogado meticulosamente para a direita, também. Tal pai, tal filho. O decano é William F. Buckley, 81 anos, criador da revista “National Review”, mais influente ideólogo do moderno conservadorismo americano, profeta-mor da impressionante ascensão da direita ianque nos últimos 50 anos. O filho é o autor Christopher Buckley, 54, um dos maiores astros da sátira literária nos Estados Unidos. Jamais traduzido no Brasil, ele ganhou projeção no país no ano passado quando a adaptação de seu “Obrigado por Fumar” chegou aos cinemas com o excelente ator Aaron Eckhart encarnando um lobista da indústria de cigarros disposto a escancarar a hipocrisia da democracia liberal de Washington.


Ainda empolgado com o sucesso do filme, Buckley lança“Boomsday”, um passeio por um dos temas mais áridos da América contemporânea: a crise no sistema de previdência social do país. “Juro que esta será minha única comédia em torno do tema, exatamente como nunca mais resolvi fazer graçaa com o Oriente Médio desde ‘Florence da Arábia’, meu livro anterior.”

“Boomsday” (uma brincadeira com Doomsday, Dia do Juízo Final em inglês) conta a história de um candidato à Casa Branca e sua singular plataforma: incentivar os “baby boomers” a cometerem suicídio quando completarem 75 anos. A medida radical livraria o país da falência e garantiria abatimento nos impostos devidos pelos que se comprometessem com o plano. É o pináculo da aplicação da livre-negociação nas relações de trabalho.




No “Boomsday” de Buckley os EUA estão às voltas com seis guerras, o mercado de ações despencou e uma blogueira bem torneada de 29 anos chamada, não por acaso, Cassandra, lidera uma coalizão de jovens patriotas contra os aposentados, destruindo campos de golfe e tomando as ruas de Washington enquanto anuncia o apocalipse econômico.“Minha geração foi a que saiu às ruas rasgando os certificados de reservista por conta do Vietnã. A próxima deveria rasgar a carteirinha da previdência social com o mesmo afã”, diz Buckley.

Impulsionado pelo sucesso de “Obrigado por Fumar”e pelas boas vendas de “Boomsday”, Buckley não receia pisar em solo pedregoso: “Se fosse um jovem americano, como meu filho, de 19 anos, estaria fulo da vida. O país tem de lidar com um prejuízo anual de US$ 8,5 trilhões e um dia, talvez quando os bancos centrais do Japão ou da China decidirem parar de comprar letras do tesouro americano, ele terá de pagar essa conta. E toda vez que alguém fala em reforma da Previdência aparece um lobby do Partido Democrata no Congresso denunciando que se trata de um ataque aos idosos. Isso é uma bobagem. Infelizmente o problema não vai desaparecer se nos recusarmos a tratá-lo.”

Em números anunciados pelo próprio governo, 1% dos americanos (com renda superior a US$ 1,1 milhão/ano) concentra 22% da riqueza do país (a maior fatia abocanhada pelos mais ricos desde 1929). Em um espectro maior, 10% dos mais ricos (os que ganham mais de US$100 mil/ano) concentram 48,5% da riqueza nacional. O escritor, ele próprio um “boomer”, nascido em 1952, faz uma pausa de efeito, toma um gole de seu café-com-leite comprado no Starbucks e diz acreditar “que ‘Boomsday’ fala com o contribuinte que tem de pagar uma nota para o Imposto de Renda enquanto encara as promissórias cada vez mais extorsivas para conseguir realizar o sonho da casa própria”.

Ele lembra que os primeiros “boomers” começam a se aposentar no ano que vem, incluindo o presidente GeorgeBush, fiel discípulo da cartilha de seu pai. O veterano William Buckley, no entanto, rompeu com o presidente no ano passado por conta do fracasso da guerra no Iraque, acusando-o de ser um “falso conservador”, pouco atento ao rigor fiscal e carente de lógica em sua política externa. “Sei bem que esta é uma exceção e todos vão comemorar sua aposentadoria, apesar de, aos 62anos em 2008, ser mais propíciapara umfrancês. MarkTwain costumava dizer que Shakespeare era mesmo um gênio, apesar de todos os elogios, pois bem, Bush II é mesmo uma tragédia, apesar de tudo de ruim que falam dele.”

Buckley segue pregando seu catecismo libertário: os jovens, implora, deveriam largar seus iPods e expressar sua revolta contra um sistema que os asfixiará. Ou acabarão deparando-se invariavelmente com uma figura como o anti-herói de seu livro, o senador quatrocentão do liberal estado de Massachusetts que, um belo dia, depois de experimentar alucinógenos variados, escuta a inimitável voz do presidente Kennedy ordenando-lhe:“Go for it, boy!” É a deixa para o político entrar na corrida presidencial e emular as teses da Cassandra do século XXI.

Depois do sucesso de“Obrigado porFumar” —uma bilheteriade US$25 milhões apenas nos Estados Unidos—, já se iniciou um leilão em Hollywood para a compra dos direitos de“Boomsday”. “Estou empolgado, mas me lembro sempre que‘ObrigadoporFumar’ demorou dez anos para sair do papel e seria, inicialmente, dirigido por Mel Gibson. Mas ele teve de lidar com coisas menores, como aquele tal de‘Paixão de Cristo’, e me deixou de lado. Adorei o resultado final, mas prefiro pensar como Hemingway, que dizia que com Hollywood o jeito é viajar até a fronteira com a Califérnia e só jogar os manuscritos que você escreveu em território estrangeiro depois que eles mandarem a mala de dinheiro para o lado de cá”, diz, rindo.



Com seus alvos fáceis e um tique por encontrar o cômico no avesso exato da realidade, Buckley acaba dando uma certa razão aos que aproximam seu humor mais do programa televisivo “SaturdayNight Live” do que de um Jonathan Swift, sua influência confessa. Ele não parece se importar. Tampouco move um músculo da face quando precisa encarar a porção da platéia que não veio em busca de autógrafo e parece disposta a questionar sua receita libertária para uma nova América. “Não sou um economista, mas vejo a realidade sufocante. Quando o New Deal foi criado por Roosevelt, tínhamos uma média de 15 trabalhadores para cada aposentado. Hoje são três por um! Escrever sobre o tema de forma interessante foi meu desafio e fico feliz que tanta gente esteja comprando olivro.”

Seu próximo alvo já está até escolhido: ele começou a escrever uma sátira à Suprema Corte ou, como prefere Buckley, “aquela vetusta instituição composta por nove juízes que passam o tempo enviando bilhetinhos uns para os outros”. Hollywood não perde por esperar.

O Legado de Tony Blair, por Tariq Ali

O Guardian publicou hoje um excepcional artigo de Tariq Ali sobre a herança de Tony Blair, que deixa o comando da Grã-Bretanha como o 'cão de guarda favorito do canil do Império', de acordo com o historiador paquistanês.

Alguns trechos:

- Blair falou em seu discurso de despedida do Reino Unido como 'a melhor e maior nação do mundo', ignorando como a Inglaterra se transformou, sob sua liderança, no cão de ataque favorito do canil do império.

- Blair foi sempre fiel aos ocupantes da Casa Branca. Na Europa, ele preferiu Aznar a Zapatero, Merkel a
Schröder, ficou seriamente impressionado com Berlusconi e, mais recentemente, não fez segredo algum de seu apoio a Srkozy. Ele entendeu que privatização e desregulamentação na política interna são parte do mesmo mecanismo de fazer guerras longe de casa.

ENTREVISTA/Anthony Hopkins & Ryan Gosling


A Contigo! publicou na edição desta semana minha conversa com Anthony Hopkins e Ryan Gosling na sala de imprensa do Hotel Four Seasons, em Los Angeles, a propósito do lançamento de Um Crime de Mestre, o thriller estrelado pelos dois que entra em cartaz esta semana no rasil. A entrevista em dose dupla, na íntegra, segue abaixo:

Anthony Hopkins e Ryan Gosling
Papo franco entre mestre e discípulo
Por Eduardo Graça, de Los Angeles

Em Um Crime de Mestre, que estréia hoje nos cinemas brasileiros, Ryan Gosling, 26, vive o ambicioso procurador de Justiça Willy Beachum, que se vê enredado no estranho assassinato da jovem mulher do famoso cientista Ted Crawford, vivido por Anthony Hopkins, 69. A princípio trata-se de um caso banal, já que Crawford estava no local do crime e armado. Mas como nada é o que parece ser neste thriller passado em Los Angeles, Will acaba preso em um labirinto de traições, jogos políticos e infidelidade justamente no momento em que tudo dava certo em sua carreira. Aliás, lidar com o sucesso repentino não é algo desconhecido pelo jovem canadense, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante no ano passado por sua arrebatadora performance em Half Nelson, ainda inédito no Brasil.

Em Um Crime de Mestre ele divide a tela com Sir Anthony Hopkins, 69, que vive mais um daqueles vilões tão temidos quanto charmosos. A Contigo! acompanhou a conversa dos dois na sala de imprensa de um famoso hotel de Beverly Hills. Hopkins chegou elegante, com um terno bege, enquanto Ryan parecia mais à vontade com uma camisa de gola branca largada sob um suéter azul-marinho. Mas nem deu muito tempo para admirar a moda dos atores, pois o eterno Hannibal Lecter já começou o bate-papo com o característico sorriso de lado e os olhos bem cerrados, como que para degustar melhor a graça do que está prestes a revelar.

Anthony Hopkins:
Estou rindo porque esta reação do ‘lá vem ele fazendo mais um vilão’ é muito engraçada para mim. Este é apenas o segundo vilão que eu faço nas telas! Fiz o Hannibal Lecter (tá bom, três vezes) e agora o Ted, e pronto. E fiz milhares de outros tipos em minha carreira. Agora, adoro fazer um thriller como este, é como se estivesse jogando xadrez com o personagem do Ryan. Aliás, foi numa cena, quando ele está me interrogando na cadeia pela primeira vez, que percebi uma certa semelhança com o Hannibal. Foi quando Ryan me diz que aquilo ali é sério, que não é uma brincadeira. E eu respondo imediatamente – mas acho que você vai ter de brincar comigo, sim senhor! De um jeito que o Hannibal faria.

Ryan Gosling:
Vai ver que é por isso que me perguntam tanto se eu tive medo de trabalhar com você (risos). Olha, é praticamente impossível não se encantar pelo Anthony depois de passar dias com ele em um set de filmagem. Na verdade teve algo bem complicado no início, pois era difícil para mim focar apenas em meu personagem. Eu queria passar o tempo todo vendo o Anthony atuar, sabe, anotando cada detalhe?(risos). E quando a gente divide a cena, aí então é que eu tinha de me conter para não ficar assim, ó (abre bem os olhos), o tempo todo. E, claro, no filme o Willy detesta o Ted, e eu tive de me esforçar muito para não passar na tela, de alguma maneira, minha profunda admiração pelo Anthony.

Anthony Hopkins:
Xi, depois dessa rasgação de seda toda, tenho de ir para casa agora, né? (risos). Mas, então, vou contar algo sobre mim que muita gente não sabe: ao contrário do Ryan, eu detesto ensaiar. De-tes-to! Se você quer me desanimar é só aparecer com uma mesa de ensaio e dizer que vamos começar uma leitura em conjunto do roteiro. É muito chato! Depois de vinte minutos eu não agüento mais (risos). Cinema é o oposto disso. É ação. É o resultado do momento. Quando fomos filmar Titus em Roma a diretora Julie Taymor queria que ensaiássemos por duas semanas. Qual o quê, em quatro dias eu já havia partido para casa. Ah, não! (risos).

Ryan Gosling:
Ouvindo esta história vai parecer que você é difícil. Mas não é mesmo! Preciso confessar que quando soube que iríamos dividir o set pensei: ai meu Deus, ele vai ser intenso, Sir Hopkins e tal. Que nada! Você é divertidíssimo, conta piadas o tempo todo, mas o que me chamou mais a atenção é que você está sempre fazendo alguma coisa. Eu me lembro de uma pausa de cinco minutos que tivemos em um dia de filmagem e fui ver o que você estava tramando em seu trailer (risos). E você estava com as mãos todas sujas de tinta. Você tinha usado o seu tempo para pintar! (risos)

Hopkins:
Olha, o que quero dizer é que dar uma de inteligente o tempo todo carrega um risco enorme, que é o destruir sua humanidade. E isso, para um ator, é um perigo. Agora, você é bem mais meticuloso do que eu. Ou vai ver estou ficando velho, mesmo! (risos). A primeira vez que vi você no cinema foi em The Notebook. Fiquei deslumbrado, gostei muito. E o interessante é que você pensa no filme de um modo total. Sabe que o Ryan mudou o fim de Um Crime de Mestre? A cena final era um tanto quanto espetaculosa e, depois de audiências selecionadas chiarem, começamos a pensar que deveríamos fazer algo mais simples. Foi o Ryan quem encontrou a peça final do quebra-cabeças, que obviamente não vou revelar aqui, e tivemos de refazer o fim. E eu, que estava de férias, tive de voltar para Los Angeles apenas para gravar a última cena!(risso). Mas, tudo bem, o resultado ficou muito melhor. E dei os parabéns a ele, que tem uma mente analítica que o ajuda muito na hora de atuar. Aliás, vê-se isso em Half Nelson, um senhor filme.

Gosling:
É engraçado, sabe que por conta da indicação ao Oscar todos perguntam se minha carreira mudou? E só fui reconhecer a importância através da minha família. Nossa, eles ficaram tão orgulhosos de mim, eles celebraram tanto! De uma certa maneira, o mais interessante da indicação foi ter podido dividir de uma forma tão real a minha paixão pela minha profissão com eles. Quero muito apresentá-los a você, Anthony!

Hopkins:
Vai ser um enorme prazer!




domingo, abril 29, 2007

Guantánamera

Em julho último escrevi para o Valor Econômico uma reportagem sobre os abnegados advogados norte-americanos e britânicos que, em geral sem receber um tostão pelo árduo trabalho, vêm defendendo os prisioneiros detidos na vergonhosa prisão militar de Guantánamo, uma área de Cuba arrendada aos EUA desde a Guerra Hispânico-Americana de 1898. Pois nesta quinta-feira o repórter William Glaberson, do NYT, revelou que o Departamento de Justiça dos EUA quer basicamente suprimir a possibilidade de os detentos desfrutarem de assistência legal. É, como diz o jornalão nova-iorquino, difícil saber quem o governo Bush considera seu maior inimigo - se os presos ou se seus advogados.

São os advogados - gente como Zachary Katznelson, Stephen Oleskey, Bill Goodman e Clive Starfford Smith - que vinham revelando ao mundo os detalhes de uma das maiores imoralidades do 'mundo livre' pós-11 de Setembro, uma história triste de abuso, tortura, prisão de inocentes e desrespeito à consituição norte-americana. Sem eles, aumenta a possibildiade de que Guantánamo siga o goulag tropical criado pelos conservadores encastelados em Washington.

A excepcional reportagem de Glaberson pode ser lida aqui, infelizmente apenas em inglês.
Minha conversa com os advogados, publicadada pelo Valor em julho de 2006, está aqui.

sexta-feira, abril 27, 2007

Oh, Joni!

Dois dias depois de chegar às lojas de discos aqui de NY, finalmente escutei o Tributo a Joni Mitchell lançado pela Nonesuch. Finalmente pois o disco completaria este ano uma década de gestação(uma palinha do disco vai aí embaixo, na promo da gravadora). Mas valeu a espera. Geralmente desconfiado deste tipo de celebração do artista - muitas vezes os 'grandes encontros' se revelam uma jogada de marketing, com a gravadora desenterrando, na maior cara-de-pau, figuras abandonadas em seus catálogos - saí feliz da vida com o resultado final.

Há desde as rendições de joelho (como a da conterrânea k.d.lang para Blue, do disco homônimo, de 1971) às surpresas agradabilíssimas de meu querido Sufjan Stevens (ensolarado cover de Free Man in Paris, de Court & Spark, 1973, um de meus CDs de cabeceira) e sim, Mano Caetano, transformando a caribenha Dreamland (do fraquinho Don Juan's Reckless Daughter, de 1977) em uma quase folk-samba canção. Uma delícia.

Aproveitei a viagem para levar para casa um disco essencial da canadense que desfalcava minha coleção - Ladies of the Canyon, de 1970, quando ela troca de vez a guitarra pelo piano como instrumento de acompanhamento da maioria de suas composições. Nos quatro anos seguintes ela lançaria Blue, For the Roses e Court and Spark, uma seqüência impressionante de obras-primas que, arrisco, garantem a Joni a posição de compositora mais importante da música pop norte-americana nos últimos quarenta anos.

Aos 64 anos, Joni Mitchell vive tranqüilamente em Los Angeles, segue fumando um cigarro atrás do outro e, depois de anunciar a aposentadoria em 2002, está finalizando um novo disco de inéditas, Shine, inspirado pela invasão do Iraque. Em março último ela foi o tema de um imperdível documentário na Radio 2 britânica, Come in From the Cold, em que revela que começou a compor para desopilar a dor de um péssimo casamento. 'Eu sentava com meu violão e uma xícara de café e compunha, compunha. Não tenho dúvidas de que era uma forma de exorcismo".

Oh, Joni!

A Tribute to Joni Mitchell

De Prince a Caetano, passando por Annie Lennox e Elvis Costello, uma constelação de artistas presta tributo a Joni Mitchell, que lança ainda este ano um disco de inéditas.

quarta-feira, abril 25, 2007

Música Do Dia: Meg Baird


Ontem chegou aqui em casa o primeiro disco solo de Meg Baird, direto da Philadelphia. Eu já conhecia o trabalho dela com a banda de folk Espers e havia adorado sua voz em "Afraid", cover de Nico, outra eterna favorita, que aparece no disco The Weed Tree, de 2005. O Espers me foi apresentado pelo Devendra Banhart na onda do folk neo-psicodélico (ou freak folk para os mais íntimos) que tomou conta do Brooklyn nas duas últimas primaveras. Rapidamente percebi que eles eram, da turma decidida a revitalizar o folk, os mais obcecados com nomes clássicos da cena britânica, como Pentangle e Bert Jansch, sem cair no pastiche.

Pois My Dear Companion, o solo da Meg que chega às lojas norte-americanas agora em maio, é ainda mais delicado do que os dois álbuns do Espers. O timbre de sua voz, a um só tempo suave e incisivo, enamorado dos velhos vocais indígenas dos Apalaches, nos revela belezuras como a versão da "Valsa dos Jogadores de Tênis", da obscura dupla Daisy DeBolt e Allan Fraser, presente no cult Fraser & DeBolt With Ian Guenther, de 1971. Coincidentemente, no último sábado, enquanto aproveitávos o sol de primavera para zanzar pelas ruas largas de Red Hook, escutamos o disco da dupla canadense em uma vitrola carcomida instalada nos fundos de uma lojinha que vendia sabonetes artesanais. Coisas do Brooklyn.

My Dear Companion foi gravado em 24 horas em um estúdio em Philly e conta ainda com a linda faixa-título, um clássico do bluegrass quase sussurado por Meg, e o belíssimo cover de Jimmy Webb "Do What You Gotta Do", imortalizado por Nina Simone.

Uma delícia.

Ouça "The Waltze of the Tennis Player", aqui.

segunda-feira, abril 09, 2007

ENTREVISTA / Stephen Duncombe

O Valor Econômico publicou neste fim de semana minha entrevista com o Professor Stephen Duncombe, da NYU, um ótimo papo e figura interessantíssima no debate sobre o lugar a ser ocupado pelas esquerdas no mundinho globalizado de nossos dias. Olhem só:

POLÍTICA

QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA

Para o Professor Stephen Duncombe, há uma necessidade vital de se abraçar novamente as utopias e as idéias progressistas. Por Eduardo Graça, para o Valor, de Nova York.

A esquerda precisa ser menos a viúva dos valores iluministas e recuperar seu viés iconoclasta. A constatação é do professor Stephen Duncombe, da Universidade de Nova Iorque (NYU), que acaba de lançar Dream: Re-Imagining Progressive Politics in an Age of Fantasy, apontado tanto pelo filósofo marxista Marshall Berman (Tudo que é Sólido Desmancha no Ar) quanto pelo badalado sociólogo pós-moderno Slavoj Zizek (Bem-Vindo ao Deserto do Real!) como leitura obrigatória neste inverno no hemisfério norte.

Um dos criadores dos Billionários Por Bush - ativistas que ‘apoiaram’ a reeleição do presidente republicano desfilando pelo país em suas limusines e ‘celebrando’ a redução de impostos para os mais ricos – Duncombe conversou com o Valor em seu escritório de frente para a Broadway enquanto se preparava para sair às ruas novamente, desta vez para se juntar aos manifestantes que ocupariam Bryant Park em um gigantesco protesto contra os cinco anos de ocupação no Iraque. Para Duncombe, que descobriu a esquerda nas bandas de punk que povoavam os conjuntos habitacionais da New Haven de sua adolescência, é hora de os setores progressistas – ‘especialmente os mais radicais’ – deixarem o purismo de lado, encararem o fato de que ‘ficar esperando pela grande verdade libertadora é apenas fazer política de modo preguiçoso’ e abraçarem a dreampolitik, termo por ele cunhado em oposição sarcástica à realpolitik, para definir a filosofia política defendida em Dream. A idéia é que a esquerda precisa usar os elementos do sonho, da fantasia (vídeo game, Las Vages, Hollywood, música pop, You Tube) para concretizar suas ações políticas.


- Valor: As eleições do ano passado no Brasil foram marcadas pela relativa ausência de mobilização popular. Aqui nos EUA não se vêem mais manifestações de massa como as de 40 anos atrás, quando milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a Guerra do Vietnã. O senhor acredita que a era dos comícios chegou ao fim?
- Stephen Duncombe: É claro que precisamos levar em conta a especificidade das eleições de 2006. Lula estava tentando se reeleger e contava com um imenso apoio popular, inclusive dos movimentos sociais organizados mais significativos. Mas eu acredito que a era das grandes marchas, de fato, acabou, e que descanse em paz! Aquele era um modelo do século XIX, com um claro viés militar, das pessoas andando em colunas repetindo palavras de ordem e mantendo a idéia de que o público era uma força extrínseca – a ‘massa de manobras’ - e não personagem criador do movimento. E nós não vivemos mais neste mundo. Aqui nos EUA, por exemplo, os ricos vivem em condomínios fechados e os pobres se amontoam nos subúrbios, distantes da cidade. Não há mais a concentração urbana tal qual a do século XX.

- Valor: Mas o chamado ativismo político de guerrilha, como o dos Bilionários Por Bush, tem o mesmo impacto dos grandes protestos?
- Duncombe: Pense que a maioria esmagadora da população americana apoiou a invasão do Iraque e hoje 70% dos cidadãos são contrários à ocupação. Não sei quantos mudaram sua posição por conta dos protestos, mas há um momento claro de virada, basta acompanhar as pesquisas, quando os opositores à permanência das tropas no Iraque passaram de menos de 40% para mais de 60% dos americanos adultos. Este número nunca mais parou de crescer. E aquele momento tem um nome: Cindy Sheehan. Ela é o exemplo de um outro tipo de demonstração, de uma categoria de protesto civil que pode ser efetivo no século XXI.
- Valor: Mas aquele ato de desespero individual pode ser encarado como um modelo para a atuação da esquerda daqui para a frente?
- Duncombe: Há algo de mítico naquela mãe demonstrando de modo simples a realidade da guerra que os americanos teimavam em não encarar. Pode ter sido um ato ingênuo, mas o fato é que ela conseguiu furar o bloqueio da realidade imposto à sociedade americana. Sheehan transformou seu ato de desespero em gigantesco movimento político ao nos revelar um presidente que se recusava a receber uma mãe que havia perdido um filho, jovem cidadão americano, defendendo as armas de seu país no distante Oriente Médio. Coube a ela definir os dois lados da questão política. A mensagem não era o de uma mãe de luto mas a de que nós estamos morrendo do outro lado do mundo. Sheehan nos deu uma lição. Se, nós, da esquerda, estamos dispostos a mobilizar recursos para manifestações ambiciosas, estas não podem mais se resumir a uma atividade em que a polícia lhe diz aonde você pode andar, por tempo determinado, você ouve algumas pessoas e pronto. Veja bem, eu vou fazer exatamente isso amanhã para marcar os 40 anos dos primeiros protestos contra a Guerra do Veitnã. Mas nós precisamos ir além.

- Valor: O senhor é um acadêmico militante, um intelectual que vai às ruas, artigo cada vez mais raro nos dias de hoje...
- Duncombe: Eu me vejo como um militante, um organizador político, não muito diferente do que meu avô e meu pai foram. Mas entendo que os meios agora são outros. Vamos pensar no último suspiro das grandes manifestações: os protestos anti-globalização, contrários à OMC, ao FMI. Aquela gente que ocupou as ruas de Seattle se movia de modo muito singular – parecia que estavam em pleno Carnaval. A rua, hoje, para a esquerda do século XXI, precisa ser cada vez mais o espaço da festa, da celebração. Precisamos convencer o eleitor de que nós, os progressistas, ainda podemos fazê-lo acreditar que política pode ser um exercício prazeroso. Mas para isso precisamos estar lá também, ocupar o palco.

- Valor: Já há alguns anos São Paulo vem realizando a maior parada de orgulho homossexual do planeta. Mas seus organizadores são criticados pelos que vêem na crescente carnavalização do evento uma prova de esvaziamento de sua mensagem política...
- Dunconmbe: Mas é exatamente o oposto! E sua pergunta já carrega o dado mais importante sobre o impacto das novas manifestações – as pessoas comparecem! E o trabalho de um ativista político em uma democracia é levar as pessoas para a rua e fazer com que sua voz seja ouvida. Não podemos mais confundir organização social com a criação de sub-culturas que não têm o poder de afetar a cena política. As manifestações de solidariedade às primeiras vítimas da AIDS no começo dos anos 80 me marcaram muito. As pessoas estavam com raiva, seus amigos morrendo, mas elas ocuparam as ruas com um espírito de festividade e até com certo sex appeal. Muitos dos manifestantes trabalhavam em empresas de propaganda e marketing. Eles conseguiram ultrapassar a dor da morte e levar para o mundo da esquerda algo ainda maior, a vontade de viver. O que quero dizer é que a alegria das ruas precisa fazer parte de nosso vocabulário se de fato quisermos novamente tocar as pessoas. Não há nada de errado em tratar de temas que afetam seriamente a todos nós ao som de disco music. Politizar o carnaval, como fizemos com o Bilionários Por Bush, parece-me ser essencial. Agora, é importante perceber que não estamos propondo substituir a pressão política pelo espetáculo. Aquela está mais do que presente, na hora de mostrar para o político que seus eleitores estão celebrando em torno de uma idéia que queremos ver implantada o mais rapidamente possível.



- Valor: Sua dreampolitik prega a necessidade de a esquerda explorar os aspectos progressistas da cultura mais comercial. O senhor não acredita que ‘apropriação da cultura popular’ pode-se confundir com ‘populismo cultural’ - algo que parece permear, por exemplo, o chavismo na Venezuela?
-
Dunconmbe: Sim, o risco é imenso. Mas precisamos arriscar. Nós, os progressistas, estamos diminuindo de tamanho mundo afora.

- Valor: Mas a América Latina nunca foi governada por tantos esquerdistas e os democratas acabaram de vencer as eleições para o Congresso aqui nos EUA...
-
Dunconmbe: O Partido Democrata venceu as eleições por conta da falência do discurso conservador dentro de um Partido Republicano dividido, e não pela aceitação dos valores liberais pelo eleitorado americano. E isso deve se repetir no ano que vem, um democrata quase que certamente vai ser o sucessor de George Bush, mas, e depois de quatro anos? Mas, voltando à sua pergunta, o grande risco é encararmos o espetáculo como o substituto do sonho, como fizeram os fascistas e como a sociedade de consumo faz diariamente. Pense em George Bush descendo com roupa de aviador militar no porta-aviões Abraham Lincoln em 2003 para declarar ‘missão cumprida’ no Iraque. Nosso problema é que neste exato momento a direita detém o monopólio do espetáculo. Nós ficamos do outro lado, confinados à realidade, enquanto a maior parte da sociedade abraçava a simbologia fácil oferecida pela Casa Branca. O que precisamos é repensar o artesanato do espetáculo e o utilizarmos de forma inteligente, dramatizando a realidade, de forma ética, em nosso favor. Cultura pop não é tão ruim assim. É possível ultrapassar o consumismo, a fixação com o lucro, a manipulação de nossos medos coletivos, e explorar as possibilidades que a linguagem dos videogames e a troca de músicas digitais nos oferecem. Pense nas políticas de copyyleft e na abordagem das possibilidades do mundo digital feitas pelo ministério da Cultura do Brasil. Tenho seguido com muito entusiasmo a linha de pensamento do Gilberto Gil, sua posição sobre o que é pirataria e o que é troca de informação.

- Valor: Sua mensagem de que a esquerda precisa continuar sonhando parece-me especialmente interessante no cenário brasileiro, já que há uma sensação forte de que o primeiro mandato do presidente Lula, com a crise ética enfrentada pelo governo e pelo PT, acabou disseminando a idéia de que todas as facções políticas são iguais...
-
Dunconmbe: Veja bem, como um humilde esquerdista norte-americano eu só posso suspirar e desejar que um dia tenhamos a chance de chegar ao poder como a esquerda brasileira o fez. Aqui nos EUA não nos preocupamos em manter-nos puros, pois não há corrupção sem poder. E não temos poder algum. Lula chegou ao poder vendendo o sonho e teve de se afinar com o mercado. Ele hoje é considerado o mais conservador dos esquerdistas eleitos na América Latina, mas isso me interessa menos do que descobrir com quem foram parar as idéias de mudança que ele sempre defendeu. O Lula que chegou ao poder é também fruto de idéias grandiosas de educação gratuita de boa qualidade para todos, do fim da fome. Parece insano, fantasioso, mas é assim que se pressiona por reformas de fato. O lugar deixado por Lula precisa ser ocupado por uma extrema-esquerda que continue sonhando. Pense no México. Você tinha Lopez Obrador como candidato das esquerdas e ao mesmo tempo os zapatistas mantendo uma posição de pragmatismo onírico: vá negociar com eles, enquanto nós continuaremos sonhando. A extrema-esquerda brasileira, creio, deveria tentar manter o fogo aceso. Ou seja, apoiar Lula no que puder, porque poderia ser muito pior sem o PT, e entender a diferença entre purismo ranzinza e a necessidade vital de se abraçar novamente a utopia.

-Valor: Há uma sensação de que se vive uma crise dos valores iluministas na sociedade capitalista contemporânea. Qual é, afinal de contas, em sua opinião, a Ética que devemos defender e praticar nesta nossa ‘idade da fantasia’?
-
Dunconmbe: Os valores iluministas, por si só, não cabem mais em nossa sociedade multifacetada. A esquerda precisa ser menos a viúva do iluminismo e voltar a rufar os tambores iconoclastas. Vamos abraçar a utopia de Eduardo Galeano em As Palavras Andantes, quando ele escreve que ela está no horizonte. Ele dá dois passos e a utopia se distancia também, ou seja, ele nunca a alcançará, mas ela, nos ensina o escritor uruguaio, nos serve para isso: a utopia nos faz caminhar! Este é o objetivo maior da apropriação ética do espetáculo defendida em Dream – representar o sonho, criar uma ilusão que nos ajude a seguir em frente e que nada tem de desilusão. De certo modo, foi o que a direita fez aqui nos EUA. Eles criaram a idéia deste mundo sem sexo, sem aborto, sem Darwin, sem Estado. Nossa sociedade não retrocedeu tanto assim, mas ao manter o sonho aceso eles ajudaram a se criar a ilusão de que esta é uma possibilidade concreta. E moveram peças importantes no tabuleiro político nacional. Isto é fazer política nos tempos de hoje.

domingo, abril 01, 2007

ENTREVISTA/Steve Carell


A Bizz deste mês - toda remodelada - inaugurou uma seção dedicada ao cinema e publicou um rápido pingue-pongue que joguei com Steve Carell, o tio Frank de Pequena Miss Sunshine, por conta do lançamento de seu mais novo filme, A Volta do Todo-Poderoso, que estréia nos cinemas brasileiros em julho (na foto acima, ele, de Noé, conversa com o "deus" Morgan Freeman. O comediante, que se prepara para encarnar na tela grande o atrapalhado Agente 86, seu grande projeto para o ano, conversou comigo no refeitório dos estúdios da Universal, em Los Angeles

5 PERGUNTAS PARA STEVE CARELL
Por Eduardo Graça, de Los Angeles, para a BIZZ

- De correspondente do The Daily Show de John Stewart à elite da comédia de Hollywood foi uma trajetória e tanto. O mainstream assusta?
- Entendo o que você está dizendo, mas minha âncora, creio, é o fato de que fui fazer sucesso, assim, astronomicamente falando, depois dos 30. Isso muda tudo. Não tenho a menor vontade de sair por aí comprando carros da moda, óculos-escuros que eu nunca vou usar, cair na noite. Ouso dizer que Hollywood não mudou em absolutamente nada a minha rotina.
- Em A Volta Do Todo-Poderoso você vive uma espécie de Noé que tem de construir uma arca e levar animais de todos os tipos para se proteger de um novo dilúvio. E você trabalha com alguns bichos bem esquisitos...
- Pois é. Além de confirmar para mim que Deus existe e que ele é mesmo o Morgan Freeman (que encarna o personagem) este filme me fez descobrir coisas extramente úteis como o mau-hálito dos camelos, os dentes horrendos das alpacas, a afeição desmedida das cobras e, claro, com o fato desagradabilíssimo de que todos eles defecam. Convivi com o cocô de animais de todos os tamanhos e formas durante as filmagens. Foi muito, mas muito pior do que ser depilado em cena como no Virgem Aos 40.
- O filme é uma continuação de um grande sucesso de público de Jim Carrey. Você conversou com ele antes das filmagens?
- O Jim tem me dado a maior força e me apoiado sempre, seja quando atuamos juntos, dividindo o set no primeiro Todo-Poderoso, como també no Virgem aos 40. A gente se fala sempre e sim, juro para você que agora que ele está estrelando o filme de suspense O Número 23 meus próximos projetos serão, pela ordem, o Número 24, 25 e 26! (risos). Ele que se cuide!
- E eu que achei que seu próximo filme seria sobre o Agente 86, que é como chamamos o Agente Smart no Brasil...
- Você também é fã do agente Maxwell Smart?
- Sim, toda a minha geração cresceu assistindo ao Agente 86 na televisão!
- Que bom! Bem, eu termino esta entrevista, apresento um Oscar e começo a filmar o Agente 86 com o Terence Stamp, que eu adoro e, claro, com meus colegas Agente 23, que vai ser o The Rock e Agente 89, a Anne Hathaway (protagonista de O Diabo Veste Prada), que eu adoro. Poderia estar mais feliz?




quarta-feira, março 28, 2007

Da Crise do Iraque

Senador Chuck Hagel (R-Nebraska), na tribuna do Senado, hoje, no NYT:

Não há solução militar. O Iraque não é uma prenda que ganhamos ou perdemos. Ele pertence aos 25 milhões de iraquianos. O Iraque não pertence aos EUA.

segunda-feira, março 26, 2007

Os Democratas e A (Próxima) Guerra



Muito bom o artigo do analista político David Rieff na revista do NY Times deste fim de semana (aqui, na íntegra, infelizmente apenas em inglês). Os militantes anti-guerra jogam tudo na derrota do Partido Republicano nas eleições presidenciais do ano que vem mas os três democratas - os senadores Hillary Clinton e Barack Obama e o ex-senador John Edwards - mais bem-posicionados nas pesquisas, e com mais dinheiro em caixa, são mais falcões do que pombos.

Filho de Susan Sontag e do sociólogo Phillip Rieff, David Rieff, uma cria da Universidade de Princeton, lembra que:

* Hillary Clinton fala de um internacionalismo que seria o oposto do unilateralismo de Bush, mas centrado na recuperação da força dos EUA no exterior.

* Barack Obama diz a todo tempo que é preciso recuperar a liderança no tabuleiro político mundial

* John Edwards segue dizendo que os EUA precisam recuperar urgentemente sua posição privilegiada de 'líder moral' do mundo livre.

Os três consideram a invasão do Iraque desastrosa porque mal-conduzida e equivocada, quando os verdadeiros inimigos da democracia estão confinados no Afeganistão e no Paquistão (Al-Qaeda e afins) ou em países como Irã e Coréia do Norte, com sua corrida nuclear. Os três consideram a possibilidade de interevenção armada no Irã, são ainda mais próximos de Israel e Taiwan, dois tradicionais aliados de Washington.

Para azar nosso, Rieff estabelece de forma clara a semelhança entre a idéia de vigor nacionalista dos neo-conservadores e dos liberais intervencionistas.

Os pacifistas que se cuidem.

sexta-feira, março 23, 2007

ENTREVISTA/Mark Wahlberg

A agência de notícias BrPress publicou hoje minha entrevista com o ator Mark Wahlberg, 35, que conversou comigo em Los Angeles sobre seu mais recente filme, Atirador, que estréia hoje nos cinemas brasileiros.


CINEMA - Um ´Rambo´ muito família
Eduardo Graça*/Especial para BR Press

(Los Angeles, BR Press) - Duas semanas depois de deixar a cerimônia do Oscar feliz pelas premiações do amigo Martin Scorsese (diretor) e do filme Os Infiltrados (pelo qual foi indicado como melhor ator coadjuvante), Mark Wahlberg, 35 anos, se esparrama confortavelmente na poltrona da suíte do hotel Four Seasons, em Beverly Hills, como se estivesse na sala de estar de sua casa. Mais jovem de nove irmãos (entre eles os também atores Donnie e Robert), Wahlberg cresceu nos guetos de Boston, foi parar no xilindró inúmeras vezes, ganhou fama na cena musical como Marky Mark, nas passarelas como modelo de Calvin Klein, e parece finalmente ter encontrado o caminho dos tijolos amarelos de Hollywood.

Com um suéter azul-marinho, calça jeans da moda com cueca boxer colorida à mostra e tênis branco dos Celtics feito sob encomenda, Wahlberg fala sem parar de Bob Lee Swagger. Bob é uma espécie de Rambo contemporâneo, personagem principal de Atirador, novo thriller de Antoine Fuqua (diretor do premiado Dia de Treinamento), que estréia nesta sexta-feira (23/03) nos cinemas brasileiros.

Morte ao republicano

A trama é centrada no fuzileiro naval aposentado contratado pelo governo para desbaratar uma possível tentativa de assassinato do presidente dos EUA. Mas nada é o que parece ser no labirinto montado por Fuqua. Atirador conta com cenas fortes, como a sessão de tortura baseada nas icônicas imagens da prisão iraquiana de Abu Ghraib e o assassinato a sangue-frio de um político americano. Na cena, o parlamentar implora: “Mas eu sou um senador da república!”. E o personagem de Wahlberg, gerando aplausos nas salas de cinema da Califórnia, responde: “Exatamente!”.

Em entrevista à BR Press, o ator fala das comparações com Sylvester Stallone e conta que, como outros cidadãos de democracias contemporâneas, já teve vontade de ‘dar uma lição’ em certos políticos corruptos, mas que jamais chegaria aos extremos de Bob Lee Swagger. Especialmente agora, em que sua vida, jura, é dedicada exclusivamente à mulher, a modelo Rhea Durham, 28, e a seus dois filhos, Ella Rae, 3, e o pequenino Michael, 11 meses. Com eles, diz que vai a missas dominicais da igreja católica localizada no bairro em que vive.



Você apresenta uma forma invejável no filme. É um rato de academia?

Wahlberg - Juro que não sou. Tenho uma sala de ginástica em casa, mas o que gosto mesmo é de jogar golfe. Mas é claro que quando você tem de fazer um personagem como o Swagger e o filme exige que você esteja tinindo, faço exercícios diariamente durante as filmagens, além de todo o treinamento específico com atiradores de primeira linha. Sabe que em um de meus próximos projetos, junto com o Matt Damon, por exemplo, devo viver o boxeador irlandês Micky Ward (no filme The Boxer)? Claro, mais uma vez terei de me preparar pacas. É duro. Por exemplo, antes de começar a filmar Atirador estava pesando 91kg e tinha de entrar em cena com um corpinho de 68 kg! (risos).

E você conseguiu?

Wahlberg - Vamos dizer que cheguei na metade do peso ideal (risos). Mudei minha dieta e passei a erguer mais pesos, fazer mais exercícios localizados, mas o mais complicado é mudar seu hábito alimentar. Minha rotina diária é comer um waffle de manhã, fazer exercícios e depois assar uma galinha. Adoro frango assado! Tanto que instalei uma daquelas máquinas de padaria lá em casa (risos).

Que engraçado, Sylvester Stallone, que acaba de voltar com mais um Rocky, diz que a dieta dele é exatamente esta, waffle e frango, como no sul dos EUA!

Wahlberg - Ah, não! Jura? Bem, e ele não falou nada desta viagem que fez em Sidney e de tudo o que encontraram em seu ônibus? (uma referência ao produto alimentar Jintropin, proibido na Austrália). Pelo menos esta outra dieta, a dos produtos que andaram confiscando lá, eu não faço não (risos). Não uso bomba! (risos).

Já que falamos de Rocky, o Swagger tem lá sua dose de Rambo, não?

Wahlberg - Eu diria que ele é ainda um pouquinho mais perigoso que o Rambo. Atiradores de elite são extremamente perigosos, pois você nunca os vê, eles geralmente estão a milhas de distância e podem, mesmo assim, causar um senhor estrago. E o Rambo falava duas frases em todo o filme, né (risos)? O Swagger tem lá sua formação intelectual, lê, é um dissidente. Quando percebi que poderia haver esta comparação, tentei fazê-lo o mais diferente possível. Decidi fazer Atirador porque este é um filme que mexe em certas feridas do mundo contemporâneo. É um thriller, mas também trata da maneira como olhamos aqui dos EUA para os países em desenvolvimento.

E há aquela cena em que o seu personagem mata o senador que é a cara do vice-presidente Dick Cheney. Aliás, no filme, o político conservador tem um rancho em Montana...

Wahlberg - E o vice-presidente em Wyoming...(risos)

Pois é!


Wahlberg - Olha, você precisa ver a versão de quatro horas do filme, pré-editada. O Antoine (Fuqua) teve de cortar um monte de coisas, discursos, referências. Mas, de novo, por isso quis fazer Atirador. É a história de uma grande conspiração que é puro entretenimento, tem muita ação, mas também carrega uma mensagem política.

Você disse que adora jogar golfe. Aqui em Hollywood as pessoas dizem que você é um praticante sério. O que o atraiu no esporte?

Wahlberg - Tudo. Adoro ficar quatro horas concentrado, em um belo espaço, com o celular desligado, longe do trânsito infernal de Los Angeles. Aliás, pensando bem, é meio que o oposto dos filmes que fiz, não? Por exemplo, nunca trabalhei nestes filmes mais calmos em que você passa o tempo conversando e bebericando na piscina ao lado de belas garotas (risos)! Geralmente em meus filmes os elementos e as situações são todas mais duras, cruas mesmo.

Certamente tem a ver com sua imagem de homem durão. Será que você não está tentando mudar isso? Por exemplo, na saída da cerimônia do Oscar, enquanto todos se preparavam para ir para as famosas festas da noite da premiação, você dizia que precisava ir à igreja, que não queria faltar à missa...

Wahlberg - Olha, mas eu fui a uma festa, juro! Apenas a uma, mas fui (risos). É que agora tenho de colocar as crianças para dormir, acordar cedo com elas. Ainda bem! Olha, eu fui criado na igreja católica em Boston e, sim, minha experiência indo parar na cadeia quando muito jovem me ajudou a voltar para o convívio confortável da religião. E espero que ao encarnar um personagem como o Swagger, que carrega uma arma para cima e para baixo, eu não incomode pessoas religiosas. Ele, no fim, está lutando apenas pela verdade. É mais uma pessoa que busca a verdade.

Você acha que ter sido indicado para o Oscar vai mudar sua estatura em Hollywood?

Wahlberg - Não mesmo. Há mais ou menos quatro anos eu estava bem melancólico, deprimido mesmo, com a certeza de que os grandes estúdios não faziam mais os filmes em que eu queria atuar. E pensava: bem, é meu trabalho. Então fazia meus filmes e pronto, vamos ganhar dinheiro e jogar golfe nas horas vagas. Mas aí veio Uma Saída de Mestre (que deve ter uma continuação filmada no Rio de Janeiro), Os Quatro Irmãos, Os Infiltrados, Invincible e Atirador para me desmentir. Todos são filmes a que eu assistiria, como espectador, com o maior prazer. Por isso acho que ser indicado para o Oscar não vai mudar nada. O que muda é ter duas crianças novinhas, como as que tenho em casa.

quarta-feira, março 21, 2007

Manchetes de Quarta-Feira

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança e, no detalhe, a primeira página do NYT com a chegada do quase-presidente eleito Al Gore a Washington. Da última vez em que esteve no Capitólio, lá se vão sete anos, Gore certificou a vitória eleitoral de George Bush em 2000.



- N.Y. TIMES: Estrela de um filme bem diferente, Al Gore retorna ao Capitólio (ex-vice presidente fala no Congresso sobre aquecimento global)

- WASHINGTON POST: Bush avisa que aliados irão depor apenas em sessões fechadas, irritando o Congresso no caso dos procuradores federais aparentemente demitidos por pressão da Casa Branca

- L.A. TIMES: Bush enfrenta Congresso na crise da demissão dos procuradores federais: presidente recusa liberar Karl Rove para depoimento e abre campo para uma batalha constitucional.

- USA TODAY: Prefeitos de todo o país buscam mudar a legislação e tomar o controle das escolas públicas (sucesso de algumas cidades impulsiona mudança política)

- NY DAILY NEWS: O que Naomi Campbell realmente pretende fazer daqui para a frente

SHOW/Welcome to Dreamland

Chegou aqui em casa hoje a Bizz de março, com outras duas colaborações do blogueiro aqui. A primeira foi o ótimo Welcome to Dreamland, uma reunião de feras do freak folk americano aqui no Carnegie Hall em pleno 2 de Fevereiro, que abriu a seção Barulho da revista. Fui convidado por Mr.Pratt e curti tanto que escrevi para a revista o relato abaixo:

FREAK BROTHERS

Evento organizado por David Byrne reúne adeptos do neo-folk no lendário Carnegie Hall

E quem disse que não se dá vivas a Iemanjá em Manhattan? No dia 2 de fevereiro, com a chuva castigando impiedosamente o inverno nova-iorquino, Cibelle, vestido azul-água comme il faut, adentrou o palco do Carnegie Hall e dedicou a jobiniana Por Toda a Minha Vida à deusa das águas em uma interpretação delicada. Ao lado da parceira de Suba no delicioso São Paulo Confessions estavam o coletivo californiano Vetiver e o nerdíssimo britânico Adem. O pretexto era Welcome to Dreamland, a segunda das quatro noites organizadas por David Byrne dentro da série Perspectives, o evento de luxo da temporada no mais cool dos palcos do circuito mainstream da cidade.

DEVENDRA BANHART FECHOU A NOITE ORGANIZADA POR DAVID BYRNE APRESENTANDO DUAS MÚSICAS NOVAS. NUMA DELAS, DECLARA: "ESTOU DOIDÃO, ALEGRE E LIVRE"

Pela terra dos sonhos passaram ainda as irmãs Casady, isto é CocoRosie, com seus vestidos vitorianos, harpas, violinos e vozes de um estranhamento ímpar; a diva folk Vashti Bunyan, responsável pelo clássico folk Another Diamond Day (1968) e que cantou lindamente Pillow, do primeiro (e melhor) disco de Adem, Homesongs; e, claro, Devendra Banhart. O fã de Caetano fechou a noite com duas arrebatadoras músicas novas, com banda eletrificada no palco, e letras de uma objetividade desconcertante. Em uma delas ele declara que ‘está doidão, alegre e livre’. Em Banderas, a nova carta de intenções de Banhart, com Cibelle nos backing vocals, ele parte das semelhanças nos desenhos de símbolos de terras tão distantes quanto a Alemanha e a Califórnia a fim de encontrar um tempo de congraçamento entre os homens de boa paz.

Não por acaso, com Byrne à frente, ecoando suas palavras no início do evento (‘que este seja mais uma provocação do que apenas um outro show’) os artistas se juntaram ao fim para cantar o Bird’s Lament, de Moondog, o mais freak dos folks, que vivia nas ruas de Nova Iorque e morreu em 1999, aos 83 anos. Durante mais de duas décadas ele bateu ponto logo ali na esquina da rua 54 com a Sexta Avenida, portando seu chapéu de viking e cantando como ninguém. Foi de arrepiar.

terça-feira, março 20, 2007

Manchetes de Terça-Feira

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança que trataram dos cinco anos de ocupação norte-americana no Iraque. O destaque fica por conta do especial trazido pelo Washington Post, com uma série de reportagens e análises sobre a presença de 135 mil soldados ianques no Oriente Médio:



- WASHINGTON POST: Especial - Invasão do Iraque completa 5 anos (Bush pede que Congresso democrata mostre 'coragem e capacidade de decisão' ao tratar das novas diretrizes da ocupação militar)

- USA TODAY: Apoio à democracia despenca (pesquisas mostram que iraquianos não acreditam nem em eleições nem no governo de Bagdá)

- N.Y. TIMES: Bush pede 'paciência' no aniversário de quatro anos da ocupação do Iraque (presidente alerta para a 'tentação' de 'arrumar as malas e voltar para a casa' antes do dever cumprido)

O Voto das Mulheres Negras

Na revista New York que acabou de chegar aqui em casa, Donna Brazile, estrategista da campanha de Al Gore e comentarista da CNN, uma das maiores especialistas em corridas eleitorais aqui nos EUA, diz que a chave para a conquista do voto negro (basicamente democrata) em 2008 está com as mulheres.

Uma recente pesquisa da ABC-Washington Post mostra que o apoio dos negros a Hillary Clinton caiu dramaticamente desde o lançamento da candidatura Barack Obama: de 60% para 33% das intenções de voto. Pior, no eleitorado feminino, em todos os grupos étnicos, seu eleitorado caiu de 49% para 40%.

Diz Brazile:

"O que realmente comanda a maré política no eleitorado afro-americano é o apoio das mulheres negras logo no início da campanha. São elas que comandam o discurso político dentro de casa. Em geral elas são também as menos volúveis: quando escolhem de fato um candidato, não viram a casaca".

Parece que este candidato, para o azar de Hillary, é Obama.

segunda-feira, março 19, 2007

Manchetes de Segunda-Feira

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança e, no detalhe, a primeira página do USA Today, com um triste balanço da vida dos iraquianos quatro anos após a invasão americana:



- USA TODAY: Iraquianos vivem em total desesperança (pesquisa mostra que 100% se sentem inseguros em Bagdá e 61% acham que a vida piorou depois da queda de Saddam, na semana que marca quatro anos da invasão americana)

- N.Y. TIMES: Senadores democratas insistem que colaboradores mais próximos de Bush testemunhem na investigação instaurada pelo Congresso sobre a demissão dos oito procuradores federais (oposição quer ouvir publicamente Karl Rove, o homem-forte do governo, e o vice-presidente Dick Cheney)

- WASHINGTON POST: Documentos internos revelam as mordomias do primeiro escalão do Smithsonian Institute, às custas do contribuinte.

- L.A. TIMES: Empreiteiras brigam por espaço no coração de Los Angeles

domingo, março 18, 2007

Manchetes de Domingo

Os principais jornais americanos neste domingo registraram os quatro anos de invasão do Iraque (e 40 do início da série de protestos contra a Guerra do Vietnã). O Washington Post (abaixo) deu grande destaque para as manifestações em todo o país, enquanto o NYT e o LA Times iniciaram duas séries interessantíssimas de reportagem: respectivamente, sobre os avanços da genética e o drama da viagem dos imigrantes que entram ilegalmente nos EUA pelo Texas, na área mais perigosa da chamada Fronteira da Morte.



- WASHINGTON POST: Quatro Anos Depois - Ira (protestos marcam o aniversário de quatro anos de ocupação do Iraque pelos EUA e aliados)

- N.Y. TIMES: Vivendo com um Gene Letal (série de reportagens revela os novos testes que revelam doenças genéticas)

- L.A. TIMES: Histórias de Crimes (série de reportagens mostra a viagem aos infernos de imigrantes ilegais viajando dentro de uma van sufocante pelo sul do Texas, com 19 mortos).

- NY DAILY NEWS: Vexame no Transporte Escolar em NY: Motoristas, Instrutores e Estudantes flagrados em diversos casos de abuso pela reportagem do jornal

sábado, março 17, 2007

Manchetes de Sábado

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança e, no detalhe, a bela figura de Valerie Plame Wilson, a ex-agente secreta da CIA queimada pela Casa Branca logo no início da batalha travada entre críticos da invasão do Iraque e defensores da trama das 'armas de destruição em massa' que Saddam Hussein teria estocado em Bagdá. Ela foi o destaque dos principais jornalões do país neste sábado. Como se sabe, as tais armas nunca apareceram, mas dona Valerie perdeu o emprego. É um destes raríssimos casos em que espião vai parar nas primeiras páginas do jornal. Com permanente no cabelo e tudo:




- WASHINGTON POST: A ex-agente da CIA Valerie Plame diz em depoimento no Congresso que om governo Bush não teve a menor preocupação em revelar sua identidade quando das primeiras críticas à invasão do Iraque

- L.A. TIMES: No Congresso, é a hora de Valerie Plame falar tudo o que sabe (ela acusa a Casa Branca de desrespeitar a CIA e não dar a mínima atenção a seu status de agente secreta)

- N.Y. TIMES: Irã quer aumentar sua presença na economia iraquiana

- SAN FRANCISCO CHRONICLE: Veteranos da invasão do Iraque vivem nova batalha - como conseguir plano de saúde e ajuda do governo para tratamento de traumas de guerra.

ENTREVISTA/Angelina Jolie & Robert DeNiro - O Bom pastor


A Contigo! que chegou hoje nas bancas brasileiras trouxe entrevistas minhas (e texto da querida Márcia Pereira, de S.Paulo) com seu Robert De Niro e dona Angelina Jolie, respectivamente o diretor e a estrela de O Bom Pastor, filme que estréia este fim de semana nas telonas cariocas e paulistanas.

O Bom Pastor

Eduardo Graça, de Nova York, para a Contigo!

Durante a Segunda Guerra, Edward Wilson (um ótimo Matt Damon) é recrutado pelo general Bill Sullivan (Robert De Niro) para trabalhar na nascente agência americana de inteligência, a CIA. Ao aceitar, deixa em segundo plano seu casamento com Clover (Angelina Jolie). Marido e mulher brigam por tudo e rompem de vez quando o filho decide seguir os passos do pai ausente. A câmera segue a trajetória da família por mais de 35 anos, durante quase três horas de bela fotografia e pouca ação. Leve lanchinho e café - já que pode dar sono.

ENTREVISTA/Robert De Niro



Famoso por dar entrevistas a jato, recheadas de respostas curtas, De Niro até que estava em um de seus bons dias na suíte do Hotel Waldorf-Astoria, no qual falou do
amigo Martin Scorsese, 64, e de sua vontade de dirigir uma seqüência de O Bom Pastor. A seguir, o ator/diretor revela-se, só mais um pouquinho.


Essa é sua terceira experiência na direção. A primeira foi 13 anos atrás...

Nossa, faz tempo! Mas o que me fascinou em O Bom Pastor foi mergulhar no mundo da inteligência secreta, da espionagem. É um assunto fascinante para uma história, um filme. Eu até estava trabalhando em um outro projeto, sobre sociedades secretas, quando esse roteiro chegou a mim. Mas, para me dedicar a ele, fiz um acordo.

Um pacto? Mais sociedade secreta impossível...
Pois é. Disse ao roteirista, Eric Roth, que, se eu concordasse em dirigir o filme, ele escreveria o roteiro para a segunda parte da saga. Sabia que O Bom Pastor estava na lista de uma famosa revista de cinema como um dos dez roteiros jamais produzidos? Acho que ele nunca saiu do papel porque as pessoas o consideravam um projeto caro e ambicioso. Deu mesmo um trabalhão. Cortei várias cenas que se passariam no Irã e no Oriente Médio, por exemplo.

Você volta, nesse filme, a trabalhar com Francis Ford Coppola (produtor do longa), que o dirigiu em O Poderoso Chefão II (1974) e lhe rendeu um Oscar. Diria que há semelhanças entre os filmes de máfia dele e O Bom Pastor?
Há, sim, uma semelhança entre a CIA e a máfia no sentido do culto ao segredo. São organizações profundamente fechadas. Mas nada além disso, né? (Pisca olho, rindo.) A saga familiar do agente Edward Wilson, retratada em O Bom Pastor, também é um ponto de interseção com os filmes de Coppola.

O senhor é muito amigo do diretor Martin Scorsese. Mostrou o filme a ele?
Marty viu o filme algumas vezes antes de ficar pronto. Queria ouvir o que ele tinha a dizer sobre as versões do longa.

Quando as pessoas o abordam nas ruas elas saem recitando frases famosas de seus filmes?
Sim e ainda bem! E também dão opinião sobre o que acham melhor ou pior nos meus papéis (risos).

Acha que agora vai acontecer o mesmo com você atuando por trás das câmeras? Vai haver um novo filme do diretor De Niro logo?

Ah, não sei. Adoro atuar. Mas, como disse antes, quero muito fazer a continuação de O Bom Pastor. Como ator você pode se concentrar no seu personagem, mas dirigir significa pensar em cada aspecto do filme. Por outro lado, você tem um poder de decisão muito maior, inclusive na hora de editar as cenas. Mas não acho, por exemplo, que um diretor que não atua, como o Marty, é menos respeitoso com os atores. No caso dele, por exemplo, é rigorosamente o oposto: tem um respeito quase religioso por nós, que se reflete em seus filmes. Outro dia lhe disse que minha admiração por ele aumentou ainda mais depois que dirigi O Bom Pastor e tive a noção do desafio que é dirigir um filme desse tamanho.

E sua relação com a Angelina? É a primeira vez que trabalharam juntos...
Mandei-lhe o roteiro porque simplesmente a adoro ver em cena. Mas acho, humildemente, que ela nunca fez algo tão intenso, tão brilhante, quanto a Clover de O Bom Pastor. Ela superou minhas expectativas, com certeza.


Entrevista/Angelina Jolie




Sua personagem em O Bom Pastor exibe frases curtas, imensos silêncios e um trabalho corporal delicado. É uma interpretação minimalista. Foi proposital?
Sim, foi! Como Bob (De Niro) queria fazer algo fiel aos anos 40 e 50 e à camada de mistério que a criação da CIA exigia, todos no set tínhamos de nos preocupar em fazer gestos de gente fina. Por exemplo, mover as mãos assim (levando-a até o queixo, bem devagar), mais graciosamente. Finalmente aprendi como se usa um guardanapo à mesa (risos). As mulheres dessa época eram especialmente reprimidas...

Isso parece perturbá-la...

Bem, foi um senhor desafio para mim encarnar uma mulher submissa (risos). É totalmente contra meus instintos mais naturais, digamos assim (mais risos). Quando eu e Matt (Damon) tivemos uma cena em que ele grita comigo e me empurra, é especialmente bruto. A gente teve de se segurar para não cair na gargalhada. Só nós dois sabíamos porque estávamos com aquela cara engraçada. É que estávamos com os papéis trocados: ele sendo tão malvado e eu tão cândida (risos)!

Levou essas lições aprendidas no set para o seu dia-a-dia?

Ah, sim! Menos os valores profundamente hipócritas da América do pós-guerra e mais um certo culto à elegância, que se perdeu no meio do caminho. Certos gestos especialmente delicados vou tentar levar comigo, juro (risos)! Mas, ao mesmo tempo, Clover, minha personagem, era uma mulher especialmente carente, que, por exemplo, fica bêbada na frente do filho, coisa imperdoável para mim. Também jamais fumaria na frente de meus filhos.

Você terminou O Bom Pastor e fez, na seqüência, a viúva do jornalista americano Daniel Pearl, em outro thriller político. Foi coincidência?

Mas aí você também pode pensar que é coincidência eu continuar lidando com espionagem, como em Sr. & Sra. Smith. A verdade é que estou amadurecendo e, cada vez mais, interessada em filmes que tenham algum tipo de mensagem política. E, hoje, os grandes estúdios sabem que eu simplesmente me recuso a passar sete meses filmando longe de meus filhos. Então, não dá mais para fazer um filme de ação.

Como resolve esta charada: carreira X crianças?

Não tem charada. Ficarei mais em casa mesmo. Eu e Brad decidimos que vamos nos alternar: quando um estiver filmando, o outro necessariamente estará com as crianças, em casa. E temos um pacto: decidimos quem vai trabalhar a partir do grau de paixão despertado por cada projeto. Mas lhe garanto que os dois pensam que o felizardo é aquele que ficará com os meninos.

Seu personagem, no filme, lida com sentimentos de vingança em relação ao ex-marido. Você se vê nesse papel na vida real?
De jeito nenhum (risos)! Sou amiga de meus dois ex (Jonny Lee Miller, 34, com quem foi casada de 1996 a 1999, e Billy Bob Thornton, 51, casada de 2000 a 2003). E, quando nos separamos, o fizemos porque entendemos que era o melhor para o crescimento de cada um. Foi justamente para não entrarmos em um relacionamento doentio, especialmente quando crianças estão envolvidas.

Você é um dos rostos mais conhecidos do mundo. Há algum lugar em que não a reconhecem?
(Rindo muito.) Mas é claro que sim! Por exemplo, eu acabo de passar alguns dias em Springfield, uma cidadezinha do estado do Missouri, onde vive toda a família do Brad, e ninguém me reconheceu, lá. Eu juro (risos)!

sexta-feira, março 16, 2007

Manchetes de Sexta-Feira

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança e, no detalhe, a primeira página do NYT, com a imagem dos militantes encapuzados de uma nova organização fundamentalista islâmica, Fatah al Islam, comandada pelo palestino Shakir al-Abssi, que promete novos ataques aos EUA:




- N.Y. TIMES: Em um campo de treinamento no Líbano, a nova face da jihad promete novos ataques aos EUA

- WASHINGTON POST: EUA e Sadr - tumultuada cooperação (líder radical dos shiitas visto como fundamental para o sucesso da estratégia de Washington no Iraque)

- NY DAILY NEWS: A Sangue Frio: videotape mostra como os dois policiais foram mortos pelo atirador do Village

- L.A. TIMES: Antecipação das Primárias na Califórnia dão ao estado mais força na escolha do novo presidente no ano que vem

TIME/Como a Direita Se Equivocou



A capa da Time que acaba de chegar às bancas traz uma foto de Ronald Reagan, o maior ícone do conservadorismo americano da segunda metade do século XX, derramando uma lágrima pela direita. E pergunta: "O que ele faria? E por que os candidatos republicanos à presidência precisam recuperar a herança de Reagan". Neste exato momento os dois candidatos republicanos mais fortes - Rudolph Giuliani (ex-prefeito de Nova Iorque, um social-liberal) e o senador John McCain (defensor ferrenho da invasão do Iraque) - não entusiasmam nem o braço conservador nem o libertário (que prega o individualismo e tem horror à idéia de Estado) do partido. A reportagem, de Karen Tumulty, pode ser lida, infelizmente apenas em inglês, aqui.

quinta-feira, março 15, 2007

Manchetes de Quinta-Feira

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança e, no detalhe, a primeira página do Los Angeles Times, que, como os outros grandes jornais do país, trataram da confissão daquele que há tempos é apontado pelo governo norte-americano como a mente por detrás dos ataques de 11 de Setembro. Enquanto o N.Y.Times destaca o fato de Khalid Mohammed estar confinado na prisão militar de Guantánamo e de que ele teria assumido a autoria de outros 30 ataques, o L.A. Times reforça o paralelo estabelecido pelo prisioneiro entre os fundamentalistas islâmicos e os revolucionários que criaram os EUA em 1776:



- L.A. TIMES: Khalid Shaikh Mohammed confessa a militares em Guantánamo ter planejado o atentado de 11 de Setembro (Em seu depoimento ele compara a Al-Qaeda aos que lutaram na Guerra da Independência dos EUA no século XVIII)

- N.Y. TIMES: Transcrições de depoimento
do suspeito de planejar os ataques de 11 de Setembro: Khalid Shaikh Mohammed confessa autoria do atentado terrorista a uma auditoria militar na base de Guantánamo, em Cuba.

- WASHINGTON POST: Principal suspeito de arquitetar os atentados de 11 de Setembro confessa em Guantánamo

- USA TODAY: Prisioneiro confessa em Guantánamo ter sido a mente por detrás dos atentados de 11 de Setembro (Transcrição do depoimento de Khalid Sheikh Mohammed aos militares mostra que ele bolou de A a Z a destruição das torres gêmeas do WTC)

- NY DAILY NEWS: Massacre no Village: Atirador mata bartender e dois policiais até ser morto pela polícia.

quarta-feira, março 14, 2007

Manchetes de Quarta-Feira

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança e, no detalhe, a primeira página do Washington Post, que, assim como o L.A. Times e o N.Y. Times, dá destaque ao escândalo envolvendo o advogado-geral da União, Alberto Gonzales.

Doutor Gonzales, que durante anos foi o advogado particular do presidente Bush, teria comandado as pressões da Casa Branca para a demissão de vários procuradores federais em todo o país. Estes estariam incomodando o governo ao investigar políticos ligados ao Partido Republicano. Os senadores Charles Schummer e Hillary Clinton, democratas de Nova Iorque, exigiram, do Capitólio, a renúncia de Gonzales, o primeiro hispânico a ocupar o cargo na história dos EUA:



- N.Y. TIMES: Gonzales admite que 'erros foram cometidos nas demissões dos procuradores federais'

- WASHINGTON POST: Gonzales: 'Cometemos Alguns Erros' (Casa Branca acha complicada a situação do advogado-geral da União)

- L.A. TIMES: Pressão Total no advogad-geral Gonzales (e-mails mostram detalhadamente a pressão que os procuradores federais sofreram da Casa Branca)

- USA TODAY: John Edwards poderá vencer com uma mensagem 'nós contra eles'? (o desafio da mensagem populista do democrata)

- NY DAILY NEWS: Policial alvejado em tiroteio no Harlem

terça-feira, março 13, 2007

Manchetes de Terça-Feira

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança e, no detalhe, a primeira página do NY Daily News, com o emocionado enterro das 8 vítimas do incêndio da semana passada no Bronx:





- NY DAILY NEWS: 'Rezemos para que isso não aconteça novamente', diz o prefeito Bloomberg no funeral das vítimas do fogo no Bronx.

- N.Y. TIMES: Demissão dos Procuradores foi planejada na Casa Branca

- WASHINGTON POST: Demissões de Procuradores teve origem na Casa Branca

- L.A. TIMES: Seca na Califórnia é tão intensa que não chove nem em Março (um dos meses mais chuvosos)

- USA TODAY: General Petraeus: A guerrilha de Al-Sadr está sendo duramente combatida (com 700 combatentes encarcerados, Mahdi reduz ataques a soldados norte-americanos)

RESENHA/ARCADE FIRE - Neon Bible (2007)



A revista Bizz que está nas bancas saiu com minha resenha de um disco sensacional, o novo do Arcade Fire, Neon Bible. Este mês os canadenses foram tema de duas belas reportagens por aqui, na New Yorker e na revista dominical do The New York Times, na semana em que se apresentaram em Manhattan, dentro de uma igreja gótica. Não consegui ir aos shows mas o disco não sai da vitrola aqui de casa.

Arcade Fire – Neon Bible (Merge Records, importado)


Cotação Máxima: 5 estrelas



Nem vem que não tem. Neon Bible, o CD que o Arcade Fire lança em março na zona norte do mundo não é um novo Funeral, quiçá o lançamento mais importante de 2004 na seara do indie rock. E a constatação aqui, é um elogio.

Antes de fundar a banda com sua mulher Régine Chassagne, Butler passou anos estudando as Escrituras. Pois o Evangelho segundo o Arcade Fire está muito mais para o Apocalipse do que os Atos dos Apóstolos. O único milagre, aqui, é passar incólume pela explosão da música do quinteto canadense. Logo no Gêneses de sua bíblia pós-moderna os canadenses nos transportam para um universo muito mais sombrio do que o do primeiro trabalho da banda. “Espelho, espelho na parede/ Revele-me aonde as bombas cairão”, roga Win Butler, voz frágil, na acachapante Black Mirror, prova de que a estética Bowie-Berlim está mais viva do que nunca.

As cordas, os coros, o namoro com o barroco, as harmonias complexas poderiam funcionar, para um ouvido mais apressado, como ponto de ligação óbvio entre os dois discos. Mas, aqui, a fantasia dói mais, justamente por ter-se materializado de forma tão crua. Neon Bible insiste em nos mostrar que o pesadelo é aqui e agora. E para tanto aumentou-se o peso da percussão do primeiro-irmão William Butler e do baixo de Régine. Sim, depois do funeral, só nos resta o rock’n’roll.

Nas 11 faixas de Neon Bible há referências claras a Bruce Springsteen (ouça Keep The Car Running, com a hipnótica repetição do titulo da faixa, Windowswill e, especialmente, a linda Antichrist Television Blues); uma canção anti-guerra toda calcada em uma belíssima introdução feita em órgão de igreja (Intervention, dos versos ‘Não quero lutar/Não quero morrer/Apenas quero ouvir o seu lamúrio’), a delicada Ocean of Noise, que quase alcança o lirismo da valsa Crown of Love, de Funeral; e a confessional My Body is a Cage, em que Butler nos assegura: ‘Vivo em uma era/ Cujo o nome eu desconheço/E embora o medo me mantenha em movimento/Meu coração bate cada vez mais lentamente’.

Com sua beleza melancólica, este é um disco para se ouvir repetidas vezes, bem alto, aos berros, sem pausa, como se o ouvinte tivesse todo o tempo do mundo para, de fato, se entregar ao êxtase proposto pelo Arcade Fire. O ano começou muitíssimo bem. (Eduardo Graça)

segunda-feira, março 12, 2007

Manchetes de Segunda

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança e, no detalhe, a primeira página do USA Today, destacando a corrida presidencial mais aberta de todos os tempos:




- USA TODAY: A Corrida Presidencial de 2008 tem a cara de uma América em mutação (pesquisas mostram eleitores mais abertos do que nunca a candidatos menos convencionais)

- N.Y. TIMES: Décadas de conflitos e perda de esperança marcam vidas de jovens palestinos

- WASHINGTON POST: Terroristas - cada vez mais difícil encontrar um perfil-padrão (oficiais europeus dizem que extremistas islâmicos não apresetam

- L.A. TIMES: Militares apresentam planos para retirada gradual do Iraque

Chiclete Com Banana



Só deu Gilberto Gil ontem no caderno dominical de Artes do NYT. Matéria de capa, página inteira, com o Larry Rother (pois é) tratando 'da grande anomalia da pop music contemporânea': o político-compositor. O pretexto são as três semanas da turnê norte-americana do Ministro da Cultura, que começa nesta quarta-feira com uma palestra no South by Southwest, em Austin, Texas, o festival de rock independente mais interessante destas bandas. Aqui em NYC Gil se apresenta no dia 20, no Carnegie Hall.

A reportagem, com o título 'Gil Hears The Future' apresenta doutor Gilberto, 64 anos, primeiro negro a assumir uma cadeira no primeiro escalão do governo federal, como figura central nas discussões sobre as novas formas de distribuição da música depois da explosão digital. "Acredito que a cultura digital carrega consigo uma nova noção de propriedade intelectual. E esta nova cultura de trocas pode e deve ser um fator importante para a formulação das políticas públicas para o setor", diz Gil.

Há ainda espaço para se destacar a aliança de Gil com o Creative Commons, o programa Pontos Culturais, o aspecto visionário do Tropicalismo (que remixava e sampleava muito antes da explosão da música eletrônica) e a crítica à chamada World Music ("e seus safaris culturais, comandados por aventureiros em Land Rovers procurando por espécimes exóticos").

Diz Gil:

"Estou em um ponto de minha vida em que não quero mais ter comprometimento algum com minha carreira, no sentido estrito da profissão. Eu já não vejo mais a música como um campo a ser explorado. Eu a vejo como uma área alternativa de ação, parte de um imenso repertório de possibilidades à minha disposição. Música é algo visceral em mim e ainda que não esteja pensando sobre ela, ainda estarei fazendo música, sempre".

domingo, março 11, 2007

Manchetes de Domingo

Uma corrida pelos principais jornais da vizinhança e, no detalhe, a primeira página do NYT, com o encontro de dois líderes da comunidade muçulmana de NY, representando, respectivamente, os imigrantes árabes de Long Island e os negros do Harlem:




- N.Y. TIMES: Uma Complicada Aliança - negros e árabes buscam o entendimento (duas das maiores comunidades de muçulmanos em Nova Iorque tentam se unir contra a discriminação que aumentou muito desde os ataques do 11 de setembro)

- WASHINGTON POST: Aprovado o reforço de tropas (Bush anuncia o envio de mais 8.200 soldados para o Iraque e Afeganistão)

- L.A. TIMES: Conferência no Iraque não melhora relações entre Irã e Estados Unidos (Iraque pede que vizinhos não interfiram nos negócios internos do país, enquanto EUA e Irã trocam acusações)

- NY DAILY NEWS: O Suspiro Final (imigrante de Mali perde mais uma filha, de seis anos, que morre no hospital por conta das queimaduras causadas pelo incêndio de prédio no Bron nesta quarta-feira)