quinta-feira, maio 08, 2008

Entrevista/EMILE HIRSCH

Estréia esta semana no Brasil o novo longa dos irmãos Wachowski - responsáveis por Matrix - uma aventura tecnológica mais alucinante do que lógica, Speed Racer. A partir do desenho animado (um de meus favoritos quando criança) eles revisitam a história do corredor de corridas mais certinho da face da terra. Infelizmente os excêntricos Wachowski não conversaram com a imprensa (nem a norte-americana), mas conversei com Emile Hirsch (o ótimo jovem ator que brilhou no ano passado com Na Natureza Selvagem) e Matthew Fox (o galã de Lost). A conversa com Emile segue abaixo:


Emile Hirsch

Menino prodígio

Por Eduardo Graça, de Los Angeles


Considerado o novo River Phoenix, o ator de 23 anos falou com exclusividade à Contigo! sobre seu novo longa, Speed Racer, e disse estar ansioso para conhecer as garotas brasileiras.


Emile Hirsch, o protagonista de Speed Racer, superprodução dirigida pelos irmãos Larry, 42, e Andy Wachowski, 40 (os mesmos da cinessérie Matrix) - baseada no famoso desenho animado japonês dos anos 60 que foi exibido no Brasil nas TVs Tupi, Globo, Record, MTV e Boomerang (canal por assinatura) -, com estréia nesta sexta-feira, é a personificação do termo meninão. Nas duas entrevistas que deu à Contigo!, ele exagerou na descontração. No primeiro encontro, no centro de convenções do Autódromo de Long Beach, Hirsch - famoso por aqui pelo filme Show de Vizinha (2004) - manteve despudoradamente as pernas em cima da mesa durante todo o bate-papo. No segundo, em um hotel de luxo de Beverly Hills, simplesmente permaneceu deitado - esparramado - no sofá da suíte, enquanto brincava com o microfone do gravador acoplado no iPod do repórter: "Pontudo ele, não? Será que ele está assim porque ficou feliz em me ver (risos)?".

Hirsch adora provocar e parece ter um certo prazer em deixar o entrevistador encabulado. É capaz de exclamações intensas de espanto e excitamento e de movimentos bruscos de corpo que deixam esse californiano de 23 anos e pouco mais de 1,68 m de altura parecer bem maior do que de fato é. Essa capacidade de expansão pôde ser conferida na tela grande em suas excelentes interpretações do skatista Jay Adams em Os Reis de Dogtown (2005) e especialmente na do estudante Christopher McCandless em Na Natureza Selvagem (2007), dirigida pelo amigo Sean Penn, 47, e baseada em fatos reais.

Depois de viver o herói certinho das pistas de corrida, criado pelo japonês Tatsuo Yoshida (1933-1977) - e que, diz a lenda, irá voltar (o desenho) em nova temporada, com Speed adulto, casado com sua Trixie e correndo o mundo atrás de seu filho perdido -, Hirsch volta a trabalhar com Penn na biografia do político de São Francisco e ativista gay Harvey Milk, em filme dirigido pelo cult Gus Van Sant, 55. Considerado por muitos o River Phoenix (morto em 1993 com os mesmos 23 anos de Hirsch) dos anos 2000, Hirsch disse achar "o máximo" saber que é adorado pelas meninas brasileiras. "Já estou pensando em comprar minha passagem!", brincou, com uma piscadela de olhos e sorriso aberto.

- Você foi muito celebrado por sua atuação em Na Natureza Selvagem no ano passado e não poderia ter escolhido filme mais dessemelhante do que Speed Racer para rodar na seqüência. Foi justamente esse desejo de ir ao outro extremo que o fez investir no 'filme família' dos Wachowski?
- Fazer Speed Racer foi uma maneira de deixar o filme Na Natureza Selvagem, que eu amei, intocado, sabe? Ele é o que é. E ninguém agüentaria me ver de novo fazendo um personagem dolorido, mais um drama, né não? Como cresci vendo as reprises de Speed Racer na televisão, sou fanático por carros de corridas e a trilogia Matrix fez totalmente a minha cabeça, vi logo que esta era a continuação ideal para mim naquele momento! E me joguei mesmo no filme (risos)!


- Este é o primeiro filme comercial de grande impacto que você protagoniza. Sentiu-se pressionado?

- Humm... fiquei mais animado do que temeroso. Mas é claro que você fica um pouco tenso quando o pessoal do estúdio diz: "Menino, olha lá, investimos 120 milhões de dólares neste filme, hein?". Este provavelmente será o maior filme que farei em minha carreira. Quando terei outra oportunidade dessas? Mas o jeito é me manter em forma e pronto para tudo. Uma coisa que faço, para me preparar para qualquer momento, é, ao voltar para casa todos os dias, sair para uma corrida por Venice Beach, onde moro, de pelo menos uma hora. Manter o corpo em ação é meu segredo para a mente ficar sempre calma, pronta para os desafios. E também me alimentar de modo saudável. Você jamais vai me ver comendo dois cheeseburguers nas lanchonetes de Los Angeles! Ultimamente estou obcecado por tênis. Meu melhor amigo (que ele não diz quem é nem por decreto dos estúdios) teve uma lesão muscular e teve de aprender a jogar tênis no processo de recuperação. Agora jogamos o tempo todo!


- Em um primeiro momento foi complicado para você se ver como Speed Racer?

- De fato eu nunca pensei que faria um filme como este. Mas o Speed, assim como eu, valoriza a determinação, é completamente apaixonado pelo que faz e muito ligado à família e amigos. Ele é um gato esperto (risos).

- Como você?
- Não, nenhum ser humano conseguiria ser tão cool quanto o Speed. Mas eu bem que tento (risos)!


- No Japão, os fãs do desenho acharam a sua escolha para o papel perfeita. Os críticos de lá dizem que você é a cara do Speed. Você concorda?

- Claaaaaaro (incrédulo)! Mas não tenho o cabelo do Elvis, como ele (risos)! Não, sério, acho que esta semelhança física provavelmente me ajudou a ganhar o papel. Fiz um teste para o filme, duas cenas, e foi bem divertido. Quando se é escolhido, tem-se certeza absoluta de que se está pronto para fazer o papel. Afinal de contas, até chegarem no escolhido, eles testaram milhares de atores tão bons quanto você.

- Sabia que no Brasil você já é um símbolo sexual? Muitas meninas têm a sua imagem na tela do computador...
- Ah, fala sério! Jura? Gente, não vou mentir, adorei saber disso (risos)! Já fiquei com vontade de viajar para lá. Nunca estive no Brasil. O mais perto que cheguei da América do Sul foi ir a Porto Rico. Minha irmã mora lá e adoro a vida na praia, a cultura, a música. Acho que iria adorar o Brasil. Nossa, que legal isso (risos)!
-

- Mas é tão legal assim saber que se é um sex symbol em um país tão distante?

- Oh, yeah! Claro que sim! Você não quer ficar deslumbrado com isso e achar que ser desejado é um aspecto fundamental de sua carreira, mas quem não gostaria de ser desejado pelas brasileiras? E, claro, tomara que elas se animem a ver Speed Racer. Atenção, meninas: este é o melhor filme jamais feito sobre carros. E vocês vão gostar! Palavra de Emile (risos)!

- Você gosta de dirigir carros?
- Adoro! Vivo para cima e para baixo com o meu Toyota preto. Mas sabe que no filme isso é muito relativo, né? O grande desafio é que se está o tempo todo em uma sala do tamanho de um armazém e a única coisa na sua frente é uma tela verde. O restante foi colocado depois, pelo pessoal da animação. Você pensa que aquilo que viu na tela é uma corrida de carros, mas, vamos ser francos, a única coisa que eu via quando dirigia o Mach 5 e 6 era uma parede vazia. Aqui e ali eu tive de me segurar para não pensar: Emile, você está ficando maluco! (risos). O que nos ajudava muito eram os computadores. Eu via as imagens no laptop dos animadores, em terceira dimensão, e imaginava a cena a partir do que aparecia ali.


- Há algum ator favorito, algum ícone em quem você se inspire ou algum tipo de ator que gostaria de ser? Afinal, você tem uma imensa carreira pela frente...

- Quero ser o tipo de ator que está sempre empregado (risos)! E fazendo bons filmes. Admiro muito o Marlon Brando (1924-2004). A maioria de seus filmes são lições de atuação. E o Sean (Penn), claro. Ele é um modelo para mim, é fantástico atuando e também quando está fora de cena, militando pelas causas que acredita. Exatamente como a Susan (Sarandon), que faz minha mãe em Speed Racer. Aprendi muito com os dois no que se refere a usar sua carreira para militar pelas causas sociais que o interessam.

- Você acabou de trabalhar ao lado de Sean Penn no novo filme de Gus Van Sant, Milk, em que você faz justamente um ativista político...

- E Sean faz o personagem título, o político de São Francisco Harvey Milk, que foi uma espécie de Martin Luther King para a comunidade gay norte-americana. Eu faço o Cleve Jones, que luta para impor sua visão de que seres humanos, de qualquer opção sexual, têm diretos básicos que precisam ser respeitados. Jones, um homossexual, foi o braço direito de Harvey Milk. Nós filmamos no bairro gay de São Francisco e circulei muito no histórico Castro, onde fiz vários amigos. E foi legal estar com Sean sem ele me dirigir. Foi mais leve em um certo sentido, sabe?


- É... imagino ele te dirigindo nas cenas mais radicais de Na Natureza Selvagem. Aliás, nos seus filmes recentes há muitas cenas de ação. É algo que te impulsiona? Você é um desses fãs ardorosos de esportes radicais?
- O que me impulsiona são os personagens por trás da ação. Gosto mais das pessoas do que da ação. Sou um apaixonado por pessoas. Foi isso que me fez querer me tornar um ator.

terça-feira, maio 06, 2008

Listas, Listas, Listas...

Norte-americanos adoram listas. Esta semana a People saiu com os '100 mais belos'. A Time apareceu com seu '100 mais importantes do globo' e até a Foregin Policy entrou na festa com os '100 mais importantes intelectuais públicos'. Dois brasileiros apareceram nas listas. Kaká na Time e Fernando Henrqiue Cardoso na FP.

As listas refletem o inevitável americocentrismo. Na mais interessante das três, a da FP, 36 ungidos vêm dos EUA-Canadá, 30 da Europa, 12 da Ásia, 11 do Oriente Médio e apenas 4 da América Latina e outros 4 da África sub-Saariana. Há ainda 3 do Sudeste Asiático e Oceania.


segunda-feira, maio 05, 2008

Homem de Ferro Arrasador

Hoje Hollywoood ri de felicidade. Em seu fim de semana de estréia Homem de Ferro provou ser o blockbuster que o povo do cinema esperava ardorosamente por aqui. O filme, que custou, oficialmente, US$ 135 milhões, já recuperou o investimento da Paramount. Apenas nos EUA a bilheteria, nos primeiro três dias, foi de US$ 100,8 milhões. No restante do planeta (incluindo Brasil), entraram outros US$ 100,2 milhões na caixa dos produtores. O filme, estrelado pelo sensacional Robert Downey Jr., chega perto do recorde estabelecido entre obras inspiradas por super-heróis, o primero Homem Aranha, em 2002. 

Aguarda-se ansiosamente pelos outros três filmes mais esperados da temporada - os novos Batman e Indiana Jones e  Sex&the City - para celebrar um verão inesquecível. Neste fim de semana eu fui convidado para a  cabine de imprensa aqui em NY de Sex&the City e saí feliz com o que vi. Sim, o filme é mais longo do que deveria ser. Sim, há algumas situações forçadas. Mas os fãs do seriado vão adorar saber o que aconteceu, quatro anos depois, com Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte. 

Ah...sim, entrevistei as meninas! Já já conto como foi... 

sábado, maio 03, 2008

Novidades da Semana

Chegou ontem aqui em casa a EW desta semana. Olha só do que se fala por aqui no mundinho do showbizz:

* Rodrigo Santoro aparece com o torso nu e de mãos dadas com Jim Carrey. Os dois filmam em Miami I Love You Phillip Morris, uma comédia-pastelão que conta a história de um casal gay que se apaixona na cadeia. Comentário do Will aqui do lado: "Meu Deus, o Rodrigo é bonitinho demais e precisa se cuidar ou Hollywood vai estigmatizá-lo como o gay latino da vez". Já teve o imperador persa com pinta de traveca em 300, e olha que por aqui ninguém viu Carandiru. Outras fotos dos bastidores da produção - Rodrigo, Jim e Ewan McGregor têm sido vistos zanzando pelos bares gay de Miami para fazer laboratório - você pode ver aqui.



* A revista ouviu gente de dentro da produção de Speed Racer, o filme-família dos irmãos Wachowski que custou, por baixo, US$ 120 milhões, temerosa de que, sendo lançado por aqui entre Homem de Ferro e o novo Narnia, o filme gere menos de US$ 30 milhões em sua primeira semana na bilheteria (no próximo fim de semana). Eu vi o filme em Los Angeles na semana retrasada (texto aqui na blog na quarta-feira, quando a Contigo! chegar nas bancas) e gostei. É diversão garantida para papai, mamãe e titia, jutamente com a criançada. Será que vai ser o fracasso da vez de Hollywood? Veremos.

* Não sou fã de reality shows, mas há uma pequena jóia na tevê americana no momento. Chama-se The Paper, estreou no dia 14 de abril, e passa todas as segundas-feiras às 22h30 aqui na MTV. Quem se lembra das tramas e sub-tramas do jornal universitário pelo qual passou Rory Gilmore em Gilmore Girls vai adorar descer o nível para a high-school e entrar no dia-a-dia de um jornal sério (na medida do possível) de uma típica escola norte-americana. O programa revela o cinismo, a ignorância, o marasmo e as expectativas de um bando de jovens no coração do império. Um gostinho do que já já vai chegar ao Brasil:

Adoção no Brasil

Leio hoje, em editorial da Folha de S.Paulo sobre a criação do Cadastro Nacional de Adoção (que pretende unificar dados de todos os Estados da federação sobre crianças a serem adotadas e candidatos a pais adotivos), que em São Paulo a procura supera em muito a oferta. São 7.500 brasileiros e 300 estrangeiros buscando adotar cerca de 1.000 crianças. Os dados oficiais, de 2005, mostram como o tema é mais complicado do que parece: 99% dos pais querem adotar apenas um filho, 83% o querem menor de 3 anos de idade e 49% só querem uma criança branca. Do outro lado, a realidade é bem outra: 52% das crianças são negras ou mestiças, 87% maiores de 3 anos e 56% vivem nos abrigos com mais de um irmão. Como diz o editorial - O que importa é modificar a cultura dos pretendentes a pais, para que aceitem crianças reais e não idealizações.

O assunto me toca especialmente porque sou filho adotivo. E faço parte da exceção estatística - branco, menos de 3 anos, sem irmãos. Minha mãe, em um processo diferente, também foi adotada. Mas foi separada por anos a fio dos muitos irmãos. Hoje, conjecturamos, na família que formei, a possibilidade de adotar um dia, levando a experiência para a terceira geração. Questões como a possibilidade de adoção por casais estrangeiros, homossexuais, bi-nacionais, mulheres solteiras, precisam ser abordadas com mais urgência pelos legisladores brasileiros. O editorial da Folha, que reproduzo abaixo, lembra que, segundo a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, 120 mil crianças e adolescentes vivem hoje em abrigos espalhados pelo país e pelo menos 12 mil precisam de uma nova família.

O editorial de hoje:

Adoção digital

A INICIATIVA do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de criar o Cadastro Nacional de Adoção vem em boa hora. A medida vai unificar e cruzar os dados de todos Estados brasileiros seja em relação às crianças a ser adotadas, seja sobre os candidatos a pais adotivos.
A utilização de recursos de informática que facilitam intercâmbios é sempre positiva. O problema das adoções, porém, é bem mais complexo do que juntar ofertantes e demandantes.
Diga-se, em favor das instituições, que a situação já melhorou bastante. Algumas décadas atrás, muitos pais em busca de um filho adotivo preferiam arriscar-se na ilegalidade a enfrentar a lentidão do sistema. Mas, com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e a implementação dos Juizados da Infância e da Juventude, o trâmite ficou mais simples e rápido. Hoje, todo o processo pode ser resolvido em apenas dois meses.
Segundo a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, 120 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos de todo o país. Desse total, cerca de 12 mil precisam de uma nova família. No Estado de São Paulo, a procura chega a superar a oferta. São 7.500 brasileiros e quase 300 estrangeiros para cerca de mil crianças.
A dificuldade é o descompasso entre os desejos dos candidatos a pais e as características das crianças disponíveis. Estudo feito com pessoas inscritas na fila da adoção em São Paulo, em 2005, mostra que grande parte das pessoas pretendia adotar só um filho (99%), menor de três anos (83%) e de cor branca (49%). Já a maioria dos abrigados é de cor negra ou parda (52%), maior de três anos (87%) e possui um ou mais irmãos (56%), núcleo que a Justiça, com toda a razão, tenta manter unido.
O que importa, portanto, é modificar a cultura dos pretendentes a pais, para que aceitem crianças reais e não idealizações. Essa, porém, é uma tarefa que não pode ser feita por um programa de computador.

quinta-feira, maio 01, 2008

Música & Moda

O caderno de Estilo do NYT trouxe hoje em sua capa uma reportagem defendendo a tese de que a moda suplantou a música como forma de expressão cultural mais popular entre os jovens norte-americanos. Um dos símbolos desta mudança seria o anúncio de que a Steve & Barry's acabou de sublocar o imenso espaço da Broadway com 4th que foi durante anos o endereço mais famoso da Tower Records na cidade.

A Steve & Barry's é famosa por oferecer produtos fashion com assinaturas de celebridades como Sarah Jessica Parker e o jogador de basquete Stephon Marburry por preços módicos. Um vestido da linha florida de SJP sai por US$ 8,98, mesmo preço do um tênis de basquete da linha Marburry. Não sei até que ponto a abertura de mais uma loja da Steve & Barry's (a de Midtown sofre com filas imensas e é uma aventura comprar algo por lá, dizem as amigas sacoleiras) de fato prova a decadência da música como elemento de identificação geracional - já já coloco aqui minha entrevista com o designer Stefan Sagmaister, famoso pelas capas de álbuns importantes de Lou Reed, David Bowie e Rolling Stones, em que ele diz mais ou mesmo a mesma coisa - ou se apenas enfatiza um novo modelo de negócio, que une grandes nomes e preços baixos como forma definitiva de atrair multidões.

Sacoleiras Anônimas, anotem: a loja abre no outono e os preços serão os mesmos, baixíssimos. A reportagem pode ser lida na íntegra aqui.

quarta-feira, abril 30, 2008

México!


As últimas semanas foram de uma correria insana. Abril foi um mês de viajens, mal vi o Brooklyn. Estive pouquíssimo aqui no blog. Foram duas idas a Los Angeles, para conferir Speed Racer e Jogo de Amor em Las Vegas e uma inesquecível passagem pela Cidade do México, para a primeira sessão pública de Homem de Ferro.

O México mexeu comigo. Fiquei muito impressionado com a força do povo, os dilemas enfrentados por nossos hermanos do norte. Quando ainda vivíamos a lei do frio aqui em Nova Iorque, foi bom acordar cedo no Sheraton do Centro Histórico, atravessar para o outro lado da Avenida Juarez, sol a pino, e ler a edição fresquinha da Gatopardo no Paséo de la Reforma. Como é bom colocar as mãos numa publicação bem-feita, interessante, com textos inteligentes.

Na revista - que tem redações na Colômbia, Cidade do México e Buenos Aires - a capa adiantava o retorno da parceria entre os dois maiores ídolos do cinema mexicano, Gael García Bernal e Diego Luna. Mas o mais interessante foi entrar em contato (via bela reportagem de Laura Castellanos) com o drama dos pais dos estudantes da Universidade Nacional Autónoma do México (a UNAM, onde, na faculdade de Filosofia, teria estudado o Comandante Marcos) acusados de terroristas e assassinados no Equador durante ataque colombiano na madrugada de Primeiro de Março. Não sei se, nem como, a imprensa brasileira tratou deste assunto, mas as feridas, na Cidade do México, ainda estão expostas. Os pais e os poucos colegas mais politizados de Juan, Fernando, Soren e Verónica se recusam a tratar os alunos como terroristas. O governo, conservador, não quer saber de 'infiltração das FARC' na vida universitária mexicana.

Em uma tarde, entre uma entrevista e outra, acompanhei, no gigantesco Zócalo, um protesto de partidários de Lopez Obrador, o candidato a presidente das esquerdas que teria sido tungado nas eleições do ano passado. Reclamavam do desmonte da PEMEX e da falcatrua nas eleições internas do PRD, o maior partido de oposição, dividido entre sociais-democratas e socialistas. Mais tarde quase apanhei em frente à Embaixada do Canadá. Sim, mais manifestações pelas ruas mexicanas. Imaginem que as patricinhas e mauricinhos de Polanco (a Higienópolis, ou o Leblon, da Cidade do México) orquestraram um protesto contra a morte das focas (a caça acabou de ser liberada novamente no Canadá, e as focas são umas das principais fontes de alimentação dos indígenas do norte canadense). Fiquei enfezado! Com tanta gente sendo assassinada no México (os seqüestros voltaram à pauta, foram capa do NYT desta segunda), os meninos de Polanco não tinham mais o que fazer, não? Eu e minha neo-amiga Beatriz, fiel adepta do PAC (Processo de Alimentação Contínua) e defensora empedernida das tradições liberais canadenses (até porque ela tem família por lá), olhamos a tudo com choque e uma incômoda sensação de déja vu.

O que me ficou na cabeça mesmo foram os slogans dos jovens da UNAM que Castellanos reproduziu em seu texto lá na Gatopardo:

!LOS MASACRADOS SERÁN VENGADOS!
?Y QUIÉEN LOS VENGARÁ?
EL PUEBLO ORGANIZADO!
?Y COMO?
LUCHANDO!
ENTONCES: LUCHA! LUCHA! LUCHA!
!NO DEJES DE LUCHAR
!NO DEJES DE LUCHAR
POR UNA EDUCACIÓN
POR UNA EDUCACIÓN
POLÍTICA Y POPULAR!

Aqueles rostos indígenas, a multidão - a Cidade do México é a segunda maior metrópole do planeta, com 24 milhões de pessoas zanzando de um lado para o outro - se acotovelando no metrô, a favela que outro neo-amigo, Marco Canônico me mostrou ao lado do Meliá, em pleno Centro Financeiro, a sensacional feira do Mercado de La Merced, com frutas e vegetais de cores e tamanhos impensáveis, a noite dos mariachis na erma Plaza Garibaldi (que só fui, covarde, carregado pela intrépida Marília Martins), tudo me transportou para um outro tempo. Para minha conversas com meu avô Nicéas, que uma me vez me explicou, muito sério, o motivo pelo qual dava remédios de graça para todos que iam à sua casa de noite - e perturbavam meu sono - em busca de auxílio médico. "Menino (ele só me chamava de menino), este país em que a gente vive é uma merda. Mas a gente não precisa ser (uma merda) também!"

O México foi uma bela trauletada. As fotos são minhas, de Beatriz e de Marília.

Perfil/ROBERT DOWNEY JR.

A Contigo! publicou na edição que chega hoje às bancas o mini-perfil que escrevi do ator Robert Downey Jr., protagonista de Homem de Ferro. O filme estréia hoje no Brasil.

A entrevista foi feita em um hotel de luxo na Cidade do México. Downey estava cansadíssimo, havia chegado de helicóptero no hotel às 5h da manhã (vindo de Los Angeles), mas encarou com serenidade a maratona de conversas com jornalistas mexicanos e brasileiros. As expectativas para o filme eram grandes - Olga de Mello já disse, e bem, o que viu lá no Arenas, ela se empolgou mais do que eu - e Downey está ótimo, embora me irrite um pouco o transporte forçado da trama do Vietnã para o Afeganistão. Especialmente os terroristas da O.N.U. falando húngaro! Mas como não se deixar levar pelos efeitos especiais, impressionantes, e pela atuação de Downey Jr., que em nenhum momento se leva a sério? O seu prazer de 'brincar' de herói vale o ingresso.

O perfil publicado pela Contigo!, segue, na íntegra, abaixo:

Robert Downey Jr.
A volta por cima

Por Eduardo Graça, da Cidade do México

Pedantismo, interesses escusos, ostentação, sexo, bebidas, drogas e, claro, rock and roll, muito rock and roll. Com certeza é uma combinação de fatores para lá de explosiva para um blockbuster, ainda mais se for temperado com o aparecimento de um super-herói que supera tudo isso e ressurge forte, leal, compreensivo, doce e protetor dos fracos (e das fracas!) e oprimidos. Esse é o argumento de Homem de Ferro - que estréia quarta-feira (30) -, sobre o herói originário da HQ homônima e criado, entre outros, pelo lendário e Midas do gênero, Stan Lee, 85 anos.

E alguns dos elementos do protagonista se confundem com a trajetória do ator que lhe dá vida na telona, o nova-iorquino Robert Downey Jr., 43. Esse talentoso ex-bad boy é mesmo, como o próprio gosta de afirmar com certa marotice, "o" Homem de Ferro. Exatamente como Tony Stark (o empresário alter ego do herói), Downey deixou de lado um comportamento autodestrutivo. Em seu caso, o vício em cocaína, heroína e crack, que o levaram a noites no xilindró, acusado por porte de droga. Nas penitenciárias da Califórnia, ele foi brutalmente agredido por companheiros de fardo.

Tudo isso ficou para trás - sua última temporada na prisão foi em 2001 -, assim como o casamento com a atriz e cantora Deborah Falconer, 42, mãe de seu filho, Indio, 14. “É engraçado que as pessoas perguntam se o Indio ficou nas nuvens quando soube que eu encarnaria o Tony Stark. Ele achou legal, claro, mas acho que ele é, para minha alegria, muito mais cool do que o Homem de Ferro, né? Eu, quando tinha a idade dele, também estava mais interessado em gibis mais adultos, mais da hora. Agora, no entanto, sou o fã número 1 do personagem, claro!”, jura o ex-enfant terrible de Los Angeles, casado há três anos com a produtora Susan Levin, 34 anos.

Aprendendo com os erros

A Contigo! foi até a capital mexicana para conferir a primeira apresentação mundial do Homem de Ferro para uma platéia escolhida a dedo pelos produtores, que investiram mais de US$ 18o milhões no filme. Para ganhar o papel principal, Downey teve de fazer pela segunda vez um teste de elenco em sua longa carreira – a primeira foi em Chaplin, filme que lhe rendeu a indicação de melhor ator no Oscar de 1992. Com seus olhos imensos, cabelos levemente grisalhos e sorriso de lado, Downey Jr. não gosta de falar mais uma vez sobre os anos negros que o transportaram para as páginas policiais dos jornais. "Não há quem não pergunte sobre o tema", reclama. Mas até que ponto sua própria imolação pública na luta contra o vício das drogas não o inspirou a compor o personagem, que também tinha problemas de alcoolismo? Downey diz não ter dúvidas de que a experiência o ajudou a construir seu pungente Homem de Ferro.

Amigo de todas as horas e fã incondicional ‘do melhor ator de sua geração’, o diretor Jon Favreau, um nome pouco conhecido e que lutou para contar com Downey Jr. no elenco, é direto: “É claro que esta foi uma das razões pela qual o Robert sempre foi o Homem de Ferro de meus sonhos. Ele passou por momentos muito difíceis, andou pelo lado escuro da vida. Mas mais importante ainda: meu Homem de Ferro teria de ser alguém que tivesse voltado para a luz, que trouxesse uma mensagem de possibilidade, de vitória sobre algo tenebroso. A disciplina e o comprometimento dele, conquistados a duras penas, foram o que me fizeram lutar por ele”.

A super-produção conta ainda com Gwyneth Paltrow, 35, vivendo a doce secretária Virginia ‘Pepper’ Potts, Jeff Bridges como o mentor-antípoda de Stark e Terrence Howard como o melhor amigo do herói. Paltrow revelou em entrevistas que só concordou em fazer seu primeiro filme de super-heróis depois de um telefonema crucial para Downey, seu ator preferido. Ele teria dito a ela, ainda relutante, que ‘já está na hora de nós dois fazermos um filme que alguém vai assistir’. “Ha!Ha! Foi isso mesmo. Mas Gwyn é muito generosa de dizer que sou o ator favorito dela. E sim, eu queria muito mesmo fazer algo mais comercial, diveritdo. Para mim, a grande diferença é a vantagem de que, com o tamanho da produção, poderia fazer exatamente o que queria no set. Não houve limites”, conta.

Puxando ferro
Downey parece bem mais musculoso no filme do que na sala do hotel na Cidade do México. É que ele acaba de filmar a nova comédia de guerra de Ben Stiller, em que vive, acredite se quiser, um negro magricela. O ator segue, sim, repleto de surpresas. Uma de suas obsessões após nocautear o vício – sua última temporada na prisão foi em 2001 – é a prática de uma variante de kung-fu. Ele treina diariamente com um professor de wing chun, em casa. “Meu corpo já não é mais o mesmo de dez anos atrás. Agora demora um mês para conseguir um resultado que alcançava em uma semana. Tive, no set, um personal trainer que me ajudou muito. Por outro lado, perco tudo muito mais rápido. Mas disciplina, é sim, mais do que nunca, um elemento-chave de minha vida”, revela, com a certeza de que as seqüências de Homem de Ferro – e, conseqüentemente, as sessões de musculação - não vão demorar a pipocar na tela. Ainda bem.

terça-feira, abril 15, 2008

SnOBAMA

O anti-intelectualismo e o culto à ignorância, cacoete exercido com maestria por boa parte da mídia norte-americana - explodiu esta semana por aqui com uma declaração infeliz do senador Barack Obama. O candidato democrata foi dizer, justamente em San Francisco, a mais liberal das cidades norte-americanas, que compreendia a atitude de parte do eleitorado mais humilde, que fica mais amargo por conta das seguidas derrocadas econômicas geradas pelos governos republicanos. O amargo, Obama seguiu, levava a um sentimento anti-imigrante, uma postura conservadora em relação ao porte de armas e à religião, que os ajudariam a lidar com suas frustrações.

Obama refletia sobre a dificuldade de sua campanha em conseguir o voto das classes menos favorecidas do eleitorado democrata , especialmente dos eleitores brancos de baixa renda, fundamentais para vencer na Pensilvânia na próxima terça-feira. Mas acabou com um senhor abacaxi nas mãos. Foi acusado de elitista e de esnobe, em um discurso - vindo, cuirosamente da campanha de Hillary Clinton, e não do senador John McCain - que procura caracterizá-lo como um produto de consumo da elite liberal. Algo parecido com o que Bush fez com John Kerry (em suas fotos andando de jet-sky no verão de 2004) e com o que Collor fez com Lula no episódio do aparelho de som do operário no debate da Globo em 1989.

Aí em cima seguem os primeiros cartazes que retratam o SNOBAMA, uma brincadeira com o nome do senado e a palavra esnobe em inglês. A munição vem da campanha de Hillary, mas quem está gostando é o senador John McCain. Em pesquisas de hoje do Rasmussen Reports, ele segue à frente na corrida pela Casa Branca - 47% a 43% contra Obama e 48% a 41% contra Hillary.

segunda-feira, abril 14, 2008

Primavera Chegou: Skate

Aqui do lado de casa, na Watchtower Hill, que divide Brooklyn Heights e Dumbo, a galera começou a descer a ladeira de skate. É o sinal de que a primavera chegou mesmo. Ó só:

Smart People, Sex & NY City

Ontem fomos ao cinema e tivemos uma bela supresa. Smart People, ainda sem data de estréia no Brasil, é um destes filmes gostosos de se ver num domingo de tardinha, curtindo o frio da primavera preguiçosa que teima em não chegar. Dennis Quaid está excelente como um professor de literatura inglesa amargurado e ranzinza, que redescobre o prazer da vida via sua ex-aluna, agora médica, Sarah Jessica Parker. Ellen Paige é a filha-exemplar, jovem republicana aparentemente certinha, Thomas Haden Church o tio malandrão e o menino Ashton Holmes é o filho porra-louca do bem. O pior do filme foi o trailer de Sex&the City que gerou reclamações da platéia do velho Cobble Hill Cinemas. Pareceu uma tentativa desvairada de se contar uma história das quatro (nem tão) meninas em duas horas, mas com fôlego para uma edição diária de Carrie (às voltas com o casamento com Big), Charlotte (com a filha chinesa grandinha e finalmente grávida), Samantha (vivendo em Los Angeles, ainda atrás de modelos esculturais) e Miranda (aparentemente lidando com uma traição de Steve). Huum...não pareceu funcionar, não.

Melhor ficar com um gostinho de Smart People, uma delícia de filme. Ó só:

CARTA CAPITAL/Eleições

A Carta Capital publicou esta semana minha reportagem sobre a corrida eleitoral aqui nos EUA e as (muitas) histórias de falcatruas e fraudes nas eleições norte-americanas. A reportagem nasceu de uma conversa que tive com a amiga Maria Rezende, no Humaitá, Rio, quando acompanhávamos, nariz grudado na tevê, os votos na super-terça-feira das primárias democratas.

NOSSO MUNDO


Os Riscos do Tapetão
POR EDUARDO GRAÇA, de Nova Iorque

Raça, gênero, recessão, cobertura universal de saúde, ocupação do Iraque. Enquanto pesquisas de opinião são encomendadas diariamente pelos três principais candidatos à Casa Branca a fim de entender os temas mais caros aos eleitores, a guerra fratricida entre os senadores Barack Obama e Hillary Clinton pelo tíquete democrata voltou as atenções para um dos problemas mais graves da democracia norte-americana - a falta de transparência. “Não dá para saber com exatidão o quão suja as eleições de novembro serão, mas há esta regra oficiosa sobre as eleições aqui nos EUA: quanto mais apertada é a briga, quanto mais expectativas são colocadas nos candidatos e quanto mais poder é concentrado em um mesmo partido em nível estadual, aumentam os riscos de o processo ser mais viciado, com clara manipulação eleitoral”, diz Andrew Gumbel, correspondente do jornal britânico The Independent e autor de Steal This Vote: Dirty Elections and the Rotten History of Democracy.

Lançado em 2005, o livro se transformou em uma espécie de compêndio das mazelas eleitorais nos EUA. Com relatos que vêm desde o século XVIII e chega às duas contestadas vitórias de George W. Bush, Gumbel bate na tecla de que voto justo por aqui sempre foi uma exceção à regra de desmandos, compra de votos e legislação hermética, utilizada pelos dois grandes partidos – tanto republicanos quanto democratas – para manter-se no poder a todo custo. Algo assim como uma República Velha eternizada sob a imagem de maior democracia do mundo ocidental. E as primárias democratas deste ano, com a disputa apertada entre Obama e Clinton, só intensificam os receios do que temem por uma disputa a ser resolvida, mais uma vez, no tapetão. Em Ohio, que acabou dando uma vitória importante para Clinton, a campanha do senador de Chicago denunciou que, nas áreas urbanas, aonde os simpatizantes de Obama eram franca maioria, centenas de eleitores foram informados de que só haviam disponíveis cédulas eleitorais para votar nos candidatos republicanos. Muitos outros voltaram para casa pois seus nomes simplesmente não apareciam nas listas de votação.

O vale-tudo eleitoral de Ohio e a importante vitória de Hillary no Texas não modificaram o tabuleiro de xadrez do Partido Demcorata. A senadora não teria mais como ultrapassar, matematicamente, Barack Obama, nem na contagem dos delegados nem no voto popular. Mas pode ser a ungida na Convenção Democrata de agosto, em Denver, Colorado, se conseguir a maioria dos 796 superdelegados, um colégio eleitoral à parte, formado por governadores, senadores, ex-presidentes, comandantes estaduais do partido e deputados. Na manhã seguinte às chamadas Primárias dos Quatro Estados (Ohio, Texas, Rhode Island e Vermont), Harold Ickes, um dos principais conselheiros de Hillary, avisou que a estratégia da senadora, a partir de agora, seria convencer estes superdelegados – há cerca de 330 ainda não-comprometidos - a anunciarem seu apoio apenas na convenção. “Nós vamos fazer de tudo para convencê-los de que Obama não é o candidato mais forte para enfrentar McCain em novembro”, afirmou. Uma das primeiras reações de Obama foi o discurso, considerado histórico, desta terça-feira, em que repudiou a retórica tida como radical de seu pastor em Chicago, o reverendo Jeremiah A. Wright Jr., e pregou ser o candidato da conciliação racial, que pode levar a nação a uma nova era de congregação e solidariedade. Mas o fato é que, depois de tanto carnaval e de levar milhões às urnas, há o claro risco de que o candidato democrata à presidência seja escolhido pelos caciques do partido.

Risco que deixou enfezado nova-iorquinos que moram em áreas aonde o apoio popular à candidatura Obama não impediu que seus respectivos superdelegados declarassem o apoio a Hillary. Geoff Johnson, morador de Crown Heigts, Judy Goldberg, que vive no mais afluente Park Slope, e Michael O’Regan, de Fort Greene, todas áreas de classe média no Brooklyn, resolveram começar campanhas para pressionar os delegados – no caso os deputados Yvette Clarke e Edolphus Towns - a aceitarem o voto popular e oficializarem o apoio a Obama. “Vai ser suicídio eleitoral se Obama chegar em agosto com mais estados e mais votos populares e os caciques decidirem por Hillary”, disse Johnson, em entrevista ao semanário Village Voice. Os três ameaçam ficar em casa em novembro se as regras herméticas – e pouco democráticas, de acordo com os três simpatizantes da candidatura do senador negro – das primárias Partido Democrata desrespeitarem o voto popular. A confusão é tanta que uma modificação no calendário eleitoral, feita à revelia da presidência do partido, fez com que os delegados de Flórida e do Michigan, dois estados importantes e que penderam para Hillary, sejam desconsiderados na convenção, provocando mais descontentamento entre os eleitores democratas. Os republicanos, unidos em torno da candidatura do senador John McCain, agradecem tanta anarquia.

Andrew Gumbel pondera que os enfezados eleitores não podem ignorar que os superdelegados foram criados, no começo dos anos 80, justamente para que os comandantes do partido tenham a palavra final na escolha do candidato presidencial. “É verdade que as coisas nunca chegaram a este ponto, mas este sistema foi criado para combater candidatos como Jesse Jackson, que tinha uma grande entrada entre os eleitores negros e do sul do país mas não era bem-quisto pelo establishment do partido. Não deixa de ser fascinante o fato de Obama ter conseguido levar os democratas, de forma inédita, a discutir com quem ficar em novembro – o que tem mais votos ou a favorita da cúpula? Ao abrir espaço para esta questão ele já deu um passo importantíssimo em direção à democracia representativa de fato, deixando para trás a velha política do cala-a-boca de cima-para-baixo que sempre imperou nos dois partidos”.

Já pensando na grande batalha de novembro, o The New York Times, jornal mais influente do país, pediu em editorial uma ‘briga justa e limpa’ este ano. O texto começa de forma impiedosa: “Se a história recente nos servir de guia, as eleições deste outono serão manchadas pela supressão do direito de voto e por cínicas e sujas armações eleitorais”. O jornal implora ao Congresso pela aprovação em tempo hábil de projetos de lei que poderiam ‘diminuir os descalabros’ vistos nos últimos anos. Um deles busca suprimir o chamado ‘vote-caging’, quando um candidato de um distrito claramente dominado pelo partido adversário envia pelo correio cartas a fim de confirmar se de fato o tal eleitor vive naquela municipalidade. Se o Correio retornar a carta com a justificativa de que foi ‘impossível contatar o destinatário’, é possível impugnar o direito de voto do cidadão. Em Louisiana, um importante líder republicano confirmou ao NYT que ‘esta é uma estratégia válida para diminuir o peso do voto do eleitor negro, tradicionalmente mais próximo dos democratas’. O projeto do senador democrata Sheldon Whitehouse prevê que, para impedir o voto do eleitor, os fiscais eleitorais precisarão de uma prova real de mudança de localidade ou falecimento.

Irregularidades, incluindo o voto dos mortos, acontecem sem que haja uma Justiça Eleitoral per se. Nos EUA, as questões jurídicas envolvendo qualquer pleito passam pelos governos estaduais. “É uma anomalia o fato de os EUA não terem pelo menos uma comissão eleitoral centralizada que implemente regras gerais para as eleições”, diz Gumbel. O escritor destaca, no entanto, alguns esforços feitos por alguns estados após o fiasco das eleições presidenciais de 2000, em que Al Gore venceu no voto popular mas perdeu para George Bush no colégio eleitoral e levou a briga até a Suprema Corte. Um dos avanços é a obrigação de se aceitar o chamado ‘voto provisório’ (de cidadãos impossibilitados de provar imediatamente sua condição de eleitores por falta de documentação, mais comum em minorias como negros e hispânicos) em todas as jurisdições do país. “Mas isso não é nada frente ao que se precisa fazer para combater a corrupção eleitoral no nível distrital, que segue intensa”, diz o jornalista.

domingo, abril 06, 2008

Retratos do Brasil

A Folha de S.Paulo traz hoje, manchete de domingo (aqui, apenas para assinantes), resultados de pesquisa do Instituto Datafolha realizada em março com 4.044 brasileiros maores de 16 anos em 159 municípios do país. O resultado não assusta, mas confirma o país conservador e preconceituoso. 47% dos entrevistados são favoráveis à aplicação da pena de morte. 76% querem que o consumo de maconha siga proibido por lei, com penalização do usuário. 45% são contrários à união civil entre pessoas do mesmo sexo. Neste último tópico há uma diferença gritante entre os mais jovens (53% dos entrevistados entre 16 e 24 anos são favoráveis à modificação na legislação em benefício dos homossexuais, enquanto entre os com 60 anos ou mais, 62% são contrários). Uma amostra interessante de como pensam, hoje, os eleitores que escolherão em dois anos o sucessor de Lula em Brasília.

segunda-feira, março 31, 2008

Dura Vida de Candidato

No Brasil, eles têm de comer buchada de bode. Aqui nos EUA, jogar boliche. É dura a vida dos candidatos. Obama pagou o mico neste fim de semana no estado da Pensilvânia.

sexta-feira, março 28, 2008

CARTA CAPITAL/Cat Power & Cia.

Falei aqui que estava contando nos dedos para o dia do lançamento do novo trabalho de Cat Power. Acabei indo para o Brasil, as férias foram esticadas, e só fui ouvir o disco com calma quando voltei a NYC. Jukebox é uma delícia. Esta semana saiu minha notinha na Carta Capital sobre a série de discos-tributo aqui nos EUA (que reproduzo abaixo), incuindo o de dona Chan Marshall. Outra descoberta foi a gravação que ela fez para a Radio Inter, da França, na chamada Black Session. Tem uma versão linda de Dark End of the Street. Você pode ouvir tudo aqui. O vídeo, no fim deste post, é da apresentação da moça no programa de Jools Holland. Ela desconstrói lindamente New York, New York.

Covers
Por Eduardo Graça, de Nova Iorque

Homenagens? Songbooks? Há os mais e os menos inspirados, mas o fato é que a combalida indústria musical norte-americana tem visto a emergência de projetos mais próximos dos discos-tributos, levando a uma redescoberta de clássicos e à abertura do baú de influências de artistas já estabelecidos, todos seguindo a receita de sucesso de Patti Smith. A musa punk ainda zanza pelos EUA com a vitoriosa turnê de Twelve, lançado no ano passado, em que apresenta novas versões para coisas como Gimme Shelter, dos Stones, e Smells Like Teen Spirit, do Nirvana. A bela de olhos tristes Chan Marshall (ou melhor, Cat Power) já havia passeado pelos clássicos com The Covers Record, há oito anos, subvertendo Satisfaction. Agora, entre um James Brown (Lost Someone) e uma Joni Mitchell (Blue), ela reinventa a si mesmo com uma interpretação menos recolhida e mais provocadora de Metal Heart, do disco Moon Pix, de 1998. Tão inspirado quando Jukebox é o EP Ask Forgiveness, de Bonnie ‘Prince’ Billy, nome artístico do bardo Will Oldham. Belezas como I Came to Hear the Music, de Mickey Newbury e I’ve Seen It All, de Bjork, se destacam nos 30 minutos de melancolia com a voz de Meg Baird, da banda folk Espers, ao fundo. Menos feliz foi Shelby Lynne, que tentou emular a diva soul Dusty Springfield com seu Just a Little Lovin'. Dois anos e meio depois de seu mais recente CD de inéditas, ela aceitou o conselho de ninguém menos do que Barry Manilow e resolveu passear pelo repertório da legendária vocalista britânica. Mas os arranjos, preguiçosos, jogam o disco para baixo. Crise criativa no mundo da música pop? Cat Power, que abre Jukebox com uma versão da sinátrica New York, New York, refuta a suposição, apostando as fichas em um momento tanto de decadência das majors quanto de inegável liberdade musical – refletido no Brasil com o sucesso de Biscoito Fino, Trama e Dubas, e seus projetos mais intimistas. Ao lançar Jukebox, Power anunciou que já tinha terminado Sun, um CD só com inéditas. Mas avisou que este só chegará aos ouvido dos fãs mais tarde, quando lhe der na veneta. Sinal dos tempos.

EMO?

A imprensa norte-americana começou a dar mais destaque ontem e hoje aos conflitos entre os jovens identificados como 'emos' e os 'anti-emos' em Guadalajara e na Cidade do México. A filha asolecente de uma amiga querida é 'emo' e vive feliz e completamente lampeira no Rio. Se 'emo' é o gótico dos anos 00, por que cargas d'água os punks (como no confronto abaixo, na Cidade do México) têm de implicar com os moços, digamos, mais 'emo'tivos? Eu, hein!

quinta-feira, março 27, 2008

Corpo em NY: crítica negativa

O The New York Times publicou hoje uma crítica bem negativa sobre o espetáculo que o Grupo Corpo apresenta esta semana aqui na Brooklyn Academy of Music (BAM) e que vou conferir amanhã. Para Roslyn Sulcas, o mix de Benguelê, que vi no Municipal do Rio, e Breu, peca pelo exotismo, repetição de movimentos, falta de conteúdo e de emoção. Apesar de destacar os bailarinos fabulosos (especialmente Edson Bezerra e Everson Botelho), a música de João Bosco e Lenine e os figurinos da craque Freusa Zechmeister, Sulcas diz que não há evolução no trabalho do coreógrafo Rodrigo Pederneiras, que segue usando as mesmas estratégias de sedução no palco, com um resultado que pode 'até agradar a platéia, mas está longe de ser arte'. Pegou pesado.

* a imagem acima, belíssima, é de Julieta Cervantes, para o NYT.

terça-feira, março 25, 2008

Mc Cain Cresce

Muito boa a coluna de hoje de David Brooks no NYT. A melhor análise até agora que li sobre o impressionante crescimento da candidatura McCain. É que enquanto os democratas brigam, o republicano que acha que o Irã está treinando terroristas da Al-Qaeda para atacar soldados norte-americanos no Iraque ganha força. Nas últimas duas semanas sua taxa de aprovação cresceu em média 11% nas pesquisas. Ele agora é visto de maneira positiva por 67% dos eleitores (contra menos de 50% para Obama e Hillary). Mais importante: há um mês McCain perdia para Obama entre os eleitores independentes - ou seja, não-vinculados a nenhum dos dois partidos majoritários e que, no fim, decidem a eleição - por uma diferença de mais de dois dígitos. Agora vence o senador de Illnois com folga neste grupo.

O Instituto Rasmussen, que monitora diariamente a corrida presidencial, oferece os seguintes números para esta terça-feira, em pesquisa feita por telefone em todo o país:

Mc Cain 50% x Obama 41%

Mc Cain 48% x Hillary 43%

Se as eleições fossem hoje, o senador republicano pelo Arizona venceria as eleições no voto popular com mais folga do que Bush em 2000 e 2004. É tanto lixo jogado de um lado para o outro entre Obama e Hillary que os republicanos vão conseguindo o que parecia impossível - seguir no governo.

No entanto, como o voto aqui é decidido pelo Colégio Eleitoral, vale prestar atenção em outro cálculo do Rasmussen: hoje 168 votos iriam para McCain e 157 para o candidato do Partido Democrata, com os 141 restantes indefinidos (mas 80 tendendo para os Democratas contra 61 para os Republicanos). São necessários 270 votos para se chegar à Casa Branca e, por aqui, a liderança ainda é da oposição.

sexta-feira, março 21, 2008

Entrevista/MATTHEW McCONAUGHEY

A Contigo! desta semana publicou o bate-papo que tive com o queridíssimo - pois é, surpresa total! - Matthew McConaughey, que é muito mais do que músculos e um corpinho queimado de sol. Ele foi extremamente simpático e conversou tanto sobre sua relação especial com o Brasil quanto sobre o filme Um Amor de Tesouro, que estréia nesta sexta-feira nos cinemas de Rio e São Paulo.

Quase brasileiro

Por Eduardo Graça, de Los Angeles


Muita gente até sabe que o sarado Matthew McConaughey, 38 anos, vai ser papai. E que sua namorada há mais de um ano, a modelo brasileira Camila Alves
, 25, está grávida de cinco meses. O que ninguém ainda sabia é que seu rebento vai se dividir entre o Brasil e os Estados Unidos. Foi o que o ator falou a Contigo!, durante a entrevista exclusiva num hotel à beira-mar em Santa Monica, na Califórnia. "Você é mesmo do Brasil? Oba! Então temos muito o que conversar, não?", ele diz ao repórter, apregoando que a conversa será recheada de simpatia e gentilezas. E foi mesmo! Vestido com uma camiseta verde, jeans e gorro de lã, um simpaticíssimo McConaughey soltou o verbo numa deliciosa conversa, cujo gancho foi seu novo longa, Um Amor de Tesouro, que estréia por aqui na sexta-feira.

Na telona, ele é Ben Finn, um ex-surfista obcecado por um tesouro escondido nas águas do Caribe, que tem como principal parceira de aventura a ex-mulher, Tess, vivida por Kate Hudson (com quem o ator já fez par romântico na deliciosa comédia
Como Perder um Homem em 10 Dias). Assim como Finn, McConaughey é um incorrigível namorador e aventureiro. Entre suas conquistas constam Sandra Bullock, 43, e a bela espanhola Penelope Cruz, 33. E também como seu personagem, ele adora perder horas sobre uma prancha de surfe. Ah, sim, em Um Amor de Tesouro suas fãs não terão do que reclamar: McConaughey aparece sem camisa quase todo o tempo e como veio ao mundo, pelo menos uma vez.

E a brasileiros e brasileiras ele promete mais assiduidade- e não virtualmente, no escurinho do cinema. "Camila e eu pretendemos criar nosso bebê nos dois países. Este ano mesmo baixo no Brasil pela primeira vez! Quero que nossa cria tenha as duas culturas absorvidas de forma natural. E, embora nunca tenha ido ao Brasil, já sou um apaixonado por tudo o que tenha a ver com o país", conta ele, abrindo seu indefectível e imenso sorriso.


Ao assistir a Um Amor de Tesouro me lembrei de imediato de Tudo por uma Esmeralda, o clássico romance de aventura com Michael Douglas e Kathleen Turner..
Mas é isso mesmo! Esta foi uma de nossas primeiras referências. Queríamos fazer uma comédia de aventura, mais do que uma comédia romântica. No nosso filme, você nunca sabe se os mocinhos vão ficar juntos no final, é muito mais importante resolver o mistério do tesouro. Há tiros para todo o lado, há ação o tempo todo e o tom da nossa comédia talvez seja mais mordaz e menos 'engraçadinho'. O filme é tão de aventura que o litoral australiano, onde filmamos- apesar da trama ser no Caribe -, virou um personagem da história. Aliás, esta foi uma das partes mais interessantes de fazer o filme. Adoro viajar e a Austrália é linda!

Você que gosta tanto de viajar já teve a chance de ir ao Brasil?
Ainda não fui ao Brasil, você acredita? Mas irei lá muito em breve. Nosso (dele e de Camila) próximo projeto de férias é fazer uma grande viagem pelo Brasil. Iremos com certeza a Belo Horizonte, que é a cidade em que Camila nasceu, e depois iremos ao litoral. Quero muito ver algumas fazendas que ficam próximas à costa, como na Bahia. Esta combinação de fazenda e litoral é importantíssima para Camila. Sua noção de elegância vem dessa confluência e não vejo a hora de ver essa geografia com meus próprios olhos. Camila anda muito empolgada com a linha de acessórios dela, a MY MUXO, e pensamos no quanto este trabalho é fruto da maneira como ela foi criada: por um pai fazendeiro e uma mãe designer, por esta junção de Minas e Bahia. A junção do prático com o que é da moda, algo bem singular. Quero ver Minas e Bahia já (risos)!

Tanta empolgação pode levar vocês a criar seu rebento no Brasil?
Camila e eu queremos que nossa criança tenha muito da cultura brasileira, que acho fenomenal. Para começo de conversa, queremos que ela aprenda português e seja bilíngüe. Minha família vive no Texas e nossa casa será lá, onde tenho um ranchinho. Mas sempre quis viajar para o Brasil e agora tenho o melhor dos motivos para transformar o país em minha segunda morada. E estou empolgadíssimo de aprender mais sobre o Brasil junto com minha criança. Isso é sensacional! Desejamos muito que nosso bebê tenha uma certa textura brasileira.

Você diria que o fato de Camila ser brasileira ajudou no romance?
Minha atração por Camila surgiu antes de eu saber que ela era brasileira (risos). Mas hoje vejo que não foi acidental ela ser de onde é. Há uma visão romântica do Brasil que eu, é claro, como típico gringo, compartilho. Mas o que eu já percebo, via Camila, é que há uma celebração da vida muito peculiar, uma idéia clara do que significa ser brasileiro e o orgulho de celebrar com alegria sincera rituais como os do Ano Novo e do Carnaval. Dança, boa comida, comunidade, cantar no meio da rua sem ter medo de cara feia (risos).

Você também pretende se inteirar mais das mazelas do Brasil, como a miséria e a deficiência educacional?
Sim, Camila tem trabalhado muito com comunidades carentes em Minas e estamos começando a erguer os alicerces para criar uma fundação que atuará nas favelas brasileiras. A idéia é trabalhar com crianças entre 10 e 18 anos, oferecendo-lhes oportunidades. Faço um trabalho similar com garotos de Los Angeles e do Texas. Ainda não sabemos detalhadamente como vai funcionar, mas será um trabalho voltado para a questão educacional de base, ajudando crianças a se transformarem em cidadãos responsáveis.

terça-feira, março 18, 2008

JUMPER

A Folha de S.Paulo publicou ontem, na capa do suplemento Folhateen, a entrevista que fiz com os jovens atores Hayden Christensen e Rachel Bilson, estrelas do filme Jumper, que estréia nos cinemas brasileiros no dia 28:

Ó só como ficou:

cinema

Fama de bonzinhos

Longe de encrencas e reclusos no conforto de suas casas, os atores Hayden Christensen e Rachel Bilson se unem no cinema

Divulgação
Hayden Christensen vive um sujeito que se teletransporta em "Jumper"


EDUARDO GRAÇA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

Hayden Christensen, 26, nunca quis se mudar para Hollywood e, mesmo depois de viver o jovem Darth Vader em "Star Wars - Guerra nas Estrelas", evita o assédio das fãs passando a maior parte do ano com sua família em Toronto e zanzando pela fazenda que acabou de comprar no seu Canadá natal. Rachel Bilson, 26, a eterna Summer Roberts do seriado "The O.C.", gosta de cozinhar para amigos, passear por Los Angeles com seu cão mastim e adora esportes eqüestres. De certa maneira, eles são o casal mais improvável para estrelar um filme de ação. Mas os dois foram a primeira surpresa da temporada pós-Oscar nos EUA. "Jumper", que estréia dia 28 nos cinemas brasileiros, com direção de Doug Liman ("A Identidade Bourne" e "Sr. e Sra. Smith"), faturou US$ 72 milhões em quatro semanas, igualando seu custo. Será que os bons meninos atraem mais público do que as complicadas divas malvadas de Hollywood, como Lindsay Lohan e cia.?

Com 1,60 m de altura e um vestidinho de babado violeta, Rachel Bilson é uma figuraça. Durante a entrevista, concedida a jornalistas em Manhatan, ela ri e faz rir o tempo todo. Como ela nunca viu a nova seqüência de "Guerra nas Estrelas", estrelada por Hayden, tornou-se a vítima preferencial das gozações de um elenco predominantemente masculino, que conta ainda com Jamie Bell (de "Billy Elliot"), Diane Lane e Samuel L. Jackson. "Não é que não goste, mas é que vejo muito mais filmes dos anos 80 no vídeo de casa, coisas como "Filadélfia", por exemplo", explica.

Sério, com um casaco negro, suéter marrom e calça jeans, Hayden Christensen demora um pouco mais para revelar sua faceta garotão cuca-legal.

Em "Jumper", ele vive David Rice, que tem a capacidade de se teletransportar para qualquer parte do globo. "Meu personagem não é um típico super-herói, nem está tentando fazer algo de muito nobre. Seu poder é basicamente a capacidade de escapar de qualquer perigo. Não há absolutamente nada de heróico sobre o David, ele quer apenas se divertir às pampas", conta Hayden. Diversão não parece ser o forte do ator, mais interessado em investir suas energias em sua fazenda, onde planta vegetais orgânicos e, em breve, começará a criar animais.
"Sei que as pessoas às vezes questionam minhas escolhas, ficam dizendo que faço filmes menores ou que decido passar tempo demais relaxando em minha fazenda. Nem ligo. E às vezes gostaria mesmo era de poder me transportar diretamente do tapete vermelho para o campo", brinca o tranqüilão.

"Nunca dirijo depois de beber"

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

Leia a seguir a entrevista com Rachel Bilson. (EG)

FOLHA - Como foi fazer par romântico com Hayden?
RACHEL BILSON
- Um barato! Ele é um durão, sabe? O David, personagem dele, passa por poucas e boas no filme, então ele é exigido fisicamente de uma maneira insana. E ele nunca reclamou de nada, o que achei admirável. Eu, que não tinha de passar por metade do que ele passou, faço muito a linha: "Ei, estou cansada!. Está na hora de parar!" (risos).

FOLHA - Parece que os meninos do Panic at The Disco andam dizendo em entrevistas que não entendem por que a gata mais quente de Hollywood segue solteira. Eles se candidataram a ocupar o posto de namorado da vez...
RACHEL
- [Caindo na gargalhada!] Que hilário! Sério? Adorei, mas preciso confessar que não conheço muito o som deles.

FOLHA - Muita gente adorava "The O.C." justamente pela trilha sonora. Você curte que tipo de música?
RACHEL
- É verdade, essa era uma das facetas mais legais de "The O.C."! Olha, curto os clássicos, sou macaca de auditório de Bob Dylan e de Neil Young. E música sempre ajuda na hora de construir o meu personagem. Pode parecer óbvio, mas durante "Jumper" eu ouvia o tempo todo "Jump", da Madonna. Mas também curto Eminem. Sou uma branquela que adora hip hop.

FOLHA - Com a Summer de "The O.C." você se tornou um modelo para garotas interessadas na cultura fashion. Algum conselho para elas?
RACHEL
- Acho que o importante é ser criativa e original. Criem o seu próprio estilo e não aceitem virar clones do que a moda dita. Acho que eu, por exemplo, sou uma garota-acessório. Sou boa em escolher chapéus, cachecóis, bolsas. É o meu forte. E você sempre pode usar o básico, uma camiseta e um jeans, e investir nos acessórios! É um bom truque. Também sou louca por brechós.

FOLHA - Você sofreu um acidente de carro bem feio quando tinha 13 anos, se divertindo com um grupo de amigos da pesada. Parece exatamente a imagem oposta da que você passa hoje em Hollywood.
RACHEL
- Engraçado, foi um momento fundamental na minha vida, para pensar mesmo o que queria fazer com ela. Afetou minha memória, foi assustador mesmo, mas hoje penso que foi algo positivo, apesar de ter ficado dois dias no hospital.

FOLHA - Os jovens atores de Hollywood estão mais interessados em curtir a vida adoidado do que em construir uma carreira sólida. Como você faz para ser uma exceção?
RACHEL
- Para começo de conversa, nunca dirijo depois de beber! Não vou aqui julgar ninguém, mas é que esse simplesmente não é o meu estilo de vida. Gosto de passear com meu cachorro, cozinhar em casa para os amigos, ver um filmezinho no conforto de meu sofá. Gosto cada vez mais da idéia de caminhar com suavidade para a vida adulta. É isso!

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"Tenho uma fazenda orgânica"

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

Leia a seguir a entrevista com Hayden Christensen. (EG)

FOLHA - Quando leu o roteiro de "Jumper", não ficou com medo de a reação do público ser: "Lá vem ele fazendo outro filme de fantasia"?
HAYDEN CHRISTENSEN
- Para ser sincero, quando recebi o telefonema de meu agente dizendo que tinha esse filme, eu imediatamente pensei: "Já fiz minha dose de ficção científica em Hollywood!". Mas, quando soube que Doug Liman iria dirigir, me empolguei. Adoro "Identidade Bourne", onde ele subverteu o conceito de filme de espionagem.

FOLHA - Há rumores de que você e Rachel se apaixonaram enquanto filmavam "Jumper".
HAYDEN
- Jura? Nãããoo! Olha, sempre existem esses rumores. E minha atitude é simplesmente não falar sobre boatos.

FOLHA - Então conta como foi gravar com a Rachel. Vocês se deram bem no set de filmagem?
HAYDEN
- Sim! Nos demos muitíssimo bem. Ela é uma menina especialmente doce.

FOLHA - Quando você não está filmando, o que faz para se divertir?
HAYDEN
- Recentemente eu comecei a me enveredar pelo mundo maravilhoso da jardinagem. Tenho uma fazenda orgânica uma hora ao norte de Toronto, no Canadá. Passei meu último verão lá, comprando brinquedinhos como tratores, cavando buracos, plantando, plantando. Hoje tenho apenas cenouras e tomates, mas quero eventualmente criar animais. Tenho me divertido muito na fazenda.

FOLHA - De onde surgiu essa vontade de virar fazendeiro?
HAYDEN
- Meus pais tinham uma fazenda quando eu era criança perto de Quebec e, até os oito anos, passava todos os verões por lá. Recentemente minha irmã comprou um sitio, gostei da área e fiquei pensando em fazer o mesmo. Esse movimento me leva de volta para aquela época em que saía da cidade e vivia no campo, com liberdade, durante todo o verão. Mas tenho outros interesses também.

FOLHA - Por exemplo?
HAYDEN
- Estou aprendendo a pilotar. Quero tirar meu brevê logo. Doug adora voar e agora que ficamos amigos ele me liga assim do nada e me pergunta o que estou fazendo no fim de semana. Ele então me pega na fazenda com seu aviãozinho, tem um aeroporto pequeno ao lado de minha propriedade, e saímos para voar. Ele é corajoso, pois me deixa pilotar aqui e acolá!

FOLHA - E o fazendeiro voador se sente confortável sabendo que é símbolo sexual para milhões de adolescentes mundo afora?
HAYDEN
- Isso simplesmente não me afeta. Em nada. É que não leio as revistas de celebridades, quase não vejo televisão, nem sequer tenho computador em casa!
Mas acho que é especialmente difícil comentar sobre este tópico, falar sobre meu poder de atração ou coisa assim...é muito estranho, cara!

BAIXARIA X BOM COMPORTAMENTO

Conheça as jovens artistas que circulam por Hollywood

As "bad girls"

Misha Barton
a Marissa de "The O.C." é o oposto de sua ex-parceira Rachel Bilson. Na virada do ano, ela foi parar no xilindró depois que dois policiais descobriram seu carro ocupado duas faixas de tráfego às duas da madrugada em uma importante avenida de West Hollywood, em Los Angeles. Misha foi acusada de dirigir sob efeito de álcool e uso de maconha

Lindsay Lohan
É a campeã das campeãs nos quesitos baixaria e auto-exposição. Depois de aprontar todas, de aparecer na capa dos tablóides machucada dentro de um carro que havia dirigido depois de uma noitada daquelas, tentou uma volta por cima posando tal qual Marylin Monroe em seu ensaio fotográfico derradeiro na capa da semanal "The New York". O tiro saiu pela culatra: foi achincalhada pela crítica e agora só se fala nela por conta do reality show que promete contar a história de sua família complicada, com o pai ausente e a mãe carreirista e ambiciosa

Britney Spears
De festeira de ocasião virou, aos 26 anos, a santa-padroeira das gordinhas de pileque. Pagou um mico sem tamanho no MTV Awards ao fazer mímica de si mesmo no palco e perdeu a guarda dos filhos para o marido Kevin Federline depois de aparecer drogada e com tudo à mostra seguidamente nos tablóides americanos. É a mais triste -e bagaceira- das meninas más

Nicole Richie & Paris Hilton
A filha adotiva de Lionel Richie formava até bem pouco tempo uma dupla inseparável com Paris Hilton, herdeira da fortuna da rede de hotéis. As duas dividiram namorados, fizeram vídeos quentíssimos que foram parar na internet, foram parar na cadeia e nunca trabalharam na vida, a não ser no reality show que dividiam na MTV. Em janeiro, Richie deu a luz a Harlow, sua filha com Joel Madden. E agora Hilton quer lançar um novo programa de tevê, em que meninas competem para se tornar a nova Nicole de sua vida. Uma das precondições, certamente, é ter fôlego para agüentar o pique de Paris nas baladas mundo afora.

Garotas do bem

Rachel Bilson
Ela diz que é uma chatonilda de galocha e que por isso nunca aparece nas revistas de fofoca. Mentira. Quando quis deixar a imagem de adolescente riquinha para trás, após o fim de "The O.C.", Bilson foi alvo dos paparazzi interessados em fotografá-la com suas novas roupas, mais sexies, mais curtas e... foi só! Nada de bebedeiras, drogas ou carros velozes.

Anne Hathaway
Ela é a queridinha da imprensa séria americana, considerada uma espécie de nova Audrey Hepburn. E com sua ponta inspirada em "O Segredo de Brokeback Mountain" ela provou que não precisa se prender a tramas mais leves como a de "O Diabo Veste Prada". Seu ponto fraco é o namorado -o mulherengo Raffaelo Folieiri, um dos meninos de ouro do pungente mercado imobiliário nova-iorquino, que está sendo processado pelo magnata dos supermercados Ron Burkle por ter alegadamente usado de forma pouco católica US$ 55 bilhões em investimentos do bilionário, amigo-irmão de Bill Clinton

Emma Watson
A atriz britânica se confunde com o personagem que interpreta desde o primeiro filme da saga Harry Potter. Sua Hermione, séria, sabe-tudo e estudiosa, mas sem perder a ternura jamais, já serviu até de paralelo para Hillary Clinton em sua campanha à presidência dos EUA. Suas brincadeiras no set de gravação com o diretor Alfonso Cuarón, que a considera um ótimo papo, só aumentaram o seu quociente de bom-mocismo em Hollywood

Mandy Moore
Ela caiu na vida artística atravessando os EUA com os Backstreet Boys, namorou Wilmer Walderrama (o Fez de "That 70's Show", por sua vez ex de Lindsay Lohan) e o tenista-galã Andy Roddick e é amiga dos Osbourne. Ou seja, tinha tudo para estar no grupo das moças mais sapecas. Mas Moore, 23, é a rainha da honestidade. Chegou ao ponto de pedir desculpas aos fãs por seu primeiro álbum, que lançou aos 14 anos. "Era uma titica", disse, resignada, e garantiu, envergonhada, que dias melhores virão. E oferecendo o dinheiro de volta para os que compraram o disquinho!

Abigail Breslin
Ela só tem 11 anos, mas entrou no circo de Los Angeles para ficar depois de uma aparição estelar em "Pequena Miss Sunshine". Mas a menina, que ainda ama brinquedos de pelúcia, é criada com rédea curta pela família. A mãe a acompanha em todas as entrevistas e ela não vai nem ao colégio para evitar as más companhias -estuda em casa, com tutores e tendo como principais professores a mãe e o irmão, o também ator Spencer Breslin, 15.