domingo, novembro 16, 2008

Um Filme: Happy-Go-Lucky

Já passou no festival do Rio e, imagino, entrará em cartaz no Brasil logo. Não percam. Happy-Go-Lucky é o filme perfeito para se enfentar a crise - que, aqui, é cada vez mais visível a olho nu, nas esquinas do Brooklyn e nas filas vazias dos supermercados orgânicos que chegaram à cidade nos últimos anos.

De volta ao filme, Sally Hawkins já é minha atriz favorita de 2008. Aliás, a direção de atores é sensacional: Alexis Zegerman como a melhor amiga e Eddie Marsan como o instrutor neurótico da auto-escola nos lembram como era bomWoody Allen quando Woody Allen era bom. A Londres de Leigh é completamente diferente da Europa asséptica para milionários que Allen vem retratando nos últimos anos. Também é um alívio sua aversão a estrelas de Hollywood.
Leigh - o homem por detrás de coisas pesadíssimas como Segredos e Mentiras e Vera Drake - faz uma comédia otimisma, para cima, deliciosa, com uma protagonista (Hawkins, com sua Poppy) tão otimista quanto real (a derradeira cena, com as duas amigas em um bote, é antológica). Tão bom escrever sobre algo de que se gosta.

2 comentários:

Henrique Crespo disse...

Realmente um Leigh otimista é uma surpresa. Lembrei agora de outro filme dele que vem carregado de uma espécie de pessimismo, uma certa crueza, Agora ou Nunca.

Estou muito curioso com esse novo. nem sinal dele aqui no Brasil.

Por falar em Allen, parece que seu vizinho está memso fora de forma. Salvo a constante preseça da bela Scarlet em seus últimos filmes, pouca coisa fica na memária.
Esse Vicky Cristina Barcelona tem uma belo beijo, uma frase ou outra interessante, uma ou duas cenas bem engraçadas e só. O resto é propaganda turística, personagem de Almodovar fora de forma e humor involuntário.

Abraço
Henrique

Flavia M. disse...

Só hoje abri e li. Mike Leigh é sempre brilhante e único. Vai ser uma delícia assistir esse mestre artista fazendo comédia otimista.
Gostei demais do seu comentário "en passant" sobre o bom Woody Allen quando o Woody Allen era bom. Concordo plena e absolutamente com essa sua visão do Woody que se perdeu no caminho e virou a esquina para Hollywood...Mas qcho que em Barcelona ele parece estar quase se lembrando da sua rota auténtica e original, não acha?
Boas Festas
Flavia Maria