sexta-feira, junho 09, 2006

Diretinho da Redação (44)


A Coluna da Semana, que já está no DR, é sobre uma nova tática para se enfrentar a violência urbana que vem recebendo muitos aplausos aqui nos EUA.http://www.blogger.com/img/gl.link.gif


DELINQÜÊNCIA JUVENIL


Aqui em Nova Iorque falou-se muito esta semana de MST e de violência. Mas aqui MST é a sigla em inglês para a terapia multi-sistêmica, uma técnica utilizada por um programa de combate à delinqüência juvenil que vem recebendo aplausos em um país assombrado pelo crescimento das gangues e a aparente impotência do Estado em lidar com adolescentes problemáticos. O principal motivo do fuzuê: a MST rejeita veementemente reformatórios ou centros de correção e inverte a lógica da punição – o jovem deve ser acompanhado, sempre, em seu território. E as famílias nunca devem ser quebradas.

O programa anti-violência desenvolvido pelo psiquiatra e psicólogo Scott Henggeler começou a ser testado em 1992, no estado de Ohio, e parte do princípio de que todas as causas de ‘comportamento anti-social’ devem ser atacadas ao mesmo tempo. Henggeler bebe da Ecologia Social e trata não apenas do indivíduo, mas de seu ecossistema - composto por família, vizinhança, escola, o grupo de amigos e sua relação com a comunidade. Modificar este ecossistema – e não afastar a criança do que a cerca – é sua meta.

Para tanto, a MST faz uso de profissionais de várias especialidades e se imiscui nos labirintos dos problemas legais, no consumo, produção e tráfico de drogas e no nível de excelência escolar. Cada terapeuta cuida de, no máximo, seis famílias ao mesmo tempo. As visitas são diárias e o contato permanente. Trata-se de um esforço intensivo, muitas vezes incômodo e invasivo (de acordo com o relato das famílias envolvidas no projeto), mas com resultados surpreendentes. A MST centra fogo na separação dos jovens atendidos das ‘más-companhias’ e no acompanhamento minucioso dos responsáveis – pais, tios, padrinhos –, que assumem o compromisso de manterem a ação terapêutica depois do fim da assistência dada pelos psicólogos. Parte do programa consiste justamente no treinamento dos adultos e na tentativa de dar poder às comunidades, incentivando a criação de programas independentes de desenvolvimento e incremento do ecossistema, que vão desde mutirões até aulas de educação artística.

Não se trata de um programa barato, é claro. As ações duram em média cinco meses, e cada caso custa cerca de US$ 7,5 mil (ou R$ 19 mil) aos cofres públicos. Mesmo assim, trata-se de uma economia fascinante quando se pensa que o custo de cada jovem norte-americano institucionalizado, para o Estado, é, hoje, de US$ 50 mil, ou cerca de R$ 125 mil, por ano. E, exatamente como no Brasil, o índice de infratores que reincidem em crimes contra a sociedade é altíssimo, com o retorno do investimento beirando o nulo.

Mas a MST poderia ser uma história de sucesso em outras paragens, como no Brasil? Talvez. Comandante da divisão de Justiça Criminal da Universidade de Cincinnati, Ohio, o especialista Edward Latessa tem suas dúvidas. Em um texto sobre o programa publicado na revista dominical do The New York Times ele lembra que a iniciativa depende muito d capacitação de profissionais extremamente comprometidos com o sucesso da terapia – obviamente, a resistência a uma atuação intensiva, que altera toda a rotina da família, é significativa. Mas pelo menos no meio-oeste americano, a MST é uma das poucas histórias de sucesso na luta pela recuperação dos menores infratores.

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