segunda-feira, junho 09, 2008

Radiohead/Portishead

Ó só o que se ouve por aqui. A linda versão - feita no backstage do show do Radiohead neste finde em Dublin - da linda The Rip, do meu amado Portishead (o álbum dos moços tá ali do lado Na Vitrola). 

domingo, junho 08, 2008

Eu Tinha Um Sonho/CARTA CAPITAL


A Carta Capital desta semana saiu com meu texto sobre a confirmação de Barack Obama como o candidato democrata à presidência dos EUA. Ó só:

Eu tinha um sonho
Eduardo Graça, de Nova York

Depois de mais de um ano de disputa interna, o senador Barack Obama, de 46 anos, é o primeiro político negro escolhido por um partido majoritário para disputar as eleições à Presidência dos Estados Unidos. Ao conseguir, na terça-feira 3, os delegados necessários para se tornar o candidato do Partido Democrata à Casa Branca, Obama fez história e ofereceu aos eleitores norte-americanos a possibilidade de votar, pela primeira vez em 16 anos, em dois presidenciáveis que não carregam os sobrenomes Bush ou Clinton. Seu adversário é o também senador John McCain, de 71 anos. “Esta noite marca o fim de uma jornada histórica e o começo de outra, que trará dias melhores para a América. Hoje, posso afirmar a vocês que eu serei o candidato do Partido Democrata à Presidência”, disse Obama, em um discurso emocionado para milhares de militantes na cidade de Saint Paul, em Minneapolis.

Na manhã seguinte, enquanto subia as escadas do Capitólio, o deputado negro John Lewis, da Geórgia, viu-se abordado pelo turista Larry Ellery, que lhe perguntou o que Martin Luther King diria daquela noite memorável. Lewis, um destacado líder estudantil nos anos 60, é o único palestrante vivo do evento em que o reverendo pronunciou seu famoso discurso “Eu Tenho Um Sonho”, há quatro décadas. “Ele teria ficado muito, muito, satisfeito”, respondeu o deputado. “E provavelmente teria dito Aleluia!” A convenção do Partido Democrata, que oficializará a candidatura de Obama, está marcada para 28 de agosto, exatos 45 anos após o discurso de Luther King e 55 depois do assassinato do adolescente Emmett Till no Mississippi, fato que desencadeou a grande campanha pelos direitos civis, responsável por mudar para sempre a política norte-americana. No Congresso, muitos parlamentares negros choravam de emoção e repetiam, atônitos, que, no fim das contas, jamais haviam imaginado que este dia chegaria. Alguns lembraram que quando Obama nasceu, em 1961, um filho mestiço de pai do Quênia e mãe do Kansas dificilmente conseguiria votar no Sul segregacionista. Foi em outro estado do Sul, a Virgínia, que o senador de Illinois comemorou a vitória, explicitando sua vontade de brigar por votos de estados da parte meridional do país, que há mais de meio século se alinham religiosamente com os republicanos. Essas regiões se transformaram em um campo de batalha por conta da animação da militância negra, que representa cerca de um quarto do eleitorado em alguns estados da área mais conservadora.

Do outro lado do campo democrata, Hillary Clinton resistiu até onde pôde. Em meio ao carnaval dos “obamaníacos”, a ex-primeira-dama lembrou que ela também conduzira uma campanha memorável. Era, afinal, a primeira mulher a ter uma oportunidade real de se tornar presidente dos EUA. Quando Obama já havia conseguido a maioria dos votos dos delegados democratas, ela comemorava o fim das primárias em Nova York. Seus partidários, concentrados no Baruch College, não tinham, providencialmente, acesso a celulares ou a aparelhos de tevê. Portando faixas com os dizeres “ou Hillary ou ninguém mais”, muitos ainda vibravam com o anúncio, feito pelo coordenador-geral da campanha, de que o próximo discurso do dia seria “da futura presidente dos EUA”. Hillary foi aclamada aos gritos de “Denver! Denver!”, referência à cidade do Colorado que sediará a convenção democrata. Clinton procurava ganhar mais tempo, valorizando os 18 milhões de votos angariados na campanha e a maioria absoluta de eleitores brancos, de classes mais baixas e do sexo feminino. Mas, na manhã da quarta-feira 4, 23 deputados e oito senadores de seu grupo mais próximo avisaram à senadora que iriam anunciar o apoio a Obama em nome da unidade do partido, com ou sem ela. A pré-candidata decidiu então convocar seus militantes para um evento no sábado 7, em Washington, com o objetivo de anunciar o apoio oficial ao adversário. Não sem antes dizer, por meio de partidários fiéis, que aceitaria ser vice-presidente se Obama a convidasse. Na mesa de negociação entre as duas estrelas democratas, estará também o imenso buraco financeiro de sua campanha. De acordo com colaboradores próximos da ex-primeira-dama, as dívidas chegam a 23 milhões de dólares. O bolso milionário dos Clinton teria injetado 11 milhões de dólares na campanha a título de “empréstimo”.

Em sua primeira entrevista sobre o tema, na quarta-feira 4, para a rede NBC, Obama saiu pela tangente. Disse que ainda é cedo para decidir sobre seu vice e que, de qualquer modo, “Hillary não espera que eu decida isso nos próximos dias”. Assessores do senador lembram que o ícone histórico de Obama sempre foi Abraham Lincoln. Uma das virtudes que ele mais admira no presidente que venceu a Guerra Civil foi a capacidade de indicar para seu gabinete alguns de seus opositores políticos mais ferrenhos. “Lincoln deixou de lado todos os atritos pessoais e se concentrou na seguinte questão: como sairemos desta crise em que vive o país? Este é exatamente o meu sentimento agora”, disse Obama aos assessores. Sua idéia seria a de convocar ao governo os adversários na primária democrata John Edwards, Joe Biden e Hillary Clinton, respectivamente como secretário de Justiça, secretário de Estado e titular de uma pasta que englobasse Saúde e Projetos Sociais. A senhora Clinton poderia deslanchar seu plano mais ambicioso, o de reformar o sistema de saúde pública.

Seria o bastante para garantir os votos de Hillary para o novo indicado? Uma pesquisa do Pew Research Institute realizada no fim de maio mostra que 8% das democratas em todo o país não votam em Obama de jeito nenhum. Foi para esse público que o senador John McCain centrou seu mais forte – e raivoso – discurso até agora em uma tentativa de diminuir a festa democrata. Depois de um elogio à “minha amiga Hillary Clinton, que não tem sido tratada como deveria”, o republicano lembrou que, ao contrário de Obama, “não busco a Presidência na presunção de que fui abençoado com tal grandeza pessoal que a História me escolheu para salvar o país em uma hora de necessidade”. A mensagem era referência ao suposto elitismo de Obama.

As duas pesquisas realizadas logo após o anúncio de que Obama vencera as prévias democratas mostram que a briga será feia: o senador tem entre 42% e 46% dos votos segundo a CBS e de 45% a 47% (configurando empate técnico) na apuração da CNN. O primeiro debate entre Obama e McCain deve acontecer em 12 de junho, em Nova York. Peter Hart, estrategista do Partido Democrata, usa uma analogia interessante para definir o momento político: “Metade do eleitorado hoje celebra, feliz, ‘sim, nós podemos’. A outra metade, incluindo boa parte dos independentes e indecisos, pergunta, atônita: ‘Mas, afinal, quem é este sujeito?’ E muitos deles estão descobrindo a resposta por meio dos sermões de Jeremiah Wright”, diz, em uma referência ao pastor radical de Chicago que foi o mentor espiritual do senador democrata.

Apesar de Obama ter-se desligado oficialmente da congregação de Wright nesta semana, estrategistas conservadores e liberais concordam que a grande questão de 2008 é saber se na boca-de-urna de novembro o fato de Barack Obama ser negro será fonte de júbilo como foi nesta semana. McCain prometeu não se aproveitar do preconceito racial na campanha. Mas em uma disputa tão acirrada e com os republicanos temendo sofrer uma derrota de proporções gigantescas, as dúvidas sobre os métodos utilizados pelos dois lados nos próximos meses aumentaram estupidamente.

terça-feira, junho 03, 2008

Sex&the City/Sarah Jessica Parker

A revista Monet, na edição deste mês, publicou o perfil que escrevi de Sarah Jessica Parker, a Carrie Bradshaw de Sex&The City. O filme, que chega aos cinemas brasileiros na sexta-feira, derrubou Indiana Jones do posto de primeiro lugar nos cinemas norte-americanos neste fim de semana, com uma bilheteria de US$ 55,7 milhões. Trata-se da maior bilheteria de um filme protagonizado por um mulher em toda a história de Hollywood. Obviamente já se fala por aqui de uma seqüência no ano que vem.

O perfil, na íntegra:

O Poder da Marca
Eduardo Graça, de Nova York, para a Monet

SJP. Parece nome de código de aeroporto. Ou de spray desodorante. É, sim, uma marca. E das mais poderosas do mundo do entretenimento. Sarah Jessica Parker – ou SJP, como preferem público e mídia norte-americanos – é, aos 43 anos, um dos rostos mais reconhecidos dos EUA. Quando Sex & the City, o filme, chegar aos cinemas brasileiros, no dia 6 de junho, milhares de curiosos estarão tão interessados em saber o que acontece com Carrie Bradshaw, Mr.Big, Miranda Hobbes, Samatha Jones e Charlotte York Rosenblatt, quanto no que os personagens estarão vestindo. Não por acaso o que primeiro chama a atenção no bate-papo com SJP na suíte de um hotel de luxo de frente para o Central Park é o cinto da atriz. Vermelhíssimo, imenso. “É vintage Yves-Saint Laurent. Mas seu leitores vão pensar que eu gosto mais de moda do que de atuar, o que não é verdade!”, ela protesta, com um sorriso calmo antes de morder os lábios tal qual Carrie em um de seus momentos mais indefesos. Não há quem resista.

Pequenina, com imensos olhos azuis e nariz pronunciado, SJP parece ser uma daquelas mulheres que sabem exatamente o tamanho de seu poder e estão focadas em exercê-lo de maneira sábia. A tarefa não é das mais fáceis. As seis temporadas da série de televisão (vencedora de oito Globos de Ouro e sete Emmys) reativaram sua carreira em Hollywood (ela protagonizou os sucessos de público, embora não de crítica, Tudo em Família e Armações do Amor) e a transformaram em garota-propaganda da Gap. Sem esquecer da oportunidade de criar sua própria linha de perfumes e uma grife de roupas famosa tanto pela qualidade quanto pelos preços baixos. Agora ela se prepara para emprestar sua face a um shopping center de São Paulo. Nos EUA, já há quem fale do ‘Sarah Jessica Parker Mall’ brasileiro. Quando escuta a heresia a atriz gargalha com vontade. “Não! Não! O nome do local é Ci-da-de Jar-dim”, diz, em português impecável.

Quando sua pronúncia é elogiada ela revela ter grandes amigos brasileiros. “Mas ainda não consegui passar muito do muito obrigado, é tão difícil! E preciso aprender mais, pois vocês, brasileiros, são gentilíssimos, agradáveis ao extremo, fica difícil dizer não. No caso do Cidade Jardim, resisti muito até concordar em participar, de alguma forma, do projeto. Mas é assim que a gente consegue negociar e produzir filmes independentes, que não são bancados por grandes estúdios. Abrindo portas em outros mercados, estabelecendo parcerias com gente legal”, conta a atriz, que emprega na casa do West Village duas babás brasileiras. Seu filho James, 5 anos, de acordo com o pai coruja, o ator Matthew Broderick, é famoso na vizinhança por falar inglês com perfeito sotaque brasileiro.

SJP é caseira, odeia badalações e cultiva o saudável hábito de fazer graça de si mesma. Uma das cenas mais engraçadas de Sex & the City acontece quando as quatro amigas resolvem recordar os velhos tempos e saem para tomar aquele que era seu drinque favorito – o Cosmopolitan. Em determinado momento elas começam a refletir por que haviam parado de beber seus Cosmos. “Porque todo mundo parou, né, gente?”, dispara Sarah, ou melhor, Carrie.

Para quem acompanhou as andanças de Miss Bradshaw pelo concreto de Manhattan, fica difícil separar a personagem da atriz. Uma sensação que, aliás, não se restringe a SJP. Kristin Davis chega na suíte nas pontas do pés, andando em pulinhos exatamente como Charlotte em seus momentos mais enervantes. Cynthia Nixon é objetiva como sua Miranda. “Andaram dizendo que eu iria me casar com minha namorada no fim do ano. Acho ótimo poder desmentir isso. Assim posso mencionar que não, em Nova Iorque, nós, homossexuais, não temos o direito de nos casar. Ah, se eu pudesse!”, diz, com um sorriso desconcertante. Apenas Kim Catrall, a Samantha, parece mais uma senhora elegante de 50 anos do que a esfuziante predadora da série da HBO. Foram suas exigências – de um cachê maior e de maior controle criativo sobre sua personagem – que reportadamente levaram o filme (gestado por SJP desde o fim da série) a demorar quatro anos para sair do forno. Coincidentemente, Samantha é o membro do quarteto que tem um final mais singular na nova trama, destoante das outras três ‘meninas’.

O foco principal, claro, é em Carrie, que se vê novamente às voltas com as idiossincrasias de Mr.Big. Desta vez, ele parece ter se superado, criando tamanho trauma que obriga as meninas a uma viagem de recuperação, no distante México. Na volta à cidade querida, a jornalista contrata uma assistente vivida pela dreamgirl Jennifer Hudson. Vencedora do Oscar de melhor atriz-coadjuvante em sua estréia no cinema, Hudson diz que SJP se transformou em uma espécie de ‘mentora’ para ela. “Quando cheguei no set, ela, que é uma figuraça, vivia me pedindo para eu cantar o tempo todo. Até que um dia tomei coragem e disse que não, eu não era uma jukebox, e nos acabamos de tanto rir”, diz.

O segredo por detrás da mística de SJP parece vir mesmo de sua capacidade de interagir com seu interlocutor, com seu público, com o outro. É este também o tema central do filme: encontrar na capacidade de se perdoar o parceiro o significado exato do ato amoroso. Chris Noth, que vive Mr. Big, diz que o filme é quase uma extensão de sua amiga SJP: “Quando a gente se conheceu, na leitura dos textos no primeiro ano da série, comecei a balbuciar as músicas de Sweeney Todd entre um intervalo e outro. Sou fã de Sonsheim e Sarah, que é uma primorosa atriz de musicais, me acompanhou de primeira. Foi conexão imediata! Eu a chamo carinhosamente de ‘meu pequeno verme’. E costumo dizer que ela é o meu céu azul e límpido. É que ela diz que sou um rio turbulento e escuro. Eu concordo, e ela vai me ajudando a clarear as águas enquanto o dia passa. Ela sabe, como poucos, exatamente quem eu sou. É isso: SJP tem este dom de te decifrar”.

Bo Diddley

Lá se foi Bo Diddley, o xerife da música popular norte-americana. Um dos criadores do que chamamos de rock'n'roll, Diddley foi a trilha musical de muitas tardes deliciosas que passamos, Will e eu, trabalhando em nosso estúdio na Almirante Tamandaré, no Flamengo. Volta e meia ele entrava em nossa seleção musical - sempre gostamos de trabalhar juntos e ouvindo música sem parar - com sua batida de guitarra única. O NYT deu hoje em primeira-página um de seus mais belos necrológios, que reproduzo aqui embaixo enquanto cozinho um galeto ao alecrim com batatas ao forno e escuto Bo Diddley is a Gunslinger no último volume.

Bo Diddley, Who Gave Rock His Beat, Dies at 79
By BEN RATLIFF

Bo Diddley, a singer and guitarist who invented his own name, his own guitars, his own beat and, with a handful of other musical pioneers, rock ’n’ roll itself, died Monday at his home in Archer, Fla. He was 79.
The cause was heart failure, a spokeswoman, Susan Clary, said.

Mr. Diddley had a heart attack last August, only months after suffering a stroke while touring in Iowa.
In the 1950s, as a founder of rock ’n’ roll, Mr. Diddley — along with Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis and a few others — helped to reshape the sound of popular music worldwide, building on the templates of blues, Southern gospel, R&B and postwar black American vernacular culture. His original style of rhythm and blues influenced generations of musicians. And his Bo Diddley syncopated beat — three strokes/rest/two strokes — became a stock rhythm of rock ’n’ roll. It can be found in Buddy Holly’s “Not Fade Away,” Johnny Otis’s “Willie and the Hand Jive,” the Who’s “Magic Bus,” Bruce Springsteen’s “She’s the One” and U2’s “Desire,” among hundreds of other songs. Yet the rhythm was only one element of his best records.

In songs like “Bo Diddley,” “Who Do You Love,” “Mona,” “Crackin’ Up,” “Say, Man,” “Ride On Josephine” and “Road Runner,” his booming voice was loaded up with echo and his guitar work came with distortion and a novel bubbling tremolo.

The songs were knowing, wisecracking and full of slang, mother wit and sexual cockiness. They were both playful and radical.
So were his live performances: trancelike ruckuses instigated by a large man with a strange-looking guitar.

It was square and he designed it himself, long before custom guitar shapes became commonplace in rock.
Mr. Diddley was a wild performer: jumping, lurching, balancing on his toes and shaking his knees as he wrestled with his instrument, sometimes playing it above his head. Elvis Presley, it has long been supposed, borrowed from Mr. Diddley’s stage moves; Jimi Hendrix, too.

Still, for all his fame, Mr. Diddley felt that his standing as a father of rock ’n’ roll was never properly acknowledged. It frustrated him that he could never earn royalties from the songs of others who had borrowed his beat.
“I opened the door for a lot of people, and they just ran through and left me holding the knob,” he told The New York Times in 2003.

He was a hero to those who had learned from him, including the Rolling Stones and the Beatles. A generation later, he became a model of originality to punk or post-punk bands like the Clash and the Fall. In 1979 Joe Strummer and Paul Simonon of the Clash asked that Mr. Diddley open for them on the band’s first American tour. “I can’t look at him without my mouth falling open,” Mr. Strummer, star-struck, said during the tour.

For his part Mr. Diddley had no misgivings about facing a skeptical audience. “You cannot say what people are gonna like or not gonna like,” he explained later to the biographer George R. White. “You have to stick it out there and find out! If they taste it, and they like the way it tastes, you can bet they’ll eat some of it!”
Mr. Diddley was born Otha Ellas Bates in McComb, Miss., a small city about 15 miles from the Louisiana border.

He was reared primarily by Gussie McDaniel, the first cousin of his mother, Esther Wilson. After the death of her husband, Ms. McDaniel, who had three children of her own, took the family to Chicago, where young Otha’s name was changed to Ellas B. McDaniel. Gussie McDaniel became his legal guardian and sent him to school.
He was 6 when the family resettled on Chicago’s South Side.

He described his youth as one of school, church, trouble with street toughs and playing the violin for both band and orchestra, under the tutelage of O. W. Frederick, a prominent music teacher at the Ebenezer Baptist Church, where Gussie McDaniel taught Sunday school. Ellas studied classical violin from 7 to 15 and started on guitar at 12, when a family member gave him an acoustic model.
He then enrolled at Foster Vocational School, where he built a guitar as well as a violin and an upright bass. But he dropped out before graduating. Instead, with guitar in hand, he began performing in a duo with his friend Roosevelt Jackson, who played the washtub bass.

The group became a trio when they added another guitarist, Jody Williams, then a quartet when they added a harmonica player, Billy Boy Arnold.
The band, first called the Hipsters and then the Langley Avenue Jive Cats, started playing at the Maxwell Street open-air market. They were sometimes joined by another friend, Samuel Daniel, known as Sandman because of the shuffling rhythms he made with his feet on a wooden board sprinkled with sand.

Mr. Diddley could not make a living playing with the Jive Cats in the early days, so he found jobs where he could: at a grocery store, a picture-frame factory, a blacktop company. He worked as an elevator operator and a meat packer. He also started boxing, hoping to turn professional.
In 1954 Mr. Diddley made a demonstration recording with his band, which now included Jerome Green on maracas. Phil and Leonard Chess of Chess Records liked the demo, especially Mr. Diddley’s tremolo on the guitar, a sound that seemed to slosh around like water. They saw it as a promising novelty and encouraged the group to return. By Billy Boy Arnold’s account, the next day, as the band and the men who were soon to be their producers were setting up for a rehearsal, they were idly casting about for a stage name for Ellas McDaniel when Mr. Arnold thought of Bo Diddley.

The name described a “bow-legged guy, a comical-looking guy,” Mr. Arnold said, as quoted by Mr. White in his 1995 biography, “Bo Diddley: Living Legend.”
That may be all there is to tell about the name, except for the fact that a certain one-string guitar — native to the Mississippi Delta, often homemade, in which a length of wire is stretched between two nails in a board — is called a diddley bow. By his account, however, Mr. Diddley had never played one. In any case, Otha Ellas McDaniel had a new name and the title of a new song, whose lyrics began, “Bo Diddley bought his babe a diamond ring.” “Bo Diddley” became the A side of his first single, in 1955, on the Checker label, a subsidiary of Chess. It reached No. 2 on the Billboard singles chart. Mr. Diddley said he had first heard the “Bo Diddley beat” — three-stroke/rest/two-stroke, or bomp-ba-domp-ba-domp, ba-domp-domp — in a church in Chicago.

But variations of it were in the air. The children’s game hambone used a similar rhythm, and so did the ditty that goes “shave and a haircut, two bits.”
The beat is also related to the Afro-Cuban clave, which had been popularized at the time by the New Orleans mambo carnival song “Jock-A-Mo,” recorded by Sugar Boy Crawford in 1953. Whatever the source, Mr. Diddley felt the beat’s power. In early songs like “Bo Diddley” and “Pretty Thing,” he arranged the rhythm for tom-toms, guitar, maracas and voice, with no cymbals and no bass. (Also arranged in his signature rhythm was the eerie “Mona,” a song of praise he wrote for a 45-year-old exotic dancer who worked at the Flame Show Bar in Detroit; this song became the template for Buddy Holly’s “Not Fade Away.”)

Appearing on “The Ed Sullivan Show” in 1955, Mr. Diddley was asked to play “Sixteen Tons,” the song popularized by Tennessee Ernie Ford. Without telling Mr. Sullivan, he played “Bo Diddley” instead. Afterward, in an off-camera confrontation, Mr. Sullivan told him that he would never work in television again. Mr. Diddley did not play again on a network show for 10 years. For decades Mr. Diddley was bitter about his relationship with the Chess family, whom he accused of withholding money owed to him. In her book “Spinning Blues Into Gold,” Nadine Cohodas quoted Marshall Chess, Leonard’s son, as saying, “What’s missing from Bo’s version of events is all the gimmes.” Mr. Diddley would borrow so heavily against projected royalties, Mr. Chess said, that not much was left over in the final accounting.

Mr. Diddley’s watery tremolo effect, from 1955 onward, came from one of the first effects boxes to be manufactured for guitars: the DeArmond Model 60 Tremolo Control. But Mr. Diddley contended that he had already built something similar himself, with automobile parts and an alarm-clock spring.
His first trademark guitar was also handmade: he took the neck and the circuitry off a Gretsch guitar and connected it to a square body he had built. In 1958 he asked Gretsch to make him a better one to the same specifications. Gretsch made it as a limited-edition guitar called “Big B.”

On songs like “Who Do You Love,” his guitar style — bright chicken-scratch rhythm patterns on a few strings at a time — was an extension of his early violin playing, he said.
“My technique comes from bowing the violin, that fast wrist action,” he told Mr. White, explaining that his fingers were too big to move around easily. Rather than fingering the fretboard, Mr. Diddley said, he tuned the guitar to an open E and moved a single finger up and down to create chords.

As his fame rose, his personal life grew complicated. His first marriage, at 18, to Louise Woolingham, lasted less than a year. His second marriage, in 1949, to Ethel Smith, unraveled in the late 1950s. He then moved from Chicago to Washington, settling in the Mount Pleasant district, where he built a studio in his home.
Separated from his wife, he was performing in Birmingham, Ala., when, backstage, he met a young door-to-door magazine saleswoman named Kay Reynolds, a fan, who was 15 and white. They moved in together in short order and were soon married, in spite of Southern taboos against intermarriage.

During the late 1950s Mr. Diddley’s band featured a female guitarist, Peggy Jones (stage-named Lady Bo), at a time when there were scarcely any women in rock. She was replaced by Norma-Jean Wofford, whom Mr. Diddley called the Duchess. He pretended she was his sister, he said, to be in a better position to protect her on the road.


The early 1960s were low times. Chess, searching for a hit, had Mr. Diddley make albums to capitalize on the twist dance craze, as Chubby Checker had done, and on the surf music of the Beach Boys. But soon a foreign market for his earlier music began to grow, thanks in large part to the Rolling Stones, a newly popular band that was regularly playing several of his songs in its concerts. It paved the way for Mr. Diddley’s successful tour of Britain in the fall of 1963, performing with the Everly Brothers, Little Richard and the Rolling Stones, the opening act.
But Mr. Diddley was not willing to move to Europe, and in America the picture worsened: the Beatles, the Stones, Bob Dylan and the Byrds quickly made him sound quaint. When work all but dried up, Mr. Diddley moved to New Mexico in the early 1970s and became a deputy sheriff in the town of Los Lunas.

With his sound updated to resemble hard rock and soul, he continued to make albums for Chess until his contract expired in 1974.
His recording career never picked up after that, despite flirtations with synthesizers, religious rock and hip-hop. But he continued apace as a performer and public figure, popping up in places both obvious, like rock ’n’ roll nostalgia revues, and not so obvious: a Nike advertisement, the film “Trading Places” with Eddie Murphy, the 1979 tour with the Clash, and inaugural balls for two presidents, George H. W. Bush and Bill Clinton.

His last recording was the 1996 album “A Man Amongst Men” (Code Blue/Atlantic), which was nominated for a Grammy. He was inducted into the Rock and Roll Hall of Fame in 1987 and in 1998 was inducted into the National Academy of Recording Arts and Sciences Hall of Fame as a musician of lasting historical importance.
Since the early 1980s Mr. Diddley had lived in Archer, Fla., near Gainesville, where he owned 76 acres and a recording studio. His passions were fishing and old cars, including a 1969 purple Cadillac hearse.

The last of Mr. Diddley’s marriages was to Sylvia Paiz, in 1992; his spokeswoman, Ms. Clary, said they were no longer married. His survivors include his children, Evelyn Kelly, Ellas A. McDaniel, Tammi D. McDaniel and Terri Lynn McDaniel; a brother, the Rev. Kenneth Haynes; and 15 grandchildren, 15 great-grandchildren and three great-great-grandchildren.
Mr. Diddley attributed his longevity to abstinence from drugs and drinking, but in recent years he had suffered from diabetes. After a concert in Council Bluffs, Iowa, on May 13, 2007, he had a stroke and was taken to Creighton University Medical Center in Omaha. On Aug. 28 he suffered a heart attack in Gainesville and was hospitalized. Mr. Diddley always believed that he and Chuck Berry had started rock ’n’ roll, and the fact that he couldn’t financially reap all that he had sowed made him a deeply suspicious man. “I tell musicians, ‘Don’t trust nobody but your mama,’ ” he said in an interview with Rolling Stone magazine in 2005. “And even then, look at her real good.”

Gente Nervosinha

Esta é uma homenagem aos que acompanham, como eu, por força da profissão, o jornalismo televisivo norte-americano. O compêndio de ataques nervosos - à direita e à esquerda do monitor - é hilário. E dá uma pista do nível do tele-jornalismo diário (há muitas exceções, claro) por aqui.

segunda-feira, junho 02, 2008

Como Se Perde Uma Eleição

A Vanity Fair de julho - que chega nesta sexta-feira na casa dos assinantes e em mais alguns dias nas bancas de todo o país - traz uma bombástica reportagem assinada por Todd Purdum, que durante anos comandou o escritório do NYT em Los Angeles e, não por acaso, é casado com Dee Dee Myers, ex-assessora de imprensa de Bill Clinton. A reportagem - com aspas de um punhado de assessores dos dois Clinton - conta como o 'cavernoso narcisismo' do ex-presidente ajudou a candidatura Obama decolar.

De acordo com a revista, o senador Ted Kennedy, por exemplo, não agüentava mais as pressões nada discretas de Hllary e Bill para que ele anunciasse seu apoio às aspirações presidenciais da senadora de Nova Iorque. Quando Bill percebeu a hesitação do 'leão de Massachusetts', inciou, de forma insistente, debates sobre o 'quão ruim' Obama era como candidato. A tática teria feito com que Ted Kennedy anunciasse ainda mais rapidamente seu apoio público a Obama.

Alguns assessores de Bill Clinton contam na reportagem que dois amigos, o bilionário playboy Ron Burkle e o produtor de Hollywood Steve Bing, são as piores companhias do ex-presidente, levando-o para festas mais do que suspeitas. Há um ano e meio alguns assessores tentaram comandar uma 'intervenção' para evitar que o presidente 'continuasse vendo um monte de garotas durante suas viagens'. Pois é - o velho filme parece se repetir.

A assessoria de Bill Clinton anunciou que negava as especulações e denunciou a reportagem de Todd Purdum como uma 'peça de ataque'. Enquanto isso, espera-se para amanhã ou, no mais tardar, quarta-feira, o anúncio de desistência da candidatura Hillary Clinton. Fontes próximas à ex-primeira-dama dizem que ela deve encerrar a campanha com um discurso aqui em Nova Iorque, onde celebrará os mais de 17 milhões de votos que recebeu nas primárias. Nada se diz sobre um apoio oficial a Obama. Será que os democratas vão se recuperar de tantas chagas a tempo de enfrentar a candidatura cada vez mais fortalecida do vovô do Arizona? 

quarta-feira, maio 28, 2008

Mãos-de-Vaca em NYC


Está hoje na página de turismo do portal Terra minha conversa com os autores do Guia Nova York para Mãos-de-Vaca, os simpaticíssimos Henry e Denise. A idéia é muito boa, e estes dois jovens brasileiros descobriram um belo nicho - um guia turístico para quem sonha em vir a NYC mas não quer gastar os tubos na cidade. Ó só:


Guia turístico dá dicas para "mãos-de-vaca"
Eduardo Graça, direto de Nova York

Quem disse que é preciso juntar muito dinheiro para aproveitar Nova York? Os namorados Henry Alfred Bugalho, 27 anos, e Denise Nappi, 26 anos, tiveram a idéia de escrever o Guia NY Para Mãos-de-Vaca depois de perceberem que muitos amigos deixavam para lá o sonho de viajar à "capital informal do planeta" por conta dos preços de hospedagem, passagem e alimentação na cidade, sem falar nas entradas para atrações turísticas e espetáculos na cidade que nunca dorme.

Depois de seis meses na cidade, eles perceberam que o que faltava para os amigos era um compêndio de dicas caprichadas. Foi assim que Henry - com a ajuda providencial de Denise, que diz "adorar xeretar tudo" - começou a publicar um blog apresentando uma cidade tão barata quanto divertida, ao alcance do turista brasileiro mais consciencioso. Logo, o blog virou uma comunidade no Orkut e um guia que, em português ao menos, é produto singularíssimo no mercado turístico internacional. "Este não é um guia apenas para os pão-duros ou para mochileiros. Ele também é voltado para os que têm um objetivo muito específico, como comprar produtos eletrônicos ou de informática e que querem aproveitar a cidade sem esbanjar. Ou seja, para quem quer ser inteligente na hora de manejar os gastos em uma viagem para NY", diz Henry.

A dupla, que vive no East Harlem e abriu a empresa Dog Care, dedicada ao dog walking (ou seja, passeiam com cachorros dos moradores da cidade quando estes não podem agradar os bichanos), lembra que no início tudo foi tão complicado que um belo dia eles se viram com US$ 7 no bolso para passar um dia na cidade. Foi aí que descobriram as lojas de US$ 0,99 e perceberam que o perrengue poderia se transformar em um bom conselho para turistas interessados em viver a NY de verdade, com menos fantasia mas sem perder o encanto jamais.

As dicas começaram a pipocar. Compre passagem sempre com antecedência e lembre que os vôos mais baratos são os da Japan Airlines (mas eles só vendem por telefone e em São Paulo), que segue para Tóquio, ou os da Copa Airlines (estas saem até por menos de US$ 500, mas há a parada de um dia no aeroporto da Cidade do Panamá). Ainda há a opção de se viajar de ônibus até Manaus (haja disposição para os que saírem do sul do País) e voar de lá pela TAM, lembra Denise.

Entre as diversões gratuitas mais pitorescas estão, por exemplo, a dos astros de Hollywood dando sopa filmando nas ruas da cidade (para descobrir as filmagens do dia basta fuçar a Internet, de graça, em uma das três Apple Stores da cidade, que, além de belíssimas, funcionam como o internet-café gratuito do novo milênio).

O guia também oferece dicas práticas como uma tabela de gorjetas (para motoristas de táxi e também garçons) e uma seleção de lojas barateiras para sacoleira nenhuma botar defeito. "A cidade é repleta de brechós sensacionais. Meu favorito chama-se Housing Works e fica na Rua 23. Lá comprei um casaco da Banana Republic por US$ 7,50 tão novo que a etiqueta original, de US$ 180, ainda não havia sido retirada. Também achei um livro de capa-dura de US$ 230 que o Henry queria, em ótimo estado, por US$ 1. E uma bota linda do Alexandre Herchcovitch, de US$ 250, por US$ 20", conta Denise.

Mas pergunte a qualquer turista interessado em passar alguns dias em NY e a resposta será a mesma - o gasto mais assustador é sempre com a acomodação. Os hotéis da cidade - mesmo os mais baratos - costumam cobrar em média US$ 100 por noite. Pois os mãos-de-vaca garantem que a solução são os Hostels, mais voltados para um público jovem. A rede de hotéis Jazz oferece a opção mais barata da cidade: o Jazz on Lennox, na Rua 128, no coração do Harlem, onde se dorme em um quarto com beliches e banheiro compartilhado por módicos US$ 15. Reservas podem ser feitas no site do hotel (http://www.jazzhostels.com/jazzonthelenox.php). O valor da diária ainda é dos tempos em que o bairro era considerado um dos mais perigosos de Manhattan. Hoje é um dos mais valorizados da cidade, a passos do Central Park e com suas brownstones (casas históricas, erguidas em sua maioria na segunda metade do século XIX) vendidas em média por US$ 1 milhão.

Talvez parte do segredo do sucesso do Guia NY Para Mãos-de-Vaca deve-se ao fato de Henry e Denise serem dois típicos jovens brasileiros da geração ano 2000. Eles se conheceram pela web (ela trabalhava na Varig e ele em uma livraria em Curitiba), resolveram vencer na América juntos e vivem muito bem no mundo da economia informal nova-iorquina. A hora do passeio com os cachorros sai por US$ 25. O guia é um sucesso de vendas em uma editora virtual (ou seja, os gastos de produção são mínimos) e os meninos continuam felizes descobridores de mais e mais atrações boas e baratas na cidade que já chamam de sua. "Não sabemos o que virá pela frente, mas ainda sonhamos em fazer um Guia Buenos Aires, um Madri, e, o maior desafio de todos, um Londres para Mãos-De-Vaca", conta Denise.

Dez dicas imperdíveis para mãos-de-vaca em NY

1. Jack's 99 Midtown
Localizada na Rua 32 entre a Sexta e a Sétima Avenidas, é, com seus três andares, a melhor loja das muitas redes dedicadas a produtos com valores inferiores a US$ 1 espalhadas pela cidade. Os interessados em um piquenique no Central Park encontram queijos dos mais variados sabores e nacionalidades, pãezinhos artesanais e até sanduíches prontos para os mais preguiçosos. Tudo a menos de US$ 1.

2. Metrocard
Marinheiros de primeira-viagem desconhecem as vantagens de se comprar um Metrocard (em se chegando via aeroporto JFK, pode-se comprar na estação do Air Train), que vale para o metrô e para o ônibus em toda a cidade. Como cada viagem custa US$ 2, o mão-de-vaca profissional deve estudar as vantagens de se comprar um passe diário (por US$ 7,50), semanal (por US$ 25) ou o válido por 15 dias (por US$ 47). E nunca, jamais, usar os táxis da cidade, cada vez mais caros por conta da alta do preço da gasolina.

3. Barca de Staten Island
Um dos passeios mais bonitos da cidade é completamente gratuito. Pega-se a barca para Staten Island no sul da ilha de Manhattan, perto de Battery Park. A vista é magnífica: as luzes dos arranha-céus do Distrito Financeiro, a Estátua da Liberdade, Ellis Island, aonde chegavam os turistas de toda a costa do Brooklyn com as pontes de Manhattan, Williamsburg e Brooklyn ao norte. A viagem é rápida - menos de 25 minutos - confortável e ainda é possível ver alguns dos mais famosos cartões-postais da cidade sem gastar um tostão.

4. Metropolitan Museum
É o mais famoso museu da uma cidade. E, embora muitos turistas não saibam, tem uma política clara para atrair visitantes de todas as classes sociais do mundo todo - aqui, paga-se quanto pode. O Metropolitan sugere que se pague US$ 20, mas ninguém vai chamá-lo de mão-de-vaca se você desembolsar US$ 1 para conferir o sensacional acervo do museu.

5. Broadway + e-bay
É a parceria mais explosiva para os turistas da cidade. Quer ver o musical-sensação Wicked, cujos ingressos oficiais saem por US$ 255? Entre no e-bay e compre seu tíquete por US$ 16,95, uma economia de mais de 90%. Importante: o e-bay entrega o tíquete em casa e é severamente monitorado por órgãos de defesa do consumidor, garantindo a seriedade do negócio. Na comunidade Orkut dos Mãos-de-Vaca, os quase 800 usuários colocam regularmente cupons de desconto para musicais da Broadway que podem ser usados por novos viajantes em um sistema de trocas tão democrático quanto econômico.

6. Wendy's
Os criadores do Guia NY Para Mãos-de-Vaca não têm nenhuma ligação comercial com esta rede de fast-food. Eles simplesmente recomendam por conta da relação valor/sabor. Por US$ 1,29 compra-se uma batata assada de primeira, e por US$ 3 acrescenta-se ao prato uma cobertura de chilli e um refrigerante. Os menos ousados têm ainda a opção da Ceasar Salad, por US$ 1.

7. MoMA
O museu mais caro da cidade (a entrada, obrigatória, sai por US$ 20) é também a casa do acervo mais impressionante de arte moderna e contemporânea do planeta. E, graças a uma parceria com a loja Target, oferece entrada gratuita todas as sextas-feiras a partir das 16h (e até às 20h). É só agendar bem a viagem e guardar um fim de tarde de sexta-feira para o museu.

8. Museu de História Natural
Aqui o jogo é o mesmo do Metropolitan, com a admissão para o acervo permanente ficando a cargo do visitante. O passeio é especialmente indicado para os casais com crianças, que vão adorar os animais empalhados, os dinossauros e as salas dedicadas aos continentes. De novo, mão-de-vaca profissional desembolsa apenas US$ 1 para passear pelo museu.

9. Century 21
Vir a NY e não se render a compras é como ir a Roma e não ver o Papa. Dentre as muitas opções oferecidas pela cidade, a loja de departamentos Century 21 é a que oferece um pacote de sete meias por US$ 5, toalha de banho Calvin Klein por US$ 2 e tênis Nike por US$ 30. A loja fica na 22 Cortland Street, no sul da ilha.

10. Manhattan Mall
Localizado na Rua 34, no encontro da Broadway com a Sexta Avenida, é o paraíso das sacoleiras mais estilosas. Aqui elas podem comprar as coleções da Steve &Berry¿s (incluindo a linha da atriz Sarah Jéssica Parker), a linha mais esportiva da tenista Venus Williams e os tênis Starbury, todas peças na faixa de US$ 8. Nada na loja ultrapassa os US$ 20.
Serviço:
O Guia NY Para Mãos-de-Vaca pode ser comprado por R$ 11,99 no site www.maosdevaca.com.

domingo, maio 25, 2008

CARTA CAPITAL/O Teste de Obama

A Carta Capital desta semana sai com reportagem minha sobre os desafios que o senador Barack Obama enfrenta agora que é quase certa sua escolha pelo Partido Democrata para disputar a presidência dos EUA contra o republicano John McCain. Conversei com o cientista político Frederick C. Harris, da Universidade de Columbia, também negro, diretor de um dos centros de estudos políticos mais prestigiados do país. Ele me disse que a imagem da sociedade pós-racial defendida por Obama funciona mais para o cenário internacional do que para a realidade do dia-a-dia dos afro-americanos aqui nos EUA.

A reportagem segue abaixo:


O TESTE DE OBAMA
Por Eduardo Graça, de Nova Iorque


Cada vez mais perto de ser indicado a candidato democrata, o senador ainda precisa mostrar que é capaz de vencer a eleição



A escolha, pelo senador Barack Obama, da pequena Des Moines, no Meio-Oeste americano, para a celebração da conquista da maioria dos delegados estaduais à convenção nacional do Partido Democrata não foi apenas uma rendição ao simbolismo político. Sim, foi na capital de Iowa, em janeiro, que ele iniciou sua impressionante corrida à Casa Branca. Mas, ainda mais importante, lá ele recebeu mais de um terço dos votos dos eleitores brancos de classe média baixa, o que não se repetiu nos quatro meses seguintes. Detalhe: mais da metade desses eleitores em estados-chave para a vitória da oposição afirmaram, em pesquisas de boca-de-urna, logo após optarem por Hillary Clinton, que votarão em John McCain contra Obama em 4 de novembro.


Para o comando do Partido Democrata, o jogo de xadrez de 2008 está ficando cada vez mais complicado. Quanto mais Obama e sua mensagem de mudança ganham os setores progressistas do partido e parte do establishment, mais nebulosas ficam as perspectivas de vitória em um pleito com características únicas, aparentemente favoráveis à oposição.

“Não se iludam. As eleições deste ano serão disputadíssimas. Aqui interessa mais o colégio eleitoral do que o voto popular. E Barack Obama terá muitos problemas para vencer em estados importantíssimos, os que definem de fato quem chegará à Presidência, como Ohio e Pensilvânia, onde os eleitores são sensíveis à questão racial e foram afetados pela campanha que tenta caracterizá-lo como menos patriota do que Hillary ou McCain”, diz o professor Frederick C. Harris, diretor do Centro de Estudos de Política e de Sociedade Afro-Americanas da Universidade de Colúmbia.

Na quinta-feira 22, o Instituto Rasmussen anunciou nova pesquisa nacional na qual McCain tem 46% da preferência dos norte-americanos ante 42% de Obama. “Há todo um discurso sobre a sociedade pós-racial, que não levaria mais em conta a cor do indivíduo, que não se respalda na realidade. A candidatura Obama, assim como outras conquistas simbólicas dos negros nos EUA, são mais importantes em termos internacionais, exportando a idéia de que aqui há espaço para as minorias, inclusive os afro-americanos. Mas enquanto ainda tivermos a desigualdade social escancarada entre negros e brancos, o tratamento diferenciado pela polícia e a concentração de negros vivendo em conjuntos habitacionais país afora, esses símbolos têm um efeito menor quando pensamos na modificação das relações entre os diferentes grupos que formam os EUA”, diz Harris.

Políticos negros que chegaram às prefeituras de grandes metrópoles norte-americanas como David Dinkins, em Nova York, e Harold Washington, em Chicago, jamais conseguiram o apoio da classe média branca, especialmente de comunidades mais fechadas, como a de descendentes de italianos e poloneses, base do Partido Democrata nas duas cidades. Nos rincões do país, a barreira é ainda maior. E a decisão de Hillary Clinton de seguir em campanha apesar de suas chances diminutas de conquistar a indicação à Presidência na convenção de agosto não ajudam Obama.

Na terça 20, a senadora de Nova York recebeu 65% dos votos dos eleitores do estado sulista do Kentucky, uma repetição do que aconteceu na semana passada na Virgínia Ocidental. Mais de 50% deles avisaram que ou ficarão em casa ou votarão em McCain em novembro se Obama for o candidato. E o mesmo número considerava “importante” a ligação entre o candidato negro e o pastor Jeremiah Wright, visto como radical por boa parte da opinião pública e mídia nos EUA. Em meio século, nenhum democrata chegou à Casa Branca sem vencer na Virgínia Ocidental, incluindo Bill Clinton.

A vice-presidente na chapa de Dukakis, a primeira mulher indicada ao posto por um dos dois partidos majoritários, Geraldine Ferraro, acusou o senador Obama de “sexista” e anunciou que não votará nele para presidente em novembro. Em anúncio de página inteira nos jornais mais influentes do país, o grupo WomenCount pregava a necessidade de Hillary Clinton continuar na disputa até “o último voto ser contado”, para além das três derradeiras primárias, em junho, até a convenção de agosto. Pelas regras do Partido Democrata, além dos delegados eleitos em cada estado, um colégio à parte, formado por superdelegados (caciques políticos e detentores de postos eletivos) unge o candidato à Presidência. Obama lidera nos dois flancos, mas matematicamente Hillary ainda pode virar o jogo se conseguir 70% dos superdelegados que ainda não se comprometeram com candidato algum. Entre eles estão importantes formadores de opinião, como o ex-vice-presidente Al Gore, o ex-presidente Jimmy Carter e Nancy Pelosi, que detém um cargo que no Brasil seria o equivalente ao de presidente da Câmara dos Deputados.

Os Clinton apostam as fichas na reunião da cúpula do partido – que ainda pende para ela – no próximo fim de semana, para decidir se dois estados em que ela foi vitoriosa no voto popular por larga margem – Flórida e Michigan – entrarão na contagem final de votos. Como alteraram suas datas de votação sem permissão do partido, os estados foram punidos e seus pleitos considerados nulos. Obama não fez campanha na Flórida e nem sequer teve seu nome na cédula oficial em Michigan. O problema é que o comparecimento eleitoral foi massivo e pró-Hillary. Se considerados os eleitores dos dois estados, a senadora fica à frente no voto popular e cresce de importância o seu argumento de que é a candidata mais forte para enfrentar McCain.

Enquanto os democratas parecem se unir apenas nos discursos emocionados em apoio ao senador Ted Kennedy, um dos maiores símbolos do partido, diagnosticado com câncer no cérebro, McCain ri sozinho. O senador participou recentemente do programa Saturday Night Live e implorou a Hillary Clinton que “continue na disputa até o último segundo”. Ao mesmo tempo, iniciou uma série de duros ataques contra Obama, tentando transferir a discussão nacional da economia para a segurança nacional e a política externa.

Em um discurso voltado à comunidade cubana na Flórida, McCain garantiu que continuará o bloqueio econômico a Cuba e pinçou o que seria sua política para a América Latina, com uma presença ainda maior na Colômbia. Também insinuou que somente a inexperiência de Obama poderia justificar sua decisão de iniciar um processo de distensão com “a ditadura dos Castro” e de suspensão da Lei Helms-Burton, que proíbe o comércio entre EUA e Cuba.

A propaganda do Partido Republicano acusa o senador negro de antipatriota e usa uma declaração de sua mulher, Michelle Obama, como prova. A advogada disse, em emocionado discurso depois da histórica vitória do marido em Iowa, que, “pela primeira vez, sentira orgulho de ser norte-americana”. A reação foi imediata, com o candidato dizendo que “não admitiria ataques à sua mulher”, enquanto seus estrategistas denunciavam a relação íntima de McCain com lobistas e a recusa de sua mulher, Cindy, de tornar pública, como fizeram Obama e Michelle, sua declaração de imposto de renda, alimentando rumores de que ela teria investimentos ligados ao governo autoritário do Sudão.

Cindy McCain é a milionária herdeira de uma das maiores distribuidoras de bebidas do país. Obama também alertou que a eleição de McCain seria a continuação do governo Bush, seguindo uma política externa truculenta e unilateral, e comandada por um presidente ainda mais militarista do que o ex-governador do Texas. Trincheiras estabelecidas, candidatos quase definidos, a batalha pela Casa Branca parece mais quente do que nunca.

sexta-feira, maio 23, 2008

O Sonho da Revolução Verde-e-Vermelha nos EUA

Saiu hoje no caderno Eu&Cultura, do jornal Valor Econômico, meu texto sobre a explosão do mercado de trabalho relacionado à energia sustentável e à ecologia aqui nos EUA. Também fiz uma retranca sobre a situação brasileira.

Os colarinhos-verdes
Por Eduardo Graça, para o Valor, de Nova York
23/05/2008

Eles aparecem em todos os programas dos candidatos à Casa Branca e são considerados estratégicos pelos democratas. São os trabalhadores de colarinho-verde - variante do colarinho-branco dos empresários e do colarinho-azul dos operários -, encontrados nas indústrias de energia renovável, combustíveis alternativos e na construção de prédios ecologicamente corretos. Em dezembro, George W. Bush sancionou o Green Jobs Act, autorizando investimento de US$ 125 milhões para treinamento de trabalhadores interessados em se especializar na área. O alvo dos candidatos é a massa de operários-eleitores que perderam emprego por causa da mão-de-obra mais barata na China e na Índia. Mas a tentativa de ligar o movimento verde à solução de um dos maiores entraves socioeconômicos dos EUA também está mexendo de forma intensa com a inteligência progressista da zona norte do mundo.


Coordenador-geral da Oakland Apollo Alliance, coalizão de ambientalistas, trabalhadores e ativistas políticos voltada para a criação de empregos verdes na área de Oakland (subúrbio operário da Califórnia), Ian Kim participou do lobby que levou Washington a reconhecer a necessidade de investir em especialização para uma área que cresce a olhos vistos, em trabalhos como a instalação de painéis solares, a jardinagem orgânica e a construção verde. "Foi um investimento modesto. Nosso setor precisa de bilhões de recursos para começarmos a combater a pobreza por meio da ampliação do universo do colarinho-verde. Hoje gastamos US$ 1,4 bilhão/ano no Iraque. Parte desse dinheiro poderia estar sendo investida na reorganização de nossa economia", diz Kim, professor de estudos urbanos da Universidade de São Francisco.

Ele sublinha que a importância simbólica do Green Jobs Act, no entanto, é inegável. De acordo com estimativas da Sociedade de Energia Solar Americana (Ases), a atual força de trabalho de 8,5 milhões de colarinhos-verdes deve chegar a 40 milhões em 2030. Um estudo da Cleantech Network, especializada em investimento verde, mostra que para cada US$ 100 milhões investidos, criam-se hoje 250 mil novos postos de trabalho nos EUA. Em 2007, apenas na Califórnia, corporações privadas investiram US$ 654 milhões na criação de 33 painéis solares (ante US$ 253 milhões em 2006). Não por acaso, uma nova função aparece no mercado: a dos headhunters especializados em empregos de colarinho-verde, como a Green Careers. O Instituto de Tecnologia do Oregon (OIT), por sua vez, acaba de formar o primeiro grupo de 50 estudantes superiores especializados em energias renováveis. Outros cursos semelhantes pipocam país afora, para entusiasmo dos candidatos à Casa Branca, que não querem ver esses postos de trabalho rumarem para a Ásia.

Liderada pelo advogado Van Jones, a Oakland Apollo Alliance foi criada por ativistas sociais e ambientalistas de uma das áreas mais afetadas pela crise da pós-industrialização. Enquanto o Vale do Silício multiplicava fortunas, Oakland amargava índices recordes de desemprego e crime. O mote de Jones é marxista: "Ofereça o trabalho de que mais precisamos para as pessoas que mais precisam de trabalho." Parece simples, mas a união de ecologistas com operários em torno da idéia de que os EUA deveriam acelerar o passo na direção de uma economia limpa, com a criação de milhares de empregos no meio do caminho, levou a discussão da ética verde para além da eco-elite e encontrou surpreendente abrigo nas centrais sindicais mais poderosas do país. "Nosso maior orgulho foi estabelecer essa ligação com os trabalhadores. Se o movimento verde ficar preso aos aspectos comportamentais, estaremos fadados à desimportância", diz Kim.

Ao lado do Sustainable South Bronx, de Nova York, a Apollo Alliance criou a campanha Verde para Todos, que defende o investimento imediato de US$ 1 bilhão do governo federal para deslanchar uma revolução verde-e-vermelha no país, com a capacitação de pelo menos 250 mil trabalhadores no que já é conhecido como o Plano Marshall do século XXI.

A mobilização já começou. Oakland é a primeira cidade dos EUA a contar com um Green Jobs Corps (GJC), voltado para a capacitação de profissionais nas áreas de manufaturas de biocombustíveis e instalação de painéis solares. A prefeitura decidiu investir US$ 250 mil para dar o gatilho no GJC. Na cidade, 13% dos menores de idade vivem abaixo da linha de pobreza. Ao mesmo tempo, o governo local anunciou incentivos fiscais para atrair empresas como a Grid Alternatives, que, desde 2004, já habilitou 1.700 profissionais na prática de instalação de painéis solares. De acordo com a Apollo Alliance, em 2006 foram investidos US$ 2,9 bi no setor, aumento de 80% em relação ao ano anterior.

Uma das figuras políticas mais importantes do país, a democrata Nancy Pelosi, é uma entusiasta da criação de um Green Job Corps nacional. Durante anos a fio compreendido nos EUA como uma subcultura fechada em si mesma, o pensamento ecológico tem conquistado novos espaços desde a exposição dos perigos do aquecimento global e da transformação do ex-vice-presidente Al Gore em apóstolo do crescimento sustentável.


Estimativa mostra que atual força de trabalho de 8,5 milhões de trabalhadores dessa área deve chegar a 40 milhões em 2030


Agora, ativistas ligados a movimentos sociais, como Jones e Kim, começam a dizer sem medo que os trabalhadores precisam ver o verde, também, no bolso. E recebem mais interesse da opinião pública dos verdes mais tradicionais, como o eterno candidato à Presidência pelo Partido Verde, Ralph Nader.

No Brasil, Beto Mesquita, diretor do Instituto BioAtlântica, pensa que a excitação por conta dos empregos de colarinho-verde nos EUA tem tudo para ser repetida no país. "Um dos maiores desafios para a recuperação da Mata Atlântica, por exemplo, é a conciliação da necessidade de ações de restauração florestal com a geração de novas oportunidades de trabalho e renda. A cadeia produtiva da restauração florestal - que inclui atividades como coleta de sementes de espécies nativas, produção de mudas, plantio e manutenção de áreas - apresenta um tremendo potencial de expansão e de profissionalização."

Mesquita lembra que regiões economicamente deprimidas no Brasil, com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), distantes dos grandes parques industriais e com reduzida cobertura florestal nativa, podem se beneficiar de oportunidades relacionadas à recuperação e à preservação dos serviços ambientais das florestas nativas. Ele cita como exemplos a produção e o armazenamento de água, o seqüestro de carbono da atmosfera e a proteção de paisagens naturais, fundamentais para o ecoturismo, segmento da indústria de viagens que mais cresceu no mundo na última década.

Mas nem tudo é consenso. Nos EUA, ambientalistas têm criticado a ligação entre criação de postos de trabalho na área do meio ambiente e diminuição da pobreza e da desigualdade. Acabar com a poluição e com a pobreza da maior economia do globo parece tarefa complexa demais para ser abordada de forma simplista. Gente como Rich Sweeney, da organização Ressources for the Future, pondera que a relação de causa e efeito, quando estabelecida, enfraquece o discurso verde e desvia o foco de um problema completamente diverso das mazelas sociais enfrentadas em países com sociedades desiguais, como os Estados Unidos, ou, em um caso extremo, o Brasil.

Qual seria, afinal, a relação possível entre a adoção de uma política ambiental responsável e o combate à pobreza? "Quem mais sofre com a degradação ambiental são as camadas mais pobres. Também é possível perceber uma tendência de certos setores em relacionar preservação ambiental com pobreza a partir da idéia de que os impactos ambientais graves - e muitos deles perfeitamente evitáveis, com a adoção de tecnologias limpas e sustentáveis - seriam apenas um aspecto inevitável do crescimento econômico", comenta Mesquita.

O diretor do BioAtlântica lembra o estudo feito pelo professor José Augusto Pádua, da Universidade Rural do Rio de Janeiro, apresentando correlação entre altas taxas de desemprego e desmatamento das florestas nativas. "Não é justo atribuir à criação de um parque nacional ou de uma reserva extrativista a função de, além de proteger a natureza, gerar renda e combater a pobreza. Essa combinação de fatores só será possível em situações muito peculiares. Seria a mesma coisa que exigir, como contrapartida e de maneira genérica, que o Bolsa Família fosse também um programa de preservação ambiental."

Ian Kim diz que a experiência vitoriosa de Oakland tem tudo para se repetir em outras cidades economicamente deprimidas, como Detroit. Em todo o Estado de Michigan, um dos berços da hoje enfraquecida indústria automobilística americana, os investimentos têm se concentrado na energia eólica e na construção de turbinas utilizando a mão-de-obra especializada oriunda dos muitos desempregados do parque industrial tradicional, cada vez mais diminuto. Beto Mesquita concorda. E lembra que no Brasil, também, a nova fronteira dos serviços ambientais, especialmente a proteção e a recuperação dos mananciais hídricos e as ações de redução da concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera, aponta claramente para esse novo paradigma. Uma parceria verde-e-vermelha que parece ter chegado para ficar.


Lógica de candidatos americanos mostra-se ineficaz no Brasil


Ao pregar a multiplicação dos empregos do colarinho-verde para combater problemas sociais, Barack Obama, Hillary Clinton e John McCain (um republicano que sempre se diferenciou da maioria de seus pares quando se trata de política ambiental) batem na mesma tecla: a de que é fundamental investir no setor para garantir logo uma "reserva de mercado", ou seja, impedir que esses postos de trabalho migrem para economias emergentes onde a mão-de-obra barata, ainda que especializada, será mais farta.

Curiosamente, o mesmo raciocínio não funciona quando a lógica é aplicada na zona sul do planeta. O pedido de demissão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na semana passada, foi visto pela inteligência liberal do mundo ocidental como peça importante de um quebra-cabeça ainda insolúvel, em que os principais jogadores parecem guiados ora pela necessidade de afirmação da soberania nacional da Amazônia, ora pela sugestão - cada vez mais imperativa - de que a região é um patrimônio de toda a humanidade.

Em reportagem extensa o jornal "The New York Times" considerou medidas propostas recentemente pelo governo brasileiro - como a criação de um visto especial para os estrangeiros interessados em visitar a Amazônia - reflexos de uma certa "paranóia" protecionista que grassaria no país. A saída de Marina Silva, contrária à ânsia desenvolvimentista vista anteriormente com tamanha força apenas no governo de Emílio Garrastazu Médici, ilustraria um aparente paradoxo do governo do PT. Brasília estaria ao mesmo tempo interessada em consolidar sua liderança na discussão de temas fundamentais para a economia verde, como energias alternativas, combate ao efeito estufa e compensação financeira pela preservação da áreas verdes, e em definir a Amazônia como tema unicamente brasileiro.

Do outro lado do Atlântico, o britânico "The Independent" saiu com um superlativo editorial afirmando que a saída de cena da "fada da floresta" era nada menos do que uma ameaça para a sobrevivência do planeta. O texto lembra que quase 25% da emissão de gás carbônico no mundo vem da derrubada das florestas tropicais, ante 14% produzida por carros, aviões e indústrias. E que a queimada de florestas, em um único dia, coloca mais dióxido de carbono na atmosfera do que 8 milhões de pessoas voando entre Londres e Nova York. O jornal sugere o investimento - dividido entre todas as nações do planeta, com exceção do Brasil - de US$ 80 bilhões para a proteção da Amazônia, o que geraria uma multidão de empregos de colarinho-verde no país. Mas, em contra-partida, Brasília concordaria que "essa região do Brasil é importante demais para ficar a cargo apenas dos brasileiros".

Com ou sem a proliferação de postos de trabalho na área verde, a queda-de-braço em torno da Amazônia é cada vez mais protagonista no planejamento estratégico do Brasil dos anos 2000. (EG)

quinta-feira, maio 22, 2008

Eleições 2008: Racismo No Sul dos EUA

Muito boa esta reportagem da Al-Jazeera em inglês sobre a dificuldade de Barack Obama em convencer os norte-americanos brancos de classe média-baixa, especialmente os do sul do país, a apoiarem um candidato negro nas eleições de novembro. Dá o que pensar...

125 Anos de Ponte do Brooklyn



As fotos são do fantástico fotógrafo e querido amigo Fábio Seixo. A ponte é a do Brooklyn, aqui ao lado de casa, que celebra hoje 125 anos. Para mim, disparada, a atração mais bonita da cidade, com vistas de se perder o fôlego.

terça-feira, maio 20, 2008

Os Números de uma Eleição

Mais do que conceitos e propostas, o que impressiona na disputa pelo controle do Império são números, números, números. O ótimo site político Daily Kos recebeu por e-mail, da campanha do senador do Illinois, hoje de noite, um dado mais do que interessante: dos novos doadores à campanha de Obama no mês de abril (200 mil cidadãos), 94% contribuíram menos de US$ 200.

É assim que ele vem revolucionando a maneira de se tornar uma candidatura finaceiramente viável aqui nos EUA, chegando ao total de US$ 31,9 milhões arrecadados no mês passado. Neste exato momento ele conta com US$ 46,5 milhões em caixa. A campanha de Hillary Clinton, que se fixou no velho modelo dos grandes doadores, amarga cerca de US$ 20 milhões...em dívidas.

A primeira-dama, que acaba de vencer a primária do Kentucky graças ao voto dos eleitores mais conservadores, da zona rural do estado sulista, tem justamente na dívida milionária seu ponto mais fraco na tentativa ainda desesperada de conseguir a indicação à presidência.

ENTREVISTA/Stefan Sagmeister


A mais recente edição da revista FLORENSE trouxe o perfil que escrevi sobre o designer gráfico Stefan Sagmeister. Passamos - eu e o fotógrafo Victor Affaro - um fim de tarde de fim de inverno na cobertura do artista austríaco radicado em Nova Iorque desde o fim dos anos 70. O papo foi descontraído e rendeu 4 páginas. Ó só:

Stefan Sagmeister - O Johnny Depp do Design Contemporâneo
Por Eduardo Graça, de Nova York

A primeira reação ao se entrar no estúdio de Stefan Sagmeister, localizado em uma cobertura no Chelsea, é a de que um dos mais importantes designers gráficos do planeta cultua os contrastes como poucos. No primeiro andar, entre uma cozinha-bar e um banheiro, funciona o estúdio de fato. O segundo, a sala de reuniões onde esta entrevista aconteceu, é dominado pelo chandelier pop que Rody Graumans criou para a Droog em 1993. Sagmeister conta que o que chamou sua atenção foi o uso de elementos básicos (fios e muitas, muitas lâmpadas, destas que se compram na lojinha da esquina) para criar um efeito único. O terceiro andar é um paredão aberto ao céu de Nova Iorque, com o Empire State Building ao alcance do nariz. Daqui de cima pode-se até ver a fila de formiguinhas que vai se formando na entrada de um dos pontos turísticos mais populares da cidade.

O designer, que nasceu em Bregenz, na Áustria, e conversa em inglês com um sotaque igualmente forte e gracioso, sabe que o alto design pode ser encontrado no mais ordinário dos meios. Em seu mais recente livro – Things I Have Learned In My Life So Far (algo como Coisas Que Aprendi Em Minha Vida Até Agora, editado pela Abrams, a US$ 40) - ele utiliza papel higiênico, chocolate, fita adesiva, cachorro-quente, entre muitos outros meios nada convencionais, para apresentar mensagens de afirmação. Talvez a mais impactante seja a do macaco inflável, gigantesco, em que se precisa virar a página (ou, na exposição que ele apresentou no começo do ano na Deitch Projects, em Nova Iorque, dar a volta em torno da instalação) para apreender toda a mensagem: “Todos sempre pensam...”, começa, para terminar: “...que estão certos o tempo inteiro”.

Com uma suéter azul-clara, calça de pano azul-escura e um modernoso tênis azul-marinho, Sagmeister parece mais novo do que seus 45 anos. E do alto de seus 1,95m, acha graça dos sete anos que demorou para finalizar Things I Have Learned In My Life So Far. Também sorri da comparação feita recentemente por Paola Anteonelli, curadora-sênior de Arquitetura e Design do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), que o batizou de o ‘Johnny Depp do design contemporâneo’. Surpreendente, radical, independente, quase ingênuo, quiçá brutal, o designer conta em entrevista exclusiva à Florense por que deixou de lado seu icônico trabalho com os gigantes nomes da música pop norte-americana (vide Lou Reed emergindo do nada em Set the Twilight, de 1996, o boneco G-I-Joe de David Byrne na capa de Feelings, e o leão assírio de Bridges to Babylon, dos Rolling Stones, ambos de 1997) a fim de explorar outros campos oferecidos pelo maravilhoso mundo do desenho gráfico contemporâneo: projetos sociais, científicos e pessoais. O fundamental, garante, é saber que ‘o tempo em que vivemos é o mais interessante e gratificante para as artes gráficas’.

"Não Há Melhor Momento Para Se Tornar um Desenhista Gráfico Do Que Este Em Que Vivemos"


- Depois de um ano sabático, você voltou a Nova Iorque, virou seu estúdio de pernas para o ar, lançou um livro que é a sensação do desenho gráfico no Hemisfério Norte e uma exposição que se transformou em um dos sites mais visitados do seu meio. Você aconselharia um período de descanso para um bom profissional se reinventar com sucesso?
- Pode-se ter uma idéia do que almejo fazer com meu trabalho olhando para o exemplar da Florense que você acaba de me dar. Aqui estão dois de meus maiores ídolos, Milton Glaser e Oscar Niemeyer, que têm uma inequívoca capacidade de reinvenção. No meu caso, o ano sabático, claro, funcionou muito bem para mim. Mas não posso, de fato, afirmar que esta é a melhor maneira de se preparar para uma nova etapa criativa. Tenho uma enorme dificuldade em ouvir conselhos, então não vou fazer o mesmo. Agora, a maioria dos designers que respeito criaram suas próprias maneiras de recarregar as baterias. Glaser, por exemplo, não trabalha às sextas-feiras, Massimo Vignelli sai mais cedo todos os dias, fecha o estúdio às três ou quatro da tarde. No meu caso, o peso do trabalho contínuo foi sentido, assim como acontece de forma geral com acadêmicos. Precisava recarregar as baterias. Cheguei em NY em 1993, decidi descansar sete ano depois, em 2000.

- O livro surgiu deste ano de descanso?
- Um pouco do que viria a se tornar o livro surgiu de fato naquele ano, mas de forma alguma a motivação da parada foi publicar algo. Ed Fella, um designer que admiro muito, professor da Califórnia Institute of Arts (Calarts), veio ocupar o estúdio na mesma época, começou a fazer sketch books muito interessantes, se dedicando exclusivamente a estes experimentos. Pensei que seria interessante fazer algo parecido justamente no momento em que eu chegava à maturidade de minha carreira. Ou assim eu pensava. Mas Ed foi minha real inspiração para o ano sabático.

- Você chegou a pensar em deixar o design gráfico de lado, não é?
- Na verdade, durante aquele ano, inicialmente, pensei que iria me tornar diretor de cinema. Cheguei a trabalhar bem a idéia na minha cabeça, mas abandonei este plano completamente depois de quatro semanas de muitas maquinações. Cheguei à conclusão de que precisaria de pelo menos dez anos para aprender uma linguagem nova como a do cinema. O tempo até que me animava, sabia? O que me amedrontou mesmo foi pensar que investiria uma década no aprendizado de uma nova linguagem para depois descobrir que possivelmente não teria nada a dizer de uma forma cinematográfica! Mas será que ainda havia algo diferente a dizer na linguagem que eu conheço? Na minha linguagem? No desenho gráfico? Talvez, mas queria fazer algo que não tivesse nada a ver com promoção e/ou música, vendas. Se você olhar para os principais estúdios de design de Nova Iorque, eles certamente estão hoje centrados na parte corporativa, mais comercial. Não queria isso. Comecei a pensar então nas muitas outras fronteiras que o design pode atingir...

- E você decidiu abandonar de vez justamente uma das características mais fortes da marca Sagmeister: sua fantástica produção de imagens voltadas para a música pop.
- É verdade. Estamos oficialmente fora da esfera da indústria musical. Esta foi uma das primeiras decisões depois do ano sabático. É que a música popular não tem mais a importância que teve em minha vida. Acho que hoje até temos acesso a mais música, de mais gêneros, de mais culturas, mas a maneira como a consumimos e como a encaramos é completamente diferente da dos anos 60 e 70, por exemplo. Quando tinha 17 anos, no fim dos anos 70, minha coleção de discos definia quem eu era. Não é o caso hoje para um jovem adolescente. Veja bem, não sou um nostálgico, de forma alguma. Há uma série de aspectos interessantes que o design pode ter um efeito direto e é para estes nichos que o estúdio está se focando, incluindo, com destaque, ciência e a arena social.


- Você poderia me dar alguns exemplos práticos desta guinada do estúdio?
- Temos aqui, por exemplo, um projeto de uma revista científica mais popular, voltada para jovens não necessariamente nerds, também estamos trabalhando ativamente na comunicação de um grupo que propõe uma modificação na legislação norte-americana para limitar os gastos militares no orçamento, obrigando certa porcentagem a ser direcionada para os gastos sociais. E mantemos projetos na Palestina, mais educacional, com o grupo OneVoice, voltado para as negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, e no Panamá, ligado à preservação da floresta tropical. Acho importante frisar que fiz esta transição logo antes da explosão do MP3, o que foi ao mesmo tempo providencial – hoje, em 2008, não sei de nenhum estúdio de design que tenha seu foco principal na indústria musical – e extremamente pessoal, no sentido de que foi uma decisão tomada por mim e não por uma imposição da indústria.

- Então é mesmo impossível imaginar hoje um estúdio de design gráfico repetindo sua experiência de se concentrar no universo musical...
- É impossível, especialmente por conta da desimportância atual do packaging musical. Mas, de novo, nada de nostalgia! Quem se tornou um designer nos anos 80 por conta das capas de disco, hoje se torna um profissional do ramo por conta dos vídeo games, ou dos telefones celulares. Aliás, se você olhar para a história da música com atenção, vai perceber que ela jamais precisou de qualquer aspecto visual. É possível que a tentativa de se criar um código visual para a música tenha acontecido entre os anos 40 e nossa década que agora vai ser lembrado como um período histórico.

"Experimente, Tente, Ouse, Faça Coisas em Todas as Direções"


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The Things I Have Learned é a cara dos anos 00. Fiquei impressionado ao entrar no site do livro e ver o espaço reservado para colaborações de internautas. Você vê o livro, que rendeu uma bela exposição no SoHo no início do ano, como ‘em progresso constante’?
- Sim! The Things I Have Learned, desde o título, é, nitidamente, um trabalho em progresso. Até a idéia de deixar em aberto as contribuições de amadores e designers dos quatro cantos do globo foi, também, uma sugestão externa, de visitantes da exposição. E adorei a idéia! Sempre fui muito crítico com relação a websites de livros. Queria fazer algo que fizesse sentido e se relacionasse com a obra em papel. E fiquei extremamente surpreso, não apenas com a qualidade das obras que apareceram lá, quase todas de amadores, mas também com a quantidade e com a velocidade com que elas são postadas. Abri o site há quatro semanas e já temos uma coleção impressionante. Diariamente há novidades! É impressionante quanta gente decidiu dedicar o seu tempo para postar lá, colocar suas próprias mensagens, em forma gráfica, do que aprenderam vida afora. Existem obras lá que certamente levaram horas e horas para serem concluídas.

- Isso me faz lembrar de uma de suas frases mais famosas, a de que o que você almeja fazer é criar design para não-designers. É isso mesmo?
- Sim, e, para o designer com esta ambição, não existe tempo melhor do que o que vivemos hoje. Há um interesse brutal por design de pessoas claramente fora do mundo do desenho gráfico. De uma certa maneira, design é mais acessível do que arte contemporânea, é mais próximo do dia-a-dia do cidadão comum. Senti isso em nossa exposição aqui no SoHo. Recentemente, também, o MoMA abriu uma exposição dedicada à relação entre a ciência e o design, extremamente sofisticada, e teve casa cheia todos os dias. Então, temos de aproveitar e deixar de lado a tentação de fazer design para nós mesmos, os criadores, o que pode até ser interessante aqui e acolá, mas é tão insular. Eu definitivamente decidi me tornar um designer porque gosto de falar com muitas pessoas ao mesmo tempo, de criar em meio à confusão, sabe? Talvez por isso os profissionais que admiro mais no mundo do desenho sejam justamente os que conseguem atingir uma audiência imensa, como Matt Groening e seus Simpsons.

- Você já disse aqui que não gosta de dar conselhos, mas teria uma mensagem para os estudantes de design no Brasil que vierem a ler a Florense?
- Experimente, tente, ouse, faça coisas em todas as direções. De novo, lembre-se que este é o tempo perfeito para se tornar um designer.