sábado, maio 17, 2008

Marina

Por aqui pegou muito mal a notícia da saída da ministra Marina Silva do ministério do Meio-Ambiente. Todos os jornais lamentaram a perda da maior responsável pela mudança de atitude do chamado primeiro mundo em relação ao Brasil quando se trata de proteção à floresta amazônica e ao verde. Até agora o texto que mais me chamou a atenção sobre o pedido de demissão de Marina foi o de seu ex-colega de Planalto no primeiro governo Lula, Frei Betto, publicado ontem na Folha:

Querida Marina
FREI BETTO

CAÍSTE DE pé! Trazes no sangue a efervescente biodiversidade da floresta amazônica. Teu coração desenha-se no formato do Acre e em teus ouvidos ressoa o grito de alerta de Chico Mendes. Corre em tuas veias o curso caudaloso dos rios ora ameaçados por aqueles que ignoram o teu valor e o significado de sustentabilidade.

Na Esplanada dos Ministérios, como ministra do Meio Ambiente, tu eras a Amazônia cabocla, indígena, mulher. Muitas vezes, ao ouvir tua voz clamar no deserto, me perguntei até quando agüentarias.


Não te merece um governo que se cerca de latifundiários e cúmplices do massacre de ianomâmis. Não te merecem aqueles que miram impassíveis os densos rolos de fumaça volatilizando a nossa floresta para abrir espaço ao gado, à soja, à cana, ao corte irresponsável de madeiras nobres.


Por que foste excluída do Plano Amazônia Sustentável? A quem beneficiará esse plano, aos ribeirinhos, aos povos indígenas, aos caiçaras, aos seringueiros ou às mineradoras, às hidrelétricas, às madeireiras e às empresas do agronegócio?

Quantas derrotas amargaste no governo? Lutaste ingloriamente para impedir a importação de pneus usados e a transformação do país em lixeira das nações metropolitanas; para evitar a aprovação dos transgênicos; para que se cumprisse a promessa histórica de reforma agrária.

Não te muniram de recursos necessários à execução do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, aprovado pelo governo em 2004.


Entre 1990 e 2006, a área de cultivo de soja na Amazônia se expandiu ao ritmo médio de 18% ao ano. O rebanho se multiplicou 11% ao ano. Os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectaram, entre agosto e dezembro de 2007, a derrubada de 3.235 km2 de floresta.


É importante salientar que os satélites não contabilizam queimadas, apenas o corte raso de árvores. Portanto, nem dá para pôr a culpa na prolongada estiagem do segundo semestre de 2007. Como os satélites só captam cerca de 40% da área devastada, o próprio governo estima que 7.000 km2 tenham sido desmatados.

Mato Grosso é responsável por 53,7% do estrago; o Pará, por 17,8%; e Rondônia, por 16%. Do total de emissões de carbono do Brasil, 70% resultam de queimadas na Amazônia.

Quem será punido? Tudo indica que ninguém. A bancada ruralista no Congresso conta com cerca de 200 parlamentares, um terço dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.


E, em ano de eleições municipais, não há nenhum indício de que os governos federal e estaduais pretendam infligir qualquer punição aos donos das motosserras com poder de abater árvores e eleger ($) candidatos.


Tu eras, Marina, um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a tua demissão, os agressores do meio ambiente, os mesmos que repudiam a proposta de proibir no Brasil o fabrico de placas de amianto e consideram que "índio atrapalha o progresso".


Defendeste com ousadia nossas florestas, nossos biomas e nossos ecossistemas, incomodando quem não raciocina senão em cifrões e lucros, de costas para os direitos das futuras gerações. Teus passos, Marina, foram sempre guiados pela ponderação e pela fé.


Em teu coração jamais encontrou abrigo a sede de poder, o apego a cargos, a bajulação aos poderosos, e tua bolsa não conhece o dinheiro escuso da corrupção.

Retorna à tua cadeira no Senado Federal. Lembra-te ali de teu colega Cícero, de quem estás separada por séculos, porém unida pela coerência ética, a justa indignação e o amor ao bem comum.

Cícero se esforçou para que Catilina admitisse seus graves erros: "É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia.
Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?"

Faz ressoar ali tudo que calaste como ministra. Não temas, Marina. As gerações futuras haverão de te agradecer e reconhecer o teu inestimável mérito.


CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, o Frei Betto, 63, frade dominicano, escritor e assessor de movimentos sociais, é autor de, entre outras obras, "A Obra do Artista Uma Visão Holística do Universo". Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).

sexta-feira, maio 16, 2008

Na Prateleira: Richard Price

A Bravo! deste mês traz uma resenha minha sobre o mais recente livro do escritor norte-americano Richard Price, Lush Life, que está na minha estante. É daqueles livros que vai dando uma pena quando a gente está próximo do fim...

O texto:

Volta ao Mundo

Nova York


Em Lush Life, o romancista Richard Price desafina o coro dos que festejam Manhattan como um lugar seguro

Por Eduardo Graça, para a Bravo!

Recentemente, o roteirista e escritor Richard Price apareceu na revista Time assinando um manifesto com outros colegas. Alarmados pela revelação de que 1 em cada 100 norte-americanos está na cadeia, os manifestantes convocaram a população a protestar contra a existência de “duas Américas”, que só se esbarram nas páginas de crimes dos jornais. Ou em livros como Lush Life, que Price acaba de lançar e que ainda não tem data para chegar ao Brasil.

O olhar azedo sobre as últimas quatro décadas de vida nas grandes metrópoles dos EUA, quando a chamada “guerra às drogas” travestiu-se de “guerra aos pobres”, é o pano de fundo do romance. Lush Life (algo como Vida Opulenta) conta a história de Eric Cash, 35 anos, gerente de um café e escritor frustrado que mora na região de Manhattan conhecida por Lower East Side, onde “aos 30 anos você já parece ter 50”. Ele é suspeito de um crime que, aparentemente, não cometeu.

Ao deixar o batente às quatro da madrugada – acompanhado de um outro funcionário do café, Issac “Ike” Marcus, e de Steve, um amigo de “Ike”, que está completamente alcoolizado –, sofre um assalto por parte de dois jovens mal-encarados, possivelmente moradores de um dos muitos conjuntos habitacionais da ilha. “Ike” reage à abordagem com a frase “Hoje não, meu amigo” e acaba baleado. Morre no ato. Como ninguém mais viu os marginais, e uma das testemunhas estava sob o efeito do álcool, é preciso acreditar na palavra de Cash. Ou não.

A exatidão crua das falas de seus personagens e o pendor cinematográfico do livro levaram outro célebre romancista, Dennis Lehane, autor de Sobre Meninos e Lobos, a afirmar que, com Lush Life, Price se torna o escritor que melhor elaborou diálogos em toda a história da literatura norte-americana. Russell Banks, de Temporada de Caça e O Doce Amanhã, foi além. “Price”, escreveu, “é o nosso Balzac pós-moderno”. Exageros à parte, o que prende a atenção do leitor é a sensação de que o roteirista do filme A Cor do Dinheiro nos leva pela mão através dos labirintos de uma cidade escondida dentro da cidade. Ele atua como o cicerone de uma Manhattan sem brilho, a antítese da metrópole “seguríssima” proclamada pelos guias turísticos e pelos políticos. Um lugar ainda pulsante de vida subterrânea, desejos primários, cobiça e muita injustiça social.

quarta-feira, maio 14, 2008

Hollywood: duas irmãs, aos 90, ainda não se topam


Genial a reportagem de Rupert Cornwell que abre a página de Cultura do The Independent desta quinta-feira (já é dia em Londres). Quem diria que Olivia de Havilland e Joan Fontaine ainda se detestam, aos 90? E que a rivalidade voltaria à tona por conta de ...Bette Davis!

Toda a deliciosa fofoca das nonegenárias de Hollywood (muito mais interssantes do que Britneys & Lindsays) aqui, infelizmente apenas em inglês:


Sibling rivalry: Hollywood's oldest feud

Screen legends Olivia de Havilland and Joan Fontaine have always had one problem: each other. Now in their nineties, the antagonism goes on. Rupert Cornwell reports
Thursday, 15 May 2008


Whatever happened to Olivia and Joan? Olivia de Havilland and Joan Fontaine that is, among the brightest jewels of 1940s Hollywood, Oscar-winners both but also sisters locked into an ancient sibling rivalry that, according to accounts from the tinsel city, is alive and well even though both are now in their 90s, grandes dames from a vanished era.
Eight decades or more, you would have thought, is time enough to let bygones be bygones. But in this sad, remarkable but all too human instance, the answer appears to be, no. A couple of weeks ago, the Academy of Motion Pictures which organises the Oscars held a bash honouring the late actress Bette Davis on the 100th anniversary of her birth. In so doing, they unwittingly laid bare this celebrity feud for the ages.

Naturally, Joan and Olivia, among the closest surviving contemporaries of Bette Davis were invited. According to insiders, Olivia – who lives in Paris – at first let it be known she could not manage so long a trip. Upon learning her sister would not be coming, Joan agreed to attend. Then Olivia decided after all she would be there in person to commemorate Davis, her friend with whom she had worked in films such as Hush Sweet Charlotte. So Joan in the end took a pass. There are some wounds, it seems, that time cannot heal.


That Bette Davis was indirectly responsible for this latest contretemps, is fitting. If the real-life sibling rivalry between Hollywood stars has any equivalent on the silver screen, it is in the brilliantly macabre Whatever Happened to Baby Jane? that Davis made in 1962 with a rival of her era, another Joan, this one Joan Crawford.
In the film, Davis plays Jane, the star child actress, fallen on booze and hard times, who is fated to have to look after her elder, far more successful, but now crippled famous sister Blanche. Neither Olivia de Havilland nor Joan Fontaine of course ever lost their lustre, nor have they ever behaved to each other with the sadism and criminal intent manifested by Jane and Blanche. On the other hand, even in their bitter declining years, Jane and Blanche were striplings by comparison.

Olivia and Joan were born to an English couple just one year apart in Tokyo, in 1916 and 1917. The father was a patent lawyer, their mother an actress. Both girls suffered from ill health, and when Olivia was just two, the family moved to California, where her parents divorced and the father returned to Japan.
By the time she was 19, both Joan (who had by now taken the stage name of Fontaine) and Olivia were already starting to make a name for themselves in Hollywood. They were not only setting out on glittering careers, but with each successive step up the ladder of stardom more salt seems to have been rubbed into the raw emotions that by all accounts had divided them from their childhood.

An industry as dynastic and interconnected as Hollywood has had its share of feuds, but the Fontaine/de Havilland estrangement is one for the ages. Theirs is no petulant exchange of talcum powder, forgiven or forgotten the next morning. For seven decades, maybe nine decades, it has separated two of the leading actresses of their generation.
They were the first sisters to win Oscars, and the first to be nominated for best actress in the same year, a co-incidence that repeated itself in 1965 with Lynn and Vanessa Redgrave. In that particular family there was no feud, and in any case neither Redgrave won. Not so in 1941. The previous year, Joan had been nominated for her role as the sweet and unworldly second Ms De Winter in Alfred Hitchcock's masterpiece Rebecca, based on the novel by Daphne du Maurier. Indeed, the feud between the sisters may have been sealed at that moment. One story is that both were chasing the part, and Joan got it. In the event, the Oscar went to Ginger Rogers, but within 12 months they were in contention again, Joan for her role in Suspicion, her second film with Hitchcock, and Olivia for Hold Back The Dawn. The award was presented by Rogers, and the winner was ... Joan Fontaine. Years later, Joan would remember how she froze as her name rang out, with her older sister sitting next to her.

As Olivia told her to "Get up there," Joan burst into tears, she wrote of the moment. All the resentments and jealousies of an uncomfortably shared childhood returned; "the hair-pulling, the savage wrestling matches, the time Olivia fractured my collar bone, all came rushing back in kaleidoscopic imagery. My paralysis was total ... I felt age four, being confronted by my older sister. Damn it! I had incurred her wrath again."


Such feuds, of course, make glorious copy. The imagined tiffs between Brad Pitt and Angelina Jolie are fodder enough for today's supermarket tabloids. But imagine the coverage if Jolie and, say, Gwyneth Paltrow were siblings, and truly at each other's throats. That is the star megawattage of the two de Havilland sisters in their day.
In a historical context, it is even more remarkable. If Rebecca was indeed the match that lit the fuse of rivalry, the sisters have been at it since Hitler invaded France. But by Joan's account, the feud extends from the 1920s; in other words they were fighting with each other when Charles Lindbergh first flew the Atlantic.

Of course, the quarrel may have been exaggerated on occasion for publicity purposes; Joan at one stage claimed the whole thing had been cooked up by studio PR people. But the events on that same Oscars stage five years later suggest otherwise.
In 1946 Olivia was nominated again, for To Each His Own, and this time she won. The prize was to have been presented by Joan Crawford. But Crawford pulled out, and the Academy, perhaps believing that there could be better setting for reconciliation, replaced her with Fontaine. So Joan it was who called her sister's name, and Olivia stepped up to the podium. The grudge match, you might have thought, was over, but it was not. Anyone expecting a soft hug of reconciliation, now that honours were finally even, watched as Olivia even refused to shake her younger sister's hand. In 1949, Olivia won a second Oscar, for her role in William Wyler's The Heiress. But the ancient enmity persisted. By 1975, it is said, they were no longer on speaking terms, after Olivia did not invite Joan to a memorial service for their mother. That was Joan's version. Olivia says she did invite Joan, who was too busy to attend.

In 1987, both were invited to the Oscars awards ceremony in its 60th anniversary year. Instead, the story goes, someone made the error of booking them in next door to each other at the Four Seasons hotel, prompting Joan to have her room switched. Later she was stuck in limo gridlock as she arrived for the ceremony, and was forced to get out and walk, "This is the last Oscars show for me," she is reported to have said. "From now on they can muck it up for themselves."


Today, these legends of the silver screen are 91 and 90 years old. Olivia is the last surviving major cast member of the 1939 epic Gone With The Wind (in which she won her first Oscar nomination, for the part of Melanie, only to be beaten out by Hattie McDaniel, the first black actress to be so honoured). Olivia has been based in Paris since the 1950s, while Joan, apparently in better health, lives in Carmel, California, where she is sometimes seen out with five dogs.


But why can't they make up? Despite Whatever Happened to Baby Jane? most movies heal such rifts in the final reel. But for a couple of nonagenarians, the "happy ending" possibilities are running low. But then again, life can be more complicated, more untidy, and on occasion just plain nastier than the movies.
Siblings can share love, or they can drift apart. But they cannot be indifferent to each other. If they don't get on, the ability to get on each other's nerves, and thus to press their mutual rage button, is encoded in their genes.

Charles Higham, in his 1987 biography, Sisters: The Story of Olivia De Havilland and Joan Fontaine, says Olivia never got used to the idea of a younger sister. She would, apparently, rip up her old clothes that Joan was supposed to wear as hand-me-downs, forcing her to stitch them back together. Joan is said to have resented what she saw as her mother's favouritism for Olivia.
This volatile mix was stirred into the dog-eat-dog, celebrity culture of the movie industry, where the greatest feat of all is to retain a sense of proportion. For Olivia de Havilland and Joan Fontaine, that task proved too great.

Edwards Anuncia Apoio a Obama

O ex-senador John Edwards, que fez uma belíssima campanha à presidência e deixou vários eleitores órfãos quando abandonou a corrida eleitoral, acaba de anunciar seu apoio ao senador Barack Obama. A declaração de apoio (abaixo, no vídeo) é uma grande vitória para o político do Illinois. Edwards acrescenta a Obama mais delegados e o apoio de sindicatos, boa parte dos trabalhadores, e da classe média-baixa branca, até agora mais próxima de Hillary.

segunda-feira, maio 12, 2008

W, por Oliver Stone

O fim de semana por aqui foi todo da primeira-família. Nos tablóides, apareceram as fotos do casamento de Jenna, uma das gêmeas de George e Laura. Novas pesquisas deram conta que quase 80% dos norte-americanos acreditam que o país está sendo governado de forma equivocada. Mas o melhor estava na EW, que trouxe com exclusividade as primeiras fotos - e detalhes - de W, o filme que Oliver Stone quer lançar às vésperas das eleições, neste outono.

A capa traz Elizabeth Banks como a primeira-dama Laura e um irreconhecível Josh Brolin (estrela de Onde os Fracos Não Tem Vez, dos irmãos Coen) como o homem que chegou à Casa Branca em 2000 apesar de ter recebido menos votos do que Al Gore. O enteado de Barbara Streisand está usando uma prótese no nariz para ficar mais parecido com George W. Bush. É de arrepiar!

O repórter Benjamin Svetkey acompanhou as primeiras movimentações da produção do longa (que deve completar a trilogia de presidentes de Stone, responsável por JFK e Nixon) nos cafundós da Louisiana. O roteiro - assinado por Stone e Stanley Weiser (de Wall Street - Poder e Cobiça) - ainda está sendo azeitado, mas algumas cenas já vazaram para a imprensa, tais como:

* o presidente se engasgando e quase sufocando com um pretzel enquanto acompanhava uma partida de futebol-americano na tevê

*  dando apelidos a Condolezza Rice ('guru') , Colin Powell ('pé-chato') e Karl Rove ('turd-blossom', uma flor que dá no Texas e cresce aonde há uma grande concentração de esterco) no meio de uma reunião para definir como seria feita a invasão do Iraque.

* aos 26 anos, embriagado, estacionando o carro no gramado de seus pais e gritando insultos contra o pai 'certinho'.

* anos depois, quase protagonizando um acidente fatal ao pilotar um jatinho alcoolizado.

* brigando com Dick Cheney e dizendo que 'quem decide é ele'.

* tentando convencer Tony Blair de que uma boa idéia para se provocar uma guerra com o Iraque seria mandar um avião da Força Aérea norte-americana com as cores da ONU para atacar Bagdá de supresa ou, no caso de ter de usar um Plano B, 'simplesmente assassinar o filho-de-uma-égua do Saddam'.

* quando seu pai é eleito presidente, ele confessa a Laura que 'no fundo queria que ele tivesse perdido a eleição para o democrata Michael Dukakis'. É que agora ele 'jamais sairia da sombra do pai'.

* quando a França decide denunciar a invasão do Iraque, em 2003, Bush solta palavrões contra Jacques Chirac, a quem nunca suportou.

* em 1999, governador do Texas, ele diz a um tele-evangelista que 'a verdade é que eu não tenho o menor interesse em concorrer à presidência, mas sinto que Deus quer que eu seja o novo presidente e eu devo concorrer. Eu tenho que concorrer!".

* em uma conversa com Prince Bandar, o embaixador da Arábia Saudita em Washington, Bush confessa que desde a invasão do Iraque ele abandonara os doces. "É meu sacrifício pessoal para mostrar o apoio moral que dou às nossas tropas".

No elenco de W já estão confirmados o ótimo James Cromwell como Bush pai, Ellen Burstyn como mama Barbara, a ingelsa Thandie Newton (de À Procura da Felicidade) como Condi, Jeffrey Wright como Colin Powell e outro súdito da rainha, Toby Jones (o Capote caricaturizado de Confidencial), como Karl Rove. Ainda falta escolher quem encarnará o todo-poderoso Dick Cheney. Diz-se que Robert Duvall, depois de ler o roteiro, pulou fora do barco correndo.

O último filme de Stone, Torres Gêmeas, tinha Nicholas Cage à frente do elenco, faturou US$ 70 milhões na bilheteria, mas foi massacrado pelos liberais, que viram a obra, curiosamente, como um libelo pró-Bush, uma tentativa ingênua de ligar os atentados às Torres Gêmeas à invasão do Iraque. Para a esquerda, o filme, um Stone menor, parecia justificar os atos do homem que ele agora quer biografar na tela.

O diretor, que estudou na Universidade de Yale na mesma época que Bush e John Kerry, diz que pretende contar a história 'de um homem que tinha talentos limitados, com a exceção de um dom: a impressionante habilidade de ser ele mesmo. Se Scott Fitzgerald estivesse vivo ele estaria escrevendo sobre George W. Bush. Ele, é, de certa maneira, um Gatsby ao contrário', diz.

Já dá para ter uma idéia do que será o W de Stone.

Iron Man trucida Speed Racer

Massacrado pela crítica norte-americana, Speed Racer fez apenas US$ 20, 2 milhões de bilheteria em sua semana de estréia, ficando em segundo lugar nos cinemas dos EUA, à frente da comédia Jogo de Amor em Las Vegas, com Ashton Kutcher e Cameron Diaz, que chegaram aos US$ 19 milhões. Em sua segunda semana em cartaz, Homem de Ferro faturou mais US$ 50,5 milhões, chegando a US$ 177,1 milhão apenas nos EUA. O filme estrelado por Robert Downey Jr. é o primeiro hit do verão nos EUA e Speed Racer o primeiro grande fracasso por aqui.

Los Angeles Times: Obama na frente

A pesquisa mais recente da corrida presidencial colocou Barack Obama novamente à frente do candidato republicano, John McCain. Mas Hillary - que deve ter seu canto do cisne esta semana na primária de Virgínia Ocidental - ganharia com margem ainda maior.

Obama 46%  X 40% McCain

Hillary 47%  x 38% McCain

A organização ultra-liberal MoveOn.org gastou rios de dólares para produzir este anúncio, que mostra bem as razões para o novo disparo democrata (o descontentamento de eleitores tradicionalmente republicanos com o partido cada vez mais radical à direita):



Por Onde Andará...

Lorena Bobbitt?

A musa das feministas desesperadas, famosa por cortar aquela parte do marido John, que a traía o tempo todo, agora...corta cabelos em um salão em uma cidadezinha da Virgínia! É o que os tablóides de NYC informam hoje. Parece que ela pegou o gosto pela tesoura. Coisas dos EUA...

Bye-Bye, Chicory



Rstaurantes favoritos são fundamentais no dia-a-dia de quem vive aqui em Nova Iorque. Restaurantes favoritos do bairro, aqueles nem tão caros nem tão bagaceiras que a gente retorna tanto em uma emergência no meio da noite quanto no dia em que quer descansar do forno e do fogão, são catedrais informais. Eu me ajoelhei nos últimos dois anos no altar do chef Gavin McAleer, que abandonara a haute cuisine (ele foi durante anos acólito de David Burke e Rocco Dispirito) para nos servir, em seu Chicory, saladas caprichadas, um burguer fenomenal e porções inesquecíveis de arroz selvagem com cranberry. Foi com ele que aprendi a gostar de succotash, uma mistura de feijão mulatinho com grãos de milho e pedacinhos de carne-seca que me levavam ao céu. Depois descobri que era o prato mais tradicional na celebração do Dia de Ação de Graças na Filadélfia.

E McAleer ainda servia o melhor fried chicken do lado de cá da ponte...

Quem se lambuzou comigo no Chicory mais de uma vez foi minha amiga e expert em gastronomia Catherine Vieira.

Cathê, acabou!

Já estou com saudades de meu succotash nas noites de outono do Brooklyn!

sexta-feira, maio 09, 2008

Cantando Vitória Antes do Tempo?


Chegou hoje aqui em casa a Time desta semana - a capa dá como certa a indicação de Obama a candidato pelo Partido Democrata. Como Hillary ainda não entregou os pontos fica a dúvida: a imprensa realmente está fazendo a campanha de Obama? O engraçado é o asterisco usado na capa, com a explicação : 'de verdade, nós estamos praticamente certos desta vez'. Veremos.

quinta-feira, maio 08, 2008

ENTREVISTA/Matthew Fox

Ele é o Corredor X de Speed Racer, que estréia nas telonas brasileiras nesta sexta-feira. Mas é mais conhecido do público brasileiro por duas séries televisivas: O Quinteto e Lost. Conversei com ele nos bastidores do GP de Long Beach, na Califórnia. A entrevista segue abaixo:

Menino Prodígio

Matthew Fox - o alter ego do Corredor X

Por Eduardo Graça, de Los Angeles


O que um Speed Racer muda na vida de um ator? Para Matthew Fox, 41 anos, a resposta não poderia ser mais direta: "Não faço TV novamente tão cedo!". Os fãs de
Lost, ele jura, terão de ir ao cinema para seguir acompanhando sua carreira. Famoso por dois personagens de séries televisivas dramáticas — o responsável e romântico Charlie Salinger de O Quinteto e o misterioso doutor Jack Shephard de Lost (transmitido no Brasil pelo canal a cabo AXN) —, Fox avisa que está pronto para se dedicar exclusivamente a Hollywood.

Ele recebeu
Contigo! enfiado numa camisa verde sem mangas, grudada no corpo para lá de sarado, calça jeans e um jeito relaxado, porém elegante. Durante a entrevista, o ator casado com a ex-modelo italiana Margherita Ronchi, 39, parecia pensar bem antes de responder às perguntas. E apresentava um tique fatal: encarava o repórter longamente e abria um largo sorriso, que durava alguns segundos — e parecia congelar no tempo —, toda vez que percebia estar surpreendendo o interlocutor. Inclusive quando resolvia dar conselhos para a criação dos filhos — ele tem dois, Kyle, de 10 anos, e Byron, de 7. A seguir, trechos da entrevista.

- Você encarnou mesmo o Corredor X. Criou uma voz própria para o personagem e parece bem à vontade no filme... - Sabe que chegou um momento em que eu tinha a certeza de que era o ator certo para fazer o Corredor X? E essa é uma sensação incrível! Claro, passei noites rolando na cama tentando imaginar como seria essa voz, como me manteria fiel ao desenho, sem deixar de fazer algo original. O X é misterioso, icônico, fantástico. E temos uma coisa em comum: como ele, sou muito ligado à família. Meus dois irmãos (Francis Jr., 46, e Bayard, 38) são muito próximos e foram importantes na minha formação.

- Este foi seu primeiro trabalho com os irmãos Wachowski, famosos tanto pelo talento quanto pela excentricidade. Foi tranqüilo trabalhar com eles? - No nosso primeiro encontro, Andy e Larry foram cuidadosos ao extremo, como se estivessem me prevenindo sobre as complicações do filme. Eles diziam: "Você vai ter de se habituar à green screen, ou seja, imaginar os elementos com os quais terá de interagir no filme, seu personagem vai usar máscara, ninguém vai ver seus olhos, a sensação de desconforto vai ser imensa". E quanto mais eles falavam, mais eu queria filmar Speed Racer (risos). Estou cruzando os dedos para termos Speed Racer II logo, logo! E eu, cá entre nós, acho que há uma chance de a próxima narrativa passar pela continuação da história de Corredor X, de seu retorno para casa, de seu reencontro com a família. Vou adorar fazer isso!

- Em Lost você nunca sabe exatamente o que vai acontecer com o Jack. No cinema é exatamente o oposto. O roteiro fechado te ajuda a criar personagens mais elaborados?
- É essa justamente a principal razão pela qual não farei mais TV depois de Lost. O que mais gosto é justamente poder investir e construir a história do personagem. No cinema você também exerce mais controle sobre seu tempo de trabalho. Com Lost gravo sem parar de seis a oito meses por ano. Nos filmes, você pode trabalhar em algo intenso por quatro meses e aí decidir quanto tempo pode ficar desempregado até encontrar um novo projeto que te seduza. É isso o que quero, uma vida boa, sabe (risos)? Você sabe que eu cresci em uma casa no meio dos Estados Unidos, na qual televisão era proibida, né?
- Pois é. Então você não viu Speed Racer quando criança… - Não mesmo. Só vi o desenho quando os Wachowskis me convidaram para viver o Corredor X.

- E você acha que foi positivo ter passado a infância sem o aparelho de TV ligado?
- Sim, sim! Mas veja bem, não é que meus pais eram contra a TV, é que eles eram pró-livros. Acho que há várias coisas legais na TV, programas educacionais, especialmente nos dias de hoje.

- Fico imaginando como seus filhos, Kyle e Byron, conseguiriam viver sem TV...
- Nem precisa imaginar que eu te conto (risos)! Eu e Margherita (Ronchi, sua mulher) decidimos repetir a experiência, somos pró-livros também (risos)! Vivemos em nossa casa no Havaí um período sem TV. Depois, liberamos o aparelho, mas só deixávamos assistir a uma programação bem curta, uma regra que permanece hoje. O que eu acho mais importante é estabelecer limites para tudo, inclusive para o tempo que seus filhos dedicam à TV.

Entrevista/EMILE HIRSCH

Estréia esta semana no Brasil o novo longa dos irmãos Wachowski - responsáveis por Matrix - uma aventura tecnológica mais alucinante do que lógica, Speed Racer. A partir do desenho animado (um de meus favoritos quando criança) eles revisitam a história do corredor de corridas mais certinho da face da terra. Infelizmente os excêntricos Wachowski não conversaram com a imprensa (nem a norte-americana), mas conversei com Emile Hirsch (o ótimo jovem ator que brilhou no ano passado com Na Natureza Selvagem) e Matthew Fox (o galã de Lost). A conversa com Emile segue abaixo:


Emile Hirsch

Menino prodígio

Por Eduardo Graça, de Los Angeles


Considerado o novo River Phoenix, o ator de 23 anos falou com exclusividade à Contigo! sobre seu novo longa, Speed Racer, e disse estar ansioso para conhecer as garotas brasileiras.


Emile Hirsch, o protagonista de Speed Racer, superprodução dirigida pelos irmãos Larry, 42, e Andy Wachowski, 40 (os mesmos da cinessérie Matrix) - baseada no famoso desenho animado japonês dos anos 60 que foi exibido no Brasil nas TVs Tupi, Globo, Record, MTV e Boomerang (canal por assinatura) -, com estréia nesta sexta-feira, é a personificação do termo meninão. Nas duas entrevistas que deu à Contigo!, ele exagerou na descontração. No primeiro encontro, no centro de convenções do Autódromo de Long Beach, Hirsch - famoso por aqui pelo filme Show de Vizinha (2004) - manteve despudoradamente as pernas em cima da mesa durante todo o bate-papo. No segundo, em um hotel de luxo de Beverly Hills, simplesmente permaneceu deitado - esparramado - no sofá da suíte, enquanto brincava com o microfone do gravador acoplado no iPod do repórter: "Pontudo ele, não? Será que ele está assim porque ficou feliz em me ver (risos)?".

Hirsch adora provocar e parece ter um certo prazer em deixar o entrevistador encabulado. É capaz de exclamações intensas de espanto e excitamento e de movimentos bruscos de corpo que deixam esse californiano de 23 anos e pouco mais de 1,68 m de altura parecer bem maior do que de fato é. Essa capacidade de expansão pôde ser conferida na tela grande em suas excelentes interpretações do skatista Jay Adams em Os Reis de Dogtown (2005) e especialmente na do estudante Christopher McCandless em Na Natureza Selvagem (2007), dirigida pelo amigo Sean Penn, 47, e baseada em fatos reais.

Depois de viver o herói certinho das pistas de corrida, criado pelo japonês Tatsuo Yoshida (1933-1977) - e que, diz a lenda, irá voltar (o desenho) em nova temporada, com Speed adulto, casado com sua Trixie e correndo o mundo atrás de seu filho perdido -, Hirsch volta a trabalhar com Penn na biografia do político de São Francisco e ativista gay Harvey Milk, em filme dirigido pelo cult Gus Van Sant, 55. Considerado por muitos o River Phoenix (morto em 1993 com os mesmos 23 anos de Hirsch) dos anos 2000, Hirsch disse achar "o máximo" saber que é adorado pelas meninas brasileiras. "Já estou pensando em comprar minha passagem!", brincou, com uma piscadela de olhos e sorriso aberto.

- Você foi muito celebrado por sua atuação em Na Natureza Selvagem no ano passado e não poderia ter escolhido filme mais dessemelhante do que Speed Racer para rodar na seqüência. Foi justamente esse desejo de ir ao outro extremo que o fez investir no 'filme família' dos Wachowski?
- Fazer Speed Racer foi uma maneira de deixar o filme Na Natureza Selvagem, que eu amei, intocado, sabe? Ele é o que é. E ninguém agüentaria me ver de novo fazendo um personagem dolorido, mais um drama, né não? Como cresci vendo as reprises de Speed Racer na televisão, sou fanático por carros de corridas e a trilogia Matrix fez totalmente a minha cabeça, vi logo que esta era a continuação ideal para mim naquele momento! E me joguei mesmo no filme (risos)!


- Este é o primeiro filme comercial de grande impacto que você protagoniza. Sentiu-se pressionado?

- Humm... fiquei mais animado do que temeroso. Mas é claro que você fica um pouco tenso quando o pessoal do estúdio diz: "Menino, olha lá, investimos 120 milhões de dólares neste filme, hein?". Este provavelmente será o maior filme que farei em minha carreira. Quando terei outra oportunidade dessas? Mas o jeito é me manter em forma e pronto para tudo. Uma coisa que faço, para me preparar para qualquer momento, é, ao voltar para casa todos os dias, sair para uma corrida por Venice Beach, onde moro, de pelo menos uma hora. Manter o corpo em ação é meu segredo para a mente ficar sempre calma, pronta para os desafios. E também me alimentar de modo saudável. Você jamais vai me ver comendo dois cheeseburguers nas lanchonetes de Los Angeles! Ultimamente estou obcecado por tênis. Meu melhor amigo (que ele não diz quem é nem por decreto dos estúdios) teve uma lesão muscular e teve de aprender a jogar tênis no processo de recuperação. Agora jogamos o tempo todo!


- Em um primeiro momento foi complicado para você se ver como Speed Racer?

- De fato eu nunca pensei que faria um filme como este. Mas o Speed, assim como eu, valoriza a determinação, é completamente apaixonado pelo que faz e muito ligado à família e amigos. Ele é um gato esperto (risos).

- Como você?
- Não, nenhum ser humano conseguiria ser tão cool quanto o Speed. Mas eu bem que tento (risos)!


- No Japão, os fãs do desenho acharam a sua escolha para o papel perfeita. Os críticos de lá dizem que você é a cara do Speed. Você concorda?

- Claaaaaaro (incrédulo)! Mas não tenho o cabelo do Elvis, como ele (risos)! Não, sério, acho que esta semelhança física provavelmente me ajudou a ganhar o papel. Fiz um teste para o filme, duas cenas, e foi bem divertido. Quando se é escolhido, tem-se certeza absoluta de que se está pronto para fazer o papel. Afinal de contas, até chegarem no escolhido, eles testaram milhares de atores tão bons quanto você.

- Sabia que no Brasil você já é um símbolo sexual? Muitas meninas têm a sua imagem na tela do computador...
- Ah, fala sério! Jura? Gente, não vou mentir, adorei saber disso (risos)! Já fiquei com vontade de viajar para lá. Nunca estive no Brasil. O mais perto que cheguei da América do Sul foi ir a Porto Rico. Minha irmã mora lá e adoro a vida na praia, a cultura, a música. Acho que iria adorar o Brasil. Nossa, que legal isso (risos)!
-

- Mas é tão legal assim saber que se é um sex symbol em um país tão distante?

- Oh, yeah! Claro que sim! Você não quer ficar deslumbrado com isso e achar que ser desejado é um aspecto fundamental de sua carreira, mas quem não gostaria de ser desejado pelas brasileiras? E, claro, tomara que elas se animem a ver Speed Racer. Atenção, meninas: este é o melhor filme jamais feito sobre carros. E vocês vão gostar! Palavra de Emile (risos)!

- Você gosta de dirigir carros?
- Adoro! Vivo para cima e para baixo com o meu Toyota preto. Mas sabe que no filme isso é muito relativo, né? O grande desafio é que se está o tempo todo em uma sala do tamanho de um armazém e a única coisa na sua frente é uma tela verde. O restante foi colocado depois, pelo pessoal da animação. Você pensa que aquilo que viu na tela é uma corrida de carros, mas, vamos ser francos, a única coisa que eu via quando dirigia o Mach 5 e 6 era uma parede vazia. Aqui e ali eu tive de me segurar para não pensar: Emile, você está ficando maluco! (risos). O que nos ajudava muito eram os computadores. Eu via as imagens no laptop dos animadores, em terceira dimensão, e imaginava a cena a partir do que aparecia ali.


- Há algum ator favorito, algum ícone em quem você se inspire ou algum tipo de ator que gostaria de ser? Afinal, você tem uma imensa carreira pela frente...

- Quero ser o tipo de ator que está sempre empregado (risos)! E fazendo bons filmes. Admiro muito o Marlon Brando (1924-2004). A maioria de seus filmes são lições de atuação. E o Sean (Penn), claro. Ele é um modelo para mim, é fantástico atuando e também quando está fora de cena, militando pelas causas que acredita. Exatamente como a Susan (Sarandon), que faz minha mãe em Speed Racer. Aprendi muito com os dois no que se refere a usar sua carreira para militar pelas causas sociais que o interessam.

- Você acabou de trabalhar ao lado de Sean Penn no novo filme de Gus Van Sant, Milk, em que você faz justamente um ativista político...

- E Sean faz o personagem título, o político de São Francisco Harvey Milk, que foi uma espécie de Martin Luther King para a comunidade gay norte-americana. Eu faço o Cleve Jones, que luta para impor sua visão de que seres humanos, de qualquer opção sexual, têm diretos básicos que precisam ser respeitados. Jones, um homossexual, foi o braço direito de Harvey Milk. Nós filmamos no bairro gay de São Francisco e circulei muito no histórico Castro, onde fiz vários amigos. E foi legal estar com Sean sem ele me dirigir. Foi mais leve em um certo sentido, sabe?


- É... imagino ele te dirigindo nas cenas mais radicais de Na Natureza Selvagem. Aliás, nos seus filmes recentes há muitas cenas de ação. É algo que te impulsiona? Você é um desses fãs ardorosos de esportes radicais?
- O que me impulsiona são os personagens por trás da ação. Gosto mais das pessoas do que da ação. Sou um apaixonado por pessoas. Foi isso que me fez querer me tornar um ator.

terça-feira, maio 06, 2008

Listas, Listas, Listas...

Norte-americanos adoram listas. Esta semana a People saiu com os '100 mais belos'. A Time apareceu com seu '100 mais importantes do globo' e até a Foregin Policy entrou na festa com os '100 mais importantes intelectuais públicos'. Dois brasileiros apareceram nas listas. Kaká na Time e Fernando Henrqiue Cardoso na FP.

As listas refletem o inevitável americocentrismo. Na mais interessante das três, a da FP, 36 ungidos vêm dos EUA-Canadá, 30 da Europa, 12 da Ásia, 11 do Oriente Médio e apenas 4 da América Latina e outros 4 da África sub-Saariana. Há ainda 3 do Sudeste Asiático e Oceania.


segunda-feira, maio 05, 2008

Homem de Ferro Arrasador

Hoje Hollywoood ri de felicidade. Em seu fim de semana de estréia Homem de Ferro provou ser o blockbuster que o povo do cinema esperava ardorosamente por aqui. O filme, que custou, oficialmente, US$ 135 milhões, já recuperou o investimento da Paramount. Apenas nos EUA a bilheteria, nos primeiro três dias, foi de US$ 100,8 milhões. No restante do planeta (incluindo Brasil), entraram outros US$ 100,2 milhões na caixa dos produtores. O filme, estrelado pelo sensacional Robert Downey Jr., chega perto do recorde estabelecido entre obras inspiradas por super-heróis, o primero Homem Aranha, em 2002. 

Aguarda-se ansiosamente pelos outros três filmes mais esperados da temporada - os novos Batman e Indiana Jones e  Sex&the City - para celebrar um verão inesquecível. Neste fim de semana eu fui convidado para a  cabine de imprensa aqui em NY de Sex&the City e saí feliz com o que vi. Sim, o filme é mais longo do que deveria ser. Sim, há algumas situações forçadas. Mas os fãs do seriado vão adorar saber o que aconteceu, quatro anos depois, com Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte. 

Ah...sim, entrevistei as meninas! Já já conto como foi... 

sábado, maio 03, 2008

Novidades da Semana

Chegou ontem aqui em casa a EW desta semana. Olha só do que se fala por aqui no mundinho do showbizz:

* Rodrigo Santoro aparece com o torso nu e de mãos dadas com Jim Carrey. Os dois filmam em Miami I Love You Phillip Morris, uma comédia-pastelão que conta a história de um casal gay que se apaixona na cadeia. Comentário do Will aqui do lado: "Meu Deus, o Rodrigo é bonitinho demais e precisa se cuidar ou Hollywood vai estigmatizá-lo como o gay latino da vez". Já teve o imperador persa com pinta de traveca em 300, e olha que por aqui ninguém viu Carandiru. Outras fotos dos bastidores da produção - Rodrigo, Jim e Ewan McGregor têm sido vistos zanzando pelos bares gay de Miami para fazer laboratório - você pode ver aqui.



* A revista ouviu gente de dentro da produção de Speed Racer, o filme-família dos irmãos Wachowski que custou, por baixo, US$ 120 milhões, temerosa de que, sendo lançado por aqui entre Homem de Ferro e o novo Narnia, o filme gere menos de US$ 30 milhões em sua primeira semana na bilheteria (no próximo fim de semana). Eu vi o filme em Los Angeles na semana retrasada (texto aqui na blog na quarta-feira, quando a Contigo! chegar nas bancas) e gostei. É diversão garantida para papai, mamãe e titia, jutamente com a criançada. Será que vai ser o fracasso da vez de Hollywood? Veremos.

* Não sou fã de reality shows, mas há uma pequena jóia na tevê americana no momento. Chama-se The Paper, estreou no dia 14 de abril, e passa todas as segundas-feiras às 22h30 aqui na MTV. Quem se lembra das tramas e sub-tramas do jornal universitário pelo qual passou Rory Gilmore em Gilmore Girls vai adorar descer o nível para a high-school e entrar no dia-a-dia de um jornal sério (na medida do possível) de uma típica escola norte-americana. O programa revela o cinismo, a ignorância, o marasmo e as expectativas de um bando de jovens no coração do império. Um gostinho do que já já vai chegar ao Brasil:

Adoção no Brasil

Leio hoje, em editorial da Folha de S.Paulo sobre a criação do Cadastro Nacional de Adoção (que pretende unificar dados de todos os Estados da federação sobre crianças a serem adotadas e candidatos a pais adotivos), que em São Paulo a procura supera em muito a oferta. São 7.500 brasileiros e 300 estrangeiros buscando adotar cerca de 1.000 crianças. Os dados oficiais, de 2005, mostram como o tema é mais complicado do que parece: 99% dos pais querem adotar apenas um filho, 83% o querem menor de 3 anos de idade e 49% só querem uma criança branca. Do outro lado, a realidade é bem outra: 52% das crianças são negras ou mestiças, 87% maiores de 3 anos e 56% vivem nos abrigos com mais de um irmão. Como diz o editorial - O que importa é modificar a cultura dos pretendentes a pais, para que aceitem crianças reais e não idealizações.

O assunto me toca especialmente porque sou filho adotivo. E faço parte da exceção estatística - branco, menos de 3 anos, sem irmãos. Minha mãe, em um processo diferente, também foi adotada. Mas foi separada por anos a fio dos muitos irmãos. Hoje, conjecturamos, na família que formei, a possibilidade de adotar um dia, levando a experiência para a terceira geração. Questões como a possibilidade de adoção por casais estrangeiros, homossexuais, bi-nacionais, mulheres solteiras, precisam ser abordadas com mais urgência pelos legisladores brasileiros. O editorial da Folha, que reproduzo abaixo, lembra que, segundo a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, 120 mil crianças e adolescentes vivem hoje em abrigos espalhados pelo país e pelo menos 12 mil precisam de uma nova família.

O editorial de hoje:

Adoção digital

A INICIATIVA do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de criar o Cadastro Nacional de Adoção vem em boa hora. A medida vai unificar e cruzar os dados de todos Estados brasileiros seja em relação às crianças a ser adotadas, seja sobre os candidatos a pais adotivos.
A utilização de recursos de informática que facilitam intercâmbios é sempre positiva. O problema das adoções, porém, é bem mais complexo do que juntar ofertantes e demandantes.
Diga-se, em favor das instituições, que a situação já melhorou bastante. Algumas décadas atrás, muitos pais em busca de um filho adotivo preferiam arriscar-se na ilegalidade a enfrentar a lentidão do sistema. Mas, com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e a implementação dos Juizados da Infância e da Juventude, o trâmite ficou mais simples e rápido. Hoje, todo o processo pode ser resolvido em apenas dois meses.
Segundo a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, 120 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos de todo o país. Desse total, cerca de 12 mil precisam de uma nova família. No Estado de São Paulo, a procura chega a superar a oferta. São 7.500 brasileiros e quase 300 estrangeiros para cerca de mil crianças.
A dificuldade é o descompasso entre os desejos dos candidatos a pais e as características das crianças disponíveis. Estudo feito com pessoas inscritas na fila da adoção em São Paulo, em 2005, mostra que grande parte das pessoas pretendia adotar só um filho (99%), menor de três anos (83%) e de cor branca (49%). Já a maioria dos abrigados é de cor negra ou parda (52%), maior de três anos (87%) e possui um ou mais irmãos (56%), núcleo que a Justiça, com toda a razão, tenta manter unido.
O que importa, portanto, é modificar a cultura dos pretendentes a pais, para que aceitem crianças reais e não idealizações. Essa, porém, é uma tarefa que não pode ser feita por um programa de computador.

quinta-feira, maio 01, 2008

Música & Moda

O caderno de Estilo do NYT trouxe hoje em sua capa uma reportagem defendendo a tese de que a moda suplantou a música como forma de expressão cultural mais popular entre os jovens norte-americanos. Um dos símbolos desta mudança seria o anúncio de que a Steve & Barry's acabou de sublocar o imenso espaço da Broadway com 4th que foi durante anos o endereço mais famoso da Tower Records na cidade.

A Steve & Barry's é famosa por oferecer produtos fashion com assinaturas de celebridades como Sarah Jessica Parker e o jogador de basquete Stephon Marburry por preços módicos. Um vestido da linha florida de SJP sai por US$ 8,98, mesmo preço do um tênis de basquete da linha Marburry. Não sei até que ponto a abertura de mais uma loja da Steve & Barry's (a de Midtown sofre com filas imensas e é uma aventura comprar algo por lá, dizem as amigas sacoleiras) de fato prova a decadência da música como elemento de identificação geracional - já já coloco aqui minha entrevista com o designer Stefan Sagmaister, famoso pelas capas de álbuns importantes de Lou Reed, David Bowie e Rolling Stones, em que ele diz mais ou mesmo a mesma coisa - ou se apenas enfatiza um novo modelo de negócio, que une grandes nomes e preços baixos como forma definitiva de atrair multidões.

Sacoleiras Anônimas, anotem: a loja abre no outono e os preços serão os mesmos, baixíssimos. A reportagem pode ser lida na íntegra aqui.

quarta-feira, abril 30, 2008

México!


As últimas semanas foram de uma correria insana. Abril foi um mês de viajens, mal vi o Brooklyn. Estive pouquíssimo aqui no blog. Foram duas idas a Los Angeles, para conferir Speed Racer e Jogo de Amor em Las Vegas e uma inesquecível passagem pela Cidade do México, para a primeira sessão pública de Homem de Ferro.

O México mexeu comigo. Fiquei muito impressionado com a força do povo, os dilemas enfrentados por nossos hermanos do norte. Quando ainda vivíamos a lei do frio aqui em Nova Iorque, foi bom acordar cedo no Sheraton do Centro Histórico, atravessar para o outro lado da Avenida Juarez, sol a pino, e ler a edição fresquinha da Gatopardo no Paséo de la Reforma. Como é bom colocar as mãos numa publicação bem-feita, interessante, com textos inteligentes.

Na revista - que tem redações na Colômbia, Cidade do México e Buenos Aires - a capa adiantava o retorno da parceria entre os dois maiores ídolos do cinema mexicano, Gael García Bernal e Diego Luna. Mas o mais interessante foi entrar em contato (via bela reportagem de Laura Castellanos) com o drama dos pais dos estudantes da Universidade Nacional Autónoma do México (a UNAM, onde, na faculdade de Filosofia, teria estudado o Comandante Marcos) acusados de terroristas e assassinados no Equador durante ataque colombiano na madrugada de Primeiro de Março. Não sei se, nem como, a imprensa brasileira tratou deste assunto, mas as feridas, na Cidade do México, ainda estão expostas. Os pais e os poucos colegas mais politizados de Juan, Fernando, Soren e Verónica se recusam a tratar os alunos como terroristas. O governo, conservador, não quer saber de 'infiltração das FARC' na vida universitária mexicana.

Em uma tarde, entre uma entrevista e outra, acompanhei, no gigantesco Zócalo, um protesto de partidários de Lopez Obrador, o candidato a presidente das esquerdas que teria sido tungado nas eleições do ano passado. Reclamavam do desmonte da PEMEX e da falcatrua nas eleições internas do PRD, o maior partido de oposição, dividido entre sociais-democratas e socialistas. Mais tarde quase apanhei em frente à Embaixada do Canadá. Sim, mais manifestações pelas ruas mexicanas. Imaginem que as patricinhas e mauricinhos de Polanco (a Higienópolis, ou o Leblon, da Cidade do México) orquestraram um protesto contra a morte das focas (a caça acabou de ser liberada novamente no Canadá, e as focas são umas das principais fontes de alimentação dos indígenas do norte canadense). Fiquei enfezado! Com tanta gente sendo assassinada no México (os seqüestros voltaram à pauta, foram capa do NYT desta segunda), os meninos de Polanco não tinham mais o que fazer, não? Eu e minha neo-amiga Beatriz, fiel adepta do PAC (Processo de Alimentação Contínua) e defensora empedernida das tradições liberais canadenses (até porque ela tem família por lá), olhamos a tudo com choque e uma incômoda sensação de déja vu.

O que me ficou na cabeça mesmo foram os slogans dos jovens da UNAM que Castellanos reproduziu em seu texto lá na Gatopardo:

!LOS MASACRADOS SERÁN VENGADOS!
?Y QUIÉEN LOS VENGARÁ?
EL PUEBLO ORGANIZADO!
?Y COMO?
LUCHANDO!
ENTONCES: LUCHA! LUCHA! LUCHA!
!NO DEJES DE LUCHAR
!NO DEJES DE LUCHAR
POR UNA EDUCACIÓN
POR UNA EDUCACIÓN
POLÍTICA Y POPULAR!

Aqueles rostos indígenas, a multidão - a Cidade do México é a segunda maior metrópole do planeta, com 24 milhões de pessoas zanzando de um lado para o outro - se acotovelando no metrô, a favela que outro neo-amigo, Marco Canônico me mostrou ao lado do Meliá, em pleno Centro Financeiro, a sensacional feira do Mercado de La Merced, com frutas e vegetais de cores e tamanhos impensáveis, a noite dos mariachis na erma Plaza Garibaldi (que só fui, covarde, carregado pela intrépida Marília Martins), tudo me transportou para um outro tempo. Para minha conversas com meu avô Nicéas, que uma me vez me explicou, muito sério, o motivo pelo qual dava remédios de graça para todos que iam à sua casa de noite - e perturbavam meu sono - em busca de auxílio médico. "Menino (ele só me chamava de menino), este país em que a gente vive é uma merda. Mas a gente não precisa ser (uma merda) também!"

O México foi uma bela trauletada. As fotos são minhas, de Beatriz e de Marília.

Perfil/ROBERT DOWNEY JR.

A Contigo! publicou na edição que chega hoje às bancas o mini-perfil que escrevi do ator Robert Downey Jr., protagonista de Homem de Ferro. O filme estréia hoje no Brasil.

A entrevista foi feita em um hotel de luxo na Cidade do México. Downey estava cansadíssimo, havia chegado de helicóptero no hotel às 5h da manhã (vindo de Los Angeles), mas encarou com serenidade a maratona de conversas com jornalistas mexicanos e brasileiros. As expectativas para o filme eram grandes - Olga de Mello já disse, e bem, o que viu lá no Arenas, ela se empolgou mais do que eu - e Downey está ótimo, embora me irrite um pouco o transporte forçado da trama do Vietnã para o Afeganistão. Especialmente os terroristas da O.N.U. falando húngaro! Mas como não se deixar levar pelos efeitos especiais, impressionantes, e pela atuação de Downey Jr., que em nenhum momento se leva a sério? O seu prazer de 'brincar' de herói vale o ingresso.

O perfil publicado pela Contigo!, segue, na íntegra, abaixo:

Robert Downey Jr.
A volta por cima

Por Eduardo Graça, da Cidade do México

Pedantismo, interesses escusos, ostentação, sexo, bebidas, drogas e, claro, rock and roll, muito rock and roll. Com certeza é uma combinação de fatores para lá de explosiva para um blockbuster, ainda mais se for temperado com o aparecimento de um super-herói que supera tudo isso e ressurge forte, leal, compreensivo, doce e protetor dos fracos (e das fracas!) e oprimidos. Esse é o argumento de Homem de Ferro - que estréia quarta-feira (30) -, sobre o herói originário da HQ homônima e criado, entre outros, pelo lendário e Midas do gênero, Stan Lee, 85 anos.

E alguns dos elementos do protagonista se confundem com a trajetória do ator que lhe dá vida na telona, o nova-iorquino Robert Downey Jr., 43. Esse talentoso ex-bad boy é mesmo, como o próprio gosta de afirmar com certa marotice, "o" Homem de Ferro. Exatamente como Tony Stark (o empresário alter ego do herói), Downey deixou de lado um comportamento autodestrutivo. Em seu caso, o vício em cocaína, heroína e crack, que o levaram a noites no xilindró, acusado por porte de droga. Nas penitenciárias da Califórnia, ele foi brutalmente agredido por companheiros de fardo.

Tudo isso ficou para trás - sua última temporada na prisão foi em 2001 -, assim como o casamento com a atriz e cantora Deborah Falconer, 42, mãe de seu filho, Indio, 14. “É engraçado que as pessoas perguntam se o Indio ficou nas nuvens quando soube que eu encarnaria o Tony Stark. Ele achou legal, claro, mas acho que ele é, para minha alegria, muito mais cool do que o Homem de Ferro, né? Eu, quando tinha a idade dele, também estava mais interessado em gibis mais adultos, mais da hora. Agora, no entanto, sou o fã número 1 do personagem, claro!”, jura o ex-enfant terrible de Los Angeles, casado há três anos com a produtora Susan Levin, 34 anos.

Aprendendo com os erros

A Contigo! foi até a capital mexicana para conferir a primeira apresentação mundial do Homem de Ferro para uma platéia escolhida a dedo pelos produtores, que investiram mais de US$ 18o milhões no filme. Para ganhar o papel principal, Downey teve de fazer pela segunda vez um teste de elenco em sua longa carreira – a primeira foi em Chaplin, filme que lhe rendeu a indicação de melhor ator no Oscar de 1992. Com seus olhos imensos, cabelos levemente grisalhos e sorriso de lado, Downey Jr. não gosta de falar mais uma vez sobre os anos negros que o transportaram para as páginas policiais dos jornais. "Não há quem não pergunte sobre o tema", reclama. Mas até que ponto sua própria imolação pública na luta contra o vício das drogas não o inspirou a compor o personagem, que também tinha problemas de alcoolismo? Downey diz não ter dúvidas de que a experiência o ajudou a construir seu pungente Homem de Ferro.

Amigo de todas as horas e fã incondicional ‘do melhor ator de sua geração’, o diretor Jon Favreau, um nome pouco conhecido e que lutou para contar com Downey Jr. no elenco, é direto: “É claro que esta foi uma das razões pela qual o Robert sempre foi o Homem de Ferro de meus sonhos. Ele passou por momentos muito difíceis, andou pelo lado escuro da vida. Mas mais importante ainda: meu Homem de Ferro teria de ser alguém que tivesse voltado para a luz, que trouxesse uma mensagem de possibilidade, de vitória sobre algo tenebroso. A disciplina e o comprometimento dele, conquistados a duras penas, foram o que me fizeram lutar por ele”.

A super-produção conta ainda com Gwyneth Paltrow, 35, vivendo a doce secretária Virginia ‘Pepper’ Potts, Jeff Bridges como o mentor-antípoda de Stark e Terrence Howard como o melhor amigo do herói. Paltrow revelou em entrevistas que só concordou em fazer seu primeiro filme de super-heróis depois de um telefonema crucial para Downey, seu ator preferido. Ele teria dito a ela, ainda relutante, que ‘já está na hora de nós dois fazermos um filme que alguém vai assistir’. “Ha!Ha! Foi isso mesmo. Mas Gwyn é muito generosa de dizer que sou o ator favorito dela. E sim, eu queria muito mesmo fazer algo mais comercial, diveritdo. Para mim, a grande diferença é a vantagem de que, com o tamanho da produção, poderia fazer exatamente o que queria no set. Não houve limites”, conta.

Puxando ferro
Downey parece bem mais musculoso no filme do que na sala do hotel na Cidade do México. É que ele acaba de filmar a nova comédia de guerra de Ben Stiller, em que vive, acredite se quiser, um negro magricela. O ator segue, sim, repleto de surpresas. Uma de suas obsessões após nocautear o vício – sua última temporada na prisão foi em 2001 – é a prática de uma variante de kung-fu. Ele treina diariamente com um professor de wing chun, em casa. “Meu corpo já não é mais o mesmo de dez anos atrás. Agora demora um mês para conseguir um resultado que alcançava em uma semana. Tive, no set, um personal trainer que me ajudou muito. Por outro lado, perco tudo muito mais rápido. Mas disciplina, é sim, mais do que nunca, um elemento-chave de minha vida”, revela, com a certeza de que as seqüências de Homem de Ferro – e, conseqüentemente, as sessões de musculação - não vão demorar a pipocar na tela. Ainda bem.