sábado, julho 25, 2009

ENTREVISTA/JOHNNY DEPP



A Contigo! desta semana chega às bancas com a entrevista que fiz, durante conferência de imprensa, com o adorável Johnny Depp. O astro de Inimigos Públicos, o filme de Michael Mann que já está nos cinemas brasileiros, conversou sobre John Dillinger, o gângster que encarna na tela grande, sua vida pessoal, seus projetos futuros. Segue abaixo, na íntegra, a conversa que tivemos em Los Angeles:

Johnny Depp

Um senhor talento!

Um dos maiores astros do cinema abre o jogo sobre a vida em três países, explica detalhes do novo filme, Inimigos Públicos, e revela o tamanho de suas... intimidades!


Por Eduardo Graça, de Los Angeles


- Você chegou devagar, sentou-se na cadeira lentamente. Esse tempo mais lento é um antídoto contra a loucura da fama?
- Há vários aspectos de minha vida pré-Hollywood de que sinto falta. Ser mas um na multidão, por exemplo. Ser reconhecido na rua é divertido, mas poder levar minhas crianças para uma loja, um restaurante ou a Disneylândia, é inviável. John Dillinger tinha esta habilidade de ir aos lugares públicos sem ser descoberto, como você viu no filme que eu desenvolvi também. Claro, ele tinha outros motivos para não ser reconhecido (risos).

- Uma das cenas mais deliciosas do filme é quando Dillinger entra na delegacia...
- E normalmente pergunta como os policiais estão indo, qual o resultado do jogo, vê os recortes de jornais de sua própria vida na parede e vai embora, sem ser reconhecido. Quem imaginaria que ele iria lá? Na Feira Internacional de 1933, que aconteceu em Chicago, ele pediu a um policial para tirar a foto dele e da namorada.

- Existe algum lugar no mundo onde você poderia fazer o mesmo?
- Sim, numa pequena ilha nas Bahamas onde construí meu refúgio justamente para isso (risos). Lá, ninguém me reconhece, a não ser que eu queria (risos).

- Você também tem uma casa na França e uma em Los Angeles. Aonde é seu verdadeiro lar?
- Temos uma casa no sul da França, minha mulher é francesa, mas a maioria de nosso tempo é passada aqui em Los Angeles, pois as crianças vão à escola aqui. A França me deu o luxo de uma vida mais simples, vivemos no interior e seus dias são mais calmos, não há executivos, agentes, é mais calmo. Mas nos últimos três anos, Los Angeles tem sido nossa casa.

- Dillinger aparece no filme como uma espécie de Robin Hood. Você se identificou com o personagem?
- Sim, muito. Graças a Deus eu não preciso andar com um trabuco no bolso de trás da calça, mas preciso dizer que Dillinger representou na época, quando os bancos eram os inimigos e o governo tinha gente como J.Edgar Hoover, o primeiro diretor do FBI, pior do que a maioria dos criminosos, o herói do homem comum. Ele levantou a cabeça e decidiu que não olharia mais para trás. Vou fazer o que tenho que fazer, juntar um dinheiro, fugir para o Brasil, e tentar não ferir ninguém no processo. Então, não vou negar, eu desenvolvi uma admiração pelo Dillinger.

- Fica a questão ética de que ele era, no fim, um bandido, não um mocinho...
- Depende de nossa percepção. Se eu tivesse de ficar em um recinto desarmado e dar as costas para Dillinger ou Hoover, eu escolheria o Dilinger, estaria mais seguro com ele. O fascínio pelos bandidos passa por nomes como Bonnie & Clyde ou Billy the Kid, que eram homens comuns que enfrentaram o governo. Não são um Charles Manson, por exemplo. São dois grupos diferentes de bandidos.

- Você se doa completamente a seus personagens. Edward Mãos de Tesoura é completamente diferente de Jack Sparrow ou de John Dillinger...
- Isso é um baita elogio, obrigado! É minha responsabilidade encontrar aquele personagem, experimentando algo diferente todas as vezes, algo que o público ainda não viu. O que não quero é entediar a audiência.

- Como foi seu processo de pesquisa para encontrar Dillinger?
- Não havia muitas imagens dele gravadas, nem áudio. O mais próximo que tive acesso foram as vozes do pai de Dillinger. Ouvi com atenção e imaginei aquele fazendeiro do sul de Indiana, numa cidadezinha há 150 quilômetros de onde eu cresci, no Kentucky. Aquilo me deu um clique, o sotaque. Daí pensei que ele falava, que o gestual dele, eram parecidos com os de meu avô.


- Você usou referências de sua própria família...
- Sim. Eram as mesmas raízes, sabe? Nos anos 30, vovô durante o dia dirigia um ônibus e de noite usava o veículo para transportar bebida para os municípios vizinhos na época da Lei Seca, o que não deixa de ser um serviço de utilidade pública (risos). E meu padrasto passou um tempo na penitenciária estadual de Illinois por conta de pequenos erros. Fui juntando estes ingredientes para criar meu Dillinger.

- Você sempre usa música neste processo, não é?
- Sempre, não abro mão disso. Em cada conversa diária que você tem há uma trilha sonora. Seja uma buzina do lado de fora da rua ou o virar das páginas de um jornal. Ironicamente, a música que ficou na minha cabeça durante todas as filmagens de Inimigos Públicos foi Nightmare, do maior clarinetista do jazz, Artie Shaw.Uma música de 1937 que cabia em cada cena do filme.

- Inimigos Públicos também conta uma grande história de amor. Como foi sua interação com Marion Cotillard?
- Na vida de Dillinger, há um momento em que tudo vira secundário, e Billie, sua parceira, passa a ser o foco de sua vida. Quando os dois estavam juntos, era fogo puro. Marion foi perfeita, ela é de uma dedicação única, chegou no set de filmagem meses antes de todos nós para se preparar melhor, pegar o sotaque certo. Ela é espetacular, uma atriz, aliás uma mulher muito, muito especial.

- Marion contou que durante a pesquisa que fez sobre o caso de Dillinger e Billie descobriu que ele era extremamente bem-dotado. Você também chegou ao mesmo resultado na pesquisa?
- Fiz a mesma pesquisa e cheguei a resultado similar (rindo muito). É a mais pura verdade! E sabe o que foi mais sensacional na história toda.

- Diz...
- Temos exatamente o mesmo tamanho! (rindo mais ainda e ficando com a face vermelha).

- Vamos mudar a direção desta conversa? Marion também disse que temia fazer as cenas de amor com você...
- Por causa do tamanho?

- Não! Porque você tinha sido um gentleman desde o primeiro dia, e ela queria que as cenas fossem sensual, mas ao mesmo tempo elegantes. Cheias de paixão mas sem ter que mostrar muito do corpo de vocês dois...
- Entendo a preocupação dela. É que este tipo de cena é crucial em um filme. Costumo dizer que você pode tirar o público da narrativa, eles instantaneamente esquecem do personagem e passam a observar com curiosidade o corpo dos artistas, especialmente aquelas partes (risos).

- Michael Mann diz que foi importante ter você como Dillinger, porque o gângster era um homem de verdade. O que é, para você, um homem com H maiúsculo?
- Sabe o que me fez o homem que eu sou?

- Não...
- Minha operação de sexo (mais risos). Sério, tentando não ser condescendente comigo mesmo, se há algo que sou de fato nesta vida é pai. Mais do que qualquer outra coisa. E, se levar em conta a opinião dos meus filhos, sou um pai decente. E isso é o que eu mais quero como homem com H maiúsculo. Ser um bom pai, ser honesto com os que amo, ser gentil com as pessoas.

- Mas há uma predileção sua por um certo tipo de homem nos filmes, os anti-heróis, não?
- Huum...talvez. Mas acho que não seria um bom super-homem. Não creio que eu fique bem em calças de lycra! (risos).

3 comentários:

Olga disse...

quaquaraquaquá!!!!!
Adorei as informações sobre as dimensões de Dillinger/Depp!!!!

Vv disse...

ADOREIIIIIIIIIA ENTREVISTA. TUDO BEM. TUDO BEM. TUDO BEM. Sou fã do cara. rs. Ele tá ótimo no filme. Mas quando não está ?!! Abraços, Vv.

Anônimo disse...

Ahh q gay vcs 2