quinta-feira, março 16, 2006

Alguém quer as novas Marisas aí, pelamordedeus?


Ninguém imagina o que o correio nos reserva quando se vive fora da terrinha. Mesmo descontando a internet, o skype e os cartões telefônicos de US$ 2 que dão para falar duas horas sem perder o fôlego. Vem de um tudo. De um tudo. Neguinho gosta de mandar cartas. E encomendas. E presentes. Não, não estou reclamando, longe de mim. Mas aqui minha amiga Kika Serra vai entender o desconforto com precisão: esta semana me chegou uma encomenda daquelas. Os dois – dois! – novos discos da Marisa Monte. Um preto, “Infinito Particular”. O outro todo, assim, milhazes. Cores, muitas cores. “Universo Ao Meu Redor”.

Pronto, falei: eu tenho mesmo problemas com a dona Marisa. Com o pop certinho, a voz colocada, a batida um tico mais do que perfeita, tudo limpo demais. O problema, claro, é meu, todo meu. Ouço na maior cara-de-pau o novo Donald Fagen – isso mesmo, o ‘cara do Steely Dan’ – sem problemas. Confesso, confesso. “Morph The Cat”, eu comprei outro dia, tem produção impecável, certinha, quase no limite, mas seu Fagen arrisca ao tratar de temas como a paranóia reinante aqui em Bushland e oferece uma deliciosa conversa com o fantasma do...Ray Charles! Parece que desviei o assunto, mas aí é que mora o problema: sou brasileiro, cara! E ‘muzakar’ samba me dá nos nervos.

Lá atrás, no ‘Mais’, eu ouvia ‘Ensaboa” e voltava correndo para a gravação do Cartola. Dona Marisa me mandava um “Preciso Me Encontrar” e eu queria mais era Candeia ou, de novo, a versão do Cartola. Olha, a culpa é tão minha, mas tão minha, que até nas releituras de sucessos da MPB eu travava o ouvido – “O Que Me Importa”, do Cury, na vitrolinha aqui de casa só mesmo na interpretação contida do Tim Maia. Nunca tentei, mas acho que até conseguiria passar um tempo feliz com ‘Cor de Rosa Carvão’. Lá, a receita da dona Marisa, creio eu, deu mais certo.

Depois de ouvir com calma (o que um brasileiro isolado no Brooklyn acaba fazendo. Amigos, mandem mais presentes!) os dois novos discos, reconheço que são melhores, bem melhores, que o insosso “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor”. Parênteses: a onda tribalista, daquele povo feliz porque ‘já sabe namorar, chutar a bola e beijar de língua’, nunca me pegou. Pois bem, o disco preto, o ‘pop’, tem até uma sacada genial, “Pernambucobucolismo”, lenta, que transporta o ouvinte para um lugar estranhamente calmo em que a mãe do Mano Wladimir vai e volta de Londres, de longe, em um movimento repetido, belo, inspirado. Mas a passagem é para uma faixa só. Não viajei nas outras músicas do álbum negro. No da Milhazes, o da flor, há a intenção de se mexer no samba, ‘bebopeando-o’ com ukelelês, ‘beatboxes’ e baixos acústicos. Legal, mas...não me pega não. O mix de sofisticação da Zona Sul carioca com o tal neo-hippismo das releitura diminutivas dos Novos Baianos (aqui, em “Três Letrinhas”) me beira a indigestão. Inho, inho, inho, eu já fiquei de saquinho bem cheinho. De novo, eu sei, a culpa é minha, rigorosamente minha.

Então, sabendo de antemão que ninguém vai ficar ofendido com a oferta (nem mesmo o bem-intencionado sujeito que me mandou os cedês), que muita gente fina curte a neo-diva portelense, que eles precisam urgentemente de uma boa reciclagem, alguém aí quer ganhar os dois – dois! – novos discos da Marisa Monte? A oferta, claro, é por tempo limitada e durará apenas até que o primeiro incauto se manifeste. Os discos - os dois! - embarcam, felizes, via Fedex, voando, voando, diretamente aqui do Brooklyn.

9 comentários:

Olga disse...

Gosto da MM até "Barulhinho bom". Depois, Tribalistas só pra Júlia mesmo. Ela é que gostou, me fez comprar pra ela...

Olga disse...

Gosto da MM até "Barulhinho bom". Depois, Tribalistas só pra Júlia mesmo. Ela é que gostou, me fez comprar pra ela...

Anônimo disse...

ah, eu quero...
:)

Adriana

Eduardo Graca disse...

Oi Adriana,

diz qual Adriana é você que eu mando o CD - os dois! São seus.

:)

Anônimo disse...

Adriana Fã. Li uma matéria sua na Trip, gostei, vim parar aqui e encontrei ótimas matérias. Fiquei acompanhando. Eu não lia o Valor, mas vc me convenceu.

Ah, e eu adoro Marisa Monte. A ponto de deixar um comentário... hahaahahaha... Mas vc tá falando sério, Edu?

Eduardo Graca disse...

Mas é claro! Manda o endereço - edu@wmwmwm.com - e você vai receber os CDs. A demora vai depender do serviço postal estadunidense. Se mandar hoje, amanhã mesmo eles partem daqui.

mila disse...

Edu!!!!!!! compreendo seu problema.quando vejo D.marisa, perfeita, afianda, contida, corretíssima em tudo, tenho crises horríveis de identidade.Por que só eu tropeço, desfino,e falo com as mãos???
mas não ligo muito, continuo cantando do jeito que sei e sem produção........pode mandar os cds para mim se estiverem fazendo mal a vc.......eu de vez em quando adoro uma crise.
beijos
M.emília

rafaela giordano disse...

Oi, Edu! Tudo bem?
Não estou aqui para pedir os discos porque até hoje a MM não me convenceu. É bom ouvir assim quando toca uma ou outra no rádio, mas não para ter disco em casa para ficar ouvindo. Até baixei os discos dela no eMule, mas foi mesmo para perceber que não são para mim.
Beijos. Rafa

Eduardo Graca disse...

Gente, os discos agora já estão zarpando para o novo endereço. Ainda bem! Já estou até ficando com medo de sentir falta das 'três letrinhas'.