Saiu hoje no caderno Eu&Cultura, do jornal Valor Econômico, meu texto sobre a explosão do mercado de trabalho relacionado à energia sustentável e à ecologia aqui nos EUA. Também fiz uma retranca sobre a situação brasileira.
Os colarinhos-verdes
Por Eduardo Graça, para o Valor, de Nova York
23/05/2008
Eles aparecem em todos os programas dos candidatos à Casa Branca e são considerados estratégicos pelos democratas. São os trabalhadores de colarinho-verde - variante do colarinho-branco dos empresários e do colarinho-azul dos operários -, encontrados nas indústrias de energia renovável, combustíveis alternativos e na construção de prédios ecologicamente corretos. Em dezembro, George W. Bush sancionou o Green Jobs Act, autorizando investimento de US$ 125 milhões para treinamento de trabalhadores interessados em se especializar na área. O alvo dos candidatos é a massa de operários-eleitores que perderam emprego por causa da mão-de-obra mais barata na China e na Índia. Mas a tentativa de ligar o movimento verde à solução de um dos maiores entraves socioeconômicos dos EUA também está mexendo de forma intensa com a inteligência progressista da zona norte do mundo.
Coordenador-geral da Oakland Apollo Alliance, coalizão de ambientalistas, trabalhadores e ativistas políticos voltada para a criação de empregos verdes na área de Oakland (subúrbio operário da Califórnia), Ian Kim participou do lobby que levou Washington a reconhecer a necessidade de investir em especialização para uma área que cresce a olhos vistos, em trabalhos como a instalação de painéis solares, a jardinagem orgânica e a construção verde. "Foi um investimento modesto. Nosso setor precisa de bilhões de recursos para começarmos a combater a pobreza por meio da ampliação do universo do colarinho-verde. Hoje gastamos US$ 1,4 bilhão/ano no Iraque. Parte desse dinheiro poderia estar sendo investida na reorganização de nossa economia", diz Kim, professor de estudos urbanos da Universidade de São Francisco.
Ele sublinha que a importância simbólica do Green Jobs Act, no entanto, é inegável. De acordo com estimativas da Sociedade de Energia Solar Americana (Ases), a atual força de trabalho de 8,5 milhões de colarinhos-verdes deve chegar a 40 milhões em 2030. Um estudo da Cleantech Network, especializada em investimento verde, mostra que para cada US$ 100 milhões investidos, criam-se hoje 250 mil novos postos de trabalho nos EUA. Em 2007, apenas na Califórnia, corporações privadas investiram US$ 654 milhões na criação de 33 painéis solares (ante US$ 253 milhões em 2006). Não por acaso, uma nova função aparece no mercado: a dos headhunters especializados em empregos de colarinho-verde, como a Green Careers. O Instituto de Tecnologia do Oregon (OIT), por sua vez, acaba de formar o primeiro grupo de 50 estudantes superiores especializados em energias renováveis. Outros cursos semelhantes pipocam país afora, para entusiasmo dos candidatos à Casa Branca, que não querem ver esses postos de trabalho rumarem para a Ásia.
Liderada pelo advogado Van Jones, a Oakland Apollo Alliance foi criada por ativistas sociais e ambientalistas de uma das áreas mais afetadas pela crise da pós-industrialização. Enquanto o Vale do Silício multiplicava fortunas, Oakland amargava índices recordes de desemprego e crime. O mote de Jones é marxista: "Ofereça o trabalho de que mais precisamos para as pessoas que mais precisam de trabalho." Parece simples, mas a união de ecologistas com operários em torno da idéia de que os EUA deveriam acelerar o passo na direção de uma economia limpa, com a criação de milhares de empregos no meio do caminho, levou a discussão da ética verde para além da eco-elite e encontrou surpreendente abrigo nas centrais sindicais mais poderosas do país. "Nosso maior orgulho foi estabelecer essa ligação com os trabalhadores. Se o movimento verde ficar preso aos aspectos comportamentais, estaremos fadados à desimportância", diz Kim.
Ao lado do Sustainable South Bronx, de Nova York, a Apollo Alliance criou a campanha Verde para Todos, que defende o investimento imediato de US$ 1 bilhão do governo federal para deslanchar uma revolução verde-e-vermelha no país, com a capacitação de pelo menos 250 mil trabalhadores no que já é conhecido como o Plano Marshall do século XXI.
A mobilização já começou. Oakland é a primeira cidade dos EUA a contar com um Green Jobs Corps (GJC), voltado para a capacitação de profissionais nas áreas de manufaturas de biocombustíveis e instalação de painéis solares. A prefeitura decidiu investir US$ 250 mil para dar o gatilho no GJC. Na cidade, 13% dos menores de idade vivem abaixo da linha de pobreza. Ao mesmo tempo, o governo local anunciou incentivos fiscais para atrair empresas como a Grid Alternatives, que, desde 2004, já habilitou 1.700 profissionais na prática de instalação de painéis solares. De acordo com a Apollo Alliance, em 2006 foram investidos US$ 2,9 bi no setor, aumento de 80% em relação ao ano anterior.
Uma das figuras políticas mais importantes do país, a democrata Nancy Pelosi, é uma entusiasta da criação de um Green Job Corps nacional. Durante anos a fio compreendido nos EUA como uma subcultura fechada em si mesma, o pensamento ecológico tem conquistado novos espaços desde a exposição dos perigos do aquecimento global e da transformação do ex-vice-presidente Al Gore em apóstolo do crescimento sustentável.
Estimativa mostra que atual força de trabalho de 8,5 milhões de trabalhadores dessa área deve chegar a 40 milhões em 2030
Agora, ativistas ligados a movimentos sociais, como Jones e Kim, começam a dizer sem medo que os trabalhadores precisam ver o verde, também, no bolso. E recebem mais interesse da opinião pública dos verdes mais tradicionais, como o eterno candidato à Presidência pelo Partido Verde, Ralph Nader.
No Brasil, Beto Mesquita, diretor do Instituto BioAtlântica, pensa que a excitação por conta dos empregos de colarinho-verde nos EUA tem tudo para ser repetida no país. "Um dos maiores desafios para a recuperação da Mata Atlântica, por exemplo, é a conciliação da necessidade de ações de restauração florestal com a geração de novas oportunidades de trabalho e renda. A cadeia produtiva da restauração florestal - que inclui atividades como coleta de sementes de espécies nativas, produção de mudas, plantio e manutenção de áreas - apresenta um tremendo potencial de expansão e de profissionalização."
Mesquita lembra que regiões economicamente deprimidas no Brasil, com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), distantes dos grandes parques industriais e com reduzida cobertura florestal nativa, podem se beneficiar de oportunidades relacionadas à recuperação e à preservação dos serviços ambientais das florestas nativas. Ele cita como exemplos a produção e o armazenamento de água, o seqüestro de carbono da atmosfera e a proteção de paisagens naturais, fundamentais para o ecoturismo, segmento da indústria de viagens que mais cresceu no mundo na última década.
Mas nem tudo é consenso. Nos EUA, ambientalistas têm criticado a ligação entre criação de postos de trabalho na área do meio ambiente e diminuição da pobreza e da desigualdade. Acabar com a poluição e com a pobreza da maior economia do globo parece tarefa complexa demais para ser abordada de forma simplista. Gente como Rich Sweeney, da organização Ressources for the Future, pondera que a relação de causa e efeito, quando estabelecida, enfraquece o discurso verde e desvia o foco de um problema completamente diverso das mazelas sociais enfrentadas em países com sociedades desiguais, como os Estados Unidos, ou, em um caso extremo, o Brasil.
Qual seria, afinal, a relação possível entre a adoção de uma política ambiental responsável e o combate à pobreza? "Quem mais sofre com a degradação ambiental são as camadas mais pobres. Também é possível perceber uma tendência de certos setores em relacionar preservação ambiental com pobreza a partir da idéia de que os impactos ambientais graves - e muitos deles perfeitamente evitáveis, com a adoção de tecnologias limpas e sustentáveis - seriam apenas um aspecto inevitável do crescimento econômico", comenta Mesquita.
O diretor do BioAtlântica lembra o estudo feito pelo professor José Augusto Pádua, da Universidade Rural do Rio de Janeiro, apresentando correlação entre altas taxas de desemprego e desmatamento das florestas nativas. "Não é justo atribuir à criação de um parque nacional ou de uma reserva extrativista a função de, além de proteger a natureza, gerar renda e combater a pobreza. Essa combinação de fatores só será possível em situações muito peculiares. Seria a mesma coisa que exigir, como contrapartida e de maneira genérica, que o Bolsa Família fosse também um programa de preservação ambiental."
Ian Kim diz que a experiência vitoriosa de Oakland tem tudo para se repetir em outras cidades economicamente deprimidas, como Detroit. Em todo o Estado de Michigan, um dos berços da hoje enfraquecida indústria automobilística americana, os investimentos têm se concentrado na energia eólica e na construção de turbinas utilizando a mão-de-obra especializada oriunda dos muitos desempregados do parque industrial tradicional, cada vez mais diminuto. Beto Mesquita concorda. E lembra que no Brasil, também, a nova fronteira dos serviços ambientais, especialmente a proteção e a recuperação dos mananciais hídricos e as ações de redução da concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera, aponta claramente para esse novo paradigma. Uma parceria verde-e-vermelha que parece ter chegado para ficar.
Lógica de candidatos americanos mostra-se ineficaz no Brasil
Ao pregar a multiplicação dos empregos do colarinho-verde para combater problemas sociais, Barack Obama, Hillary Clinton e John McCain (um republicano que sempre se diferenciou da maioria de seus pares quando se trata de política ambiental) batem na mesma tecla: a de que é fundamental investir no setor para garantir logo uma "reserva de mercado", ou seja, impedir que esses postos de trabalho migrem para economias emergentes onde a mão-de-obra barata, ainda que especializada, será mais farta.
Curiosamente, o mesmo raciocínio não funciona quando a lógica é aplicada na zona sul do planeta. O pedido de demissão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na semana passada, foi visto pela inteligência liberal do mundo ocidental como peça importante de um quebra-cabeça ainda insolúvel, em que os principais jogadores parecem guiados ora pela necessidade de afirmação da soberania nacional da Amazônia, ora pela sugestão - cada vez mais imperativa - de que a região é um patrimônio de toda a humanidade.
Em reportagem extensa o jornal "The New York Times" considerou medidas propostas recentemente pelo governo brasileiro - como a criação de um visto especial para os estrangeiros interessados em visitar a Amazônia - reflexos de uma certa "paranóia" protecionista que grassaria no país. A saída de Marina Silva, contrária à ânsia desenvolvimentista vista anteriormente com tamanha força apenas no governo de Emílio Garrastazu Médici, ilustraria um aparente paradoxo do governo do PT. Brasília estaria ao mesmo tempo interessada em consolidar sua liderança na discussão de temas fundamentais para a economia verde, como energias alternativas, combate ao efeito estufa e compensação financeira pela preservação da áreas verdes, e em definir a Amazônia como tema unicamente brasileiro.
Do outro lado do Atlântico, o britânico "The Independent" saiu com um superlativo editorial afirmando que a saída de cena da "fada da floresta" era nada menos do que uma ameaça para a sobrevivência do planeta. O texto lembra que quase 25% da emissão de gás carbônico no mundo vem da derrubada das florestas tropicais, ante 14% produzida por carros, aviões e indústrias. E que a queimada de florestas, em um único dia, coloca mais dióxido de carbono na atmosfera do que 8 milhões de pessoas voando entre Londres e Nova York. O jornal sugere o investimento - dividido entre todas as nações do planeta, com exceção do Brasil - de US$ 80 bilhões para a proteção da Amazônia, o que geraria uma multidão de empregos de colarinho-verde no país. Mas, em contra-partida, Brasília concordaria que "essa região do Brasil é importante demais para ficar a cargo apenas dos brasileiros".
Com ou sem a proliferação de postos de trabalho na área verde, a queda-de-braço em torno da Amazônia é cada vez mais protagonista no planejamento estratégico do Brasil dos anos 2000. (EG)
sexta-feira, maio 23, 2008
quinta-feira, maio 22, 2008
Eleições 2008: Racismo No Sul dos EUA
Muito boa esta reportagem da Al-Jazeera em inglês sobre a dificuldade de Barack Obama em convencer os norte-americanos brancos de classe média-baixa, especialmente os do sul do país, a apoiarem um candidato negro nas eleições de novembro. Dá o que pensar...
125 Anos de Ponte do Brooklyn
terça-feira, maio 20, 2008
Os Números de uma Eleição
Mais do que conceitos e propostas, o que impressiona na disputa pelo controle do Império são números, números, números. O ótimo site político Daily Kos recebeu por e-mail, da campanha do senador do Illinois, hoje de noite, um dado mais do que interessante: dos novos doadores à campanha de Obama no mês de abril (200 mil cidadãos), 94% contribuíram menos de US$ 200.
É assim que ele vem revolucionando a maneira de se tornar uma candidatura finaceiramente viável aqui nos EUA, chegando ao total de US$ 31,9 milhões arrecadados no mês passado. Neste exato momento ele conta com US$ 46,5 milhões em caixa. A campanha de Hillary Clinton, que se fixou no velho modelo dos grandes doadores, amarga cerca de US$ 20 milhões...em dívidas.
A primeira-dama, que acaba de vencer a primária do Kentucky graças ao voto dos eleitores mais conservadores, da zona rural do estado sulista, tem justamente na dívida milionária seu ponto mais fraco na tentativa ainda desesperada de conseguir a indicação à presidência.
É assim que ele vem revolucionando a maneira de se tornar uma candidatura finaceiramente viável aqui nos EUA, chegando ao total de US$ 31,9 milhões arrecadados no mês passado. Neste exato momento ele conta com US$ 46,5 milhões em caixa. A campanha de Hillary Clinton, que se fixou no velho modelo dos grandes doadores, amarga cerca de US$ 20 milhões...em dívidas.
A primeira-dama, que acaba de vencer a primária do Kentucky graças ao voto dos eleitores mais conservadores, da zona rural do estado sulista, tem justamente na dívida milionária seu ponto mais fraco na tentativa ainda desesperada de conseguir a indicação à presidência.
ENTREVISTA/Stefan Sagmeister

A mais recente edição da revista FLORENSE trouxe o perfil que escrevi sobre o designer gráfico Stefan Sagmeister. Passamos - eu e o fotógrafo Victor Affaro - um fim de tarde de fim de inverno na cobertura do artista austríaco radicado em Nova Iorque desde o fim dos anos 70. O papo foi descontraído e rendeu 4 páginas. Ó só:
Stefan Sagmeister - O Johnny Depp do Design Contemporâneo
Por Eduardo Graça, de Nova York
A primeira reação ao se entrar no estúdio de Stefan Sagmeister, localizado em uma cobertura no Chelsea, é a de que um dos mais importantes designers gráficos do planeta cultua os contrastes como poucos. No primeiro andar, entre uma cozinha-bar e um banheiro, funciona o estúdio de fato. O segundo, a sala de reuniões onde esta entrevista aconteceu, é dominado pelo chandelier pop que Rody Graumans criou para a Droog em 1993. Sagmeister conta que o que chamou sua atenção foi o uso de elementos básicos (fios e muitas, muitas lâmpadas, destas que se compram na lojinha da esquina) para criar um efeito único. O terceiro andar é um paredão aberto ao céu de Nova Iorque, com o Empire State Building ao alcance do nariz. Daqui de cima pode-se até ver a fila de formiguinhas que vai se formando na entrada de um dos pontos turísticos mais populares da cidade.
O designer, que nasceu em Bregenz, na Áustria, e conversa em inglês com um sotaque igualmente forte e gracioso, sabe que o alto design pode ser encontrado no mais ordinário dos meios. Em seu mais recente livro – Things I Have Learned In My Life So Far (algo como Coisas Que Aprendi Em Minha Vida Até Agora, editado pela Abrams, a US$ 40) - ele utiliza papel higiênico, chocolate, fita adesiva, cachorro-quente, entre muitos outros meios nada convencionais, para apresentar mensagens de afirmação. Talvez a mais impactante seja a do macaco inflável, gigantesco, em que se precisa virar a página (ou, na exposição que ele apresentou no começo do ano na Deitch Projects, em Nova Iorque, dar a volta em torno da instalação) para apreender toda a mensagem: “Todos sempre pensam...”, começa, para terminar: “...que estão certos o tempo inteiro”.
Com uma suéter azul-clara, calça de pano azul-escura e um modernoso tênis azul-marinho, Sagmeister parece mais novo do que seus 45 anos. E do alto de seus 1,95m, acha graça dos sete anos que demorou para finalizar Things I Have Learned In My Life So Far. Também sorri da comparação feita recentemente por Paola Anteonelli, curadora-sênior de Arquitetura e Design do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), que o batizou de o ‘Johnny Depp do design contemporâneo’. Surpreendente, radical, independente, quase ingênuo, quiçá brutal, o designer conta em entrevista exclusiva à Florense por que deixou de lado seu icônico trabalho com os gigantes nomes da música pop norte-americana (vide Lou Reed emergindo do nada em Set the Twilight, de 1996, o boneco G-I-Joe de David Byrne na capa de Feelings, e o leão assírio de Bridges to Babylon, dos Rolling Stones, ambos de 1997) a fim de explorar outros campos oferecidos pelo maravilhoso mundo do desenho gráfico contemporâneo: projetos sociais, científicos e pessoais. O fundamental, garante, é saber que ‘o tempo em que vivemos é o mais interessante e gratificante para as artes gráficas’.
"Não Há Melhor Momento Para Se Tornar um Desenhista Gráfico Do Que Este Em Que Vivemos"- Depois de um ano sabático, você voltou a Nova Iorque, virou seu estúdio de pernas para o ar, lançou um livro que é a sensação do desenho gráfico no Hemisfério Norte e uma exposição que se transformou em um dos sites mais visitados do seu meio. Você aconselharia um período de descanso para um bom profissional se reinventar com sucesso?
- Pode-se ter uma idéia do que almejo fazer com meu trabalho olhando para o exemplar da Florense que você acaba de me dar. Aqui estão dois de meus maiores ídolos, Milton Glaser e Oscar Niemeyer, que têm uma inequívoca capacidade de reinvenção. No meu caso, o ano sabático, claro, funcionou muito bem para mim. Mas não posso, de fato, afirmar que esta é a melhor maneira de se preparar para uma nova etapa criativa. Tenho uma enorme dificuldade em ouvir conselhos, então não vou fazer o mesmo. Agora, a maioria dos designers que respeito criaram suas próprias maneiras de recarregar as baterias. Glaser, por exemplo, não trabalha às sextas-feiras, Massimo Vignelli sai mais cedo todos os dias, fecha o estúdio às três ou quatro da tarde. No meu caso, o peso do trabalho contínuo foi sentido, assim como acontece de forma geral com acadêmicos. Precisava recarregar as baterias. Cheguei em NY em 1993, decidi descansar sete ano depois, em 2000.
- O livro surgiu deste ano de descanso?
- Um pouco do que viria a se tornar o livro surgiu de fato naquele ano, mas de forma alguma a motivação da parada foi publicar algo. Ed Fella, um designer que admiro muito, professor da Califórnia Institute of Arts (Calarts), veio ocupar o estúdio na mesma época, começou a fazer sketch books muito interessantes, se dedicando exclusivamente a estes experimentos. Pensei que seria interessante fazer algo parecido justamente no momento em que eu chegava à maturidade de minha carreira. Ou assim eu pensava. Mas Ed foi minha real inspiração para o ano sabático.
- Você chegou a pensar em deixar o design gráfico de lado, não é?- Na verdade, durante aquele ano, inicialmente, pensei que iria me tornar diretor de cinema. Cheguei a trabalhar bem a idéia na minha cabeça, mas abandonei este plano completamente depois de quatro semanas de muitas maquinações. Cheguei à conclusão de que precisaria de pelo menos dez anos para aprender uma linguagem nova como a do cinema. O tempo até que me animava, sabia? O que me amedrontou mesmo foi pensar que investiria uma década no aprendizado de uma nova linguagem para depois descobrir que possivelmente não teria nada a dizer de uma forma cinematográfica! Mas será que ainda havia algo diferente a dizer na linguagem que eu conheço? Na minha linguagem? No desenho gráfico? Talvez, mas queria fazer algo que não tivesse nada a ver com promoção e/ou música, vendas. Se você olhar para os principais estúdios de design de Nova Iorque, eles certamente estão hoje centrados na parte corporativa, mais comercial. Não queria isso. Comecei a pensar então nas muitas outras fronteiras que o design pode atingir...
- E você decidiu abandonar de vez justamente uma das características mais fortes da marca Sagmeister: sua fantástica produção de imagens voltadas para a música pop. - É verdade. Estamos oficialmente fora da esfera da indústria musical. Esta foi uma das primeiras decisões depois do ano sabático. É que a música popular não tem mais a importância que teve em minha vida. Acho que hoje até temos acesso a mais música, de mais gêneros, de mais culturas, mas a maneira como a consumimos e como a encaramos é completamente diferente da dos anos 60 e 70, por exemplo. Quando tinha 17 anos, no fim dos anos 70, minha coleção de discos definia quem eu era. Não é o caso hoje para um jovem adolescente. Veja bem, não sou um nostálgico, de forma alguma. Há uma série de aspectos interessantes que o design pode ter um efeito direto e é para estes nichos que o estúdio está se focando, incluindo, com destaque, ciência e a arena social.

- Você poderia me dar alguns exemplos práticos desta guinada do estúdio?
- Temos aqui, por exemplo, um projeto de uma revista científica mais popular, voltada para jovens não necessariamente nerds, também estamos trabalhando ativamente na comunicação de um grupo que propõe uma modificação na legislação norte-americana para limitar os gastos militares no orçamento, obrigando certa porcentagem a ser direcionada para os gastos sociais. E mantemos projetos na Palestina, mais educacional, com o grupo OneVoice, voltado para as negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, e no Panamá, ligado à preservação da floresta tropical. Acho importante frisar que fiz esta transição logo antes da explosão do MP3, o que foi ao mesmo tempo providencial – hoje, em 2008, não sei de nenhum estúdio de design que tenha seu foco principal na indústria musical – e extremamente pessoal, no sentido de que foi uma decisão tomada por mim e não por uma imposição da indústria.
- Então é mesmo impossível imaginar hoje um estúdio de design gráfico repetindo sua experiência de se concentrar no universo musical...
- É impossível, especialmente por conta da desimportância atual do packaging musical. Mas, de novo, nada de nostalgia! Quem se tornou um designer nos anos 80 por conta das capas de disco, hoje se torna um profissional do ramo por conta dos vídeo games, ou dos telefones celulares. Aliás, se você olhar para a história da música com atenção, vai perceber que ela jamais precisou de qualquer aspecto visual. É possível que a tentativa de se criar um código visual para a música tenha acontecido entre os anos 40 e nossa década que agora vai ser lembrado como um período histórico.
"Experimente, Tente, Ouse, Faça Coisas em Todas as Direções"- The Things I Have Learned é a cara dos anos 00. Fiquei impressionado ao entrar no site do livro e ver o espaço reservado para colaborações de internautas. Você vê o livro, que rendeu uma bela exposição no SoHo no início do ano, como ‘em progresso constante’?
- Sim! The Things I Have Learned, desde o título, é, nitidamente, um trabalho em progresso. Até a idéia de deixar em aberto as contribuições de amadores e designers dos quatro cantos do globo foi, também, uma sugestão externa, de visitantes da exposição. E adorei a idéia! Sempre fui muito crítico com relação a websites de livros. Queria fazer algo que fizesse sentido e se relacionasse com a obra em papel. E fiquei extremamente surpreso, não apenas com a qualidade das obras que apareceram lá, quase todas de amadores, mas também com a quantidade e com a velocidade com que elas são postadas. Abri o site há quatro semanas e já temos uma coleção impressionante. Diariamente há novidades! É impressionante quanta gente decidiu dedicar o seu tempo para postar lá, colocar suas próprias mensagens, em forma gráfica, do que aprenderam vida afora. Existem obras lá que certamente levaram horas e horas para serem concluídas.
- Isso me faz lembrar de uma de suas frases mais famosas, a de que o que você almeja fazer é criar design para não-designers. É isso mesmo?
- Sim, e, para o designer com esta ambição, não existe tempo melhor do que o que vivemos hoje. Há um interesse brutal por design de pessoas claramente fora do mundo do desenho gráfico. De uma certa maneira, design é mais acessível do que arte contemporânea, é mais próximo do dia-a-dia do cidadão comum. Senti isso em nossa exposição aqui no SoHo. Recentemente, também, o MoMA abriu uma exposição dedicada à relação entre a ciência e o design, extremamente sofisticada, e teve casa cheia todos os dias. Então, temos de aproveitar e deixar de lado a tentação de fazer design para nós mesmos, os criadores, o que pode até ser interessante aqui e acolá, mas é tão insular. Eu definitivamente decidi me tornar um designer porque gosto de falar com muitas pessoas ao mesmo tempo, de criar em meio à confusão, sabe? Talvez por isso os profissionais que admiro mais no mundo do desenho sejam justamente os que conseguem atingir uma audiência imensa, como Matt Groening e seus Simpsons.
- Você já disse aqui que não gosta de dar conselhos, mas teria uma mensagem para os estudantes de design no Brasil que vierem a ler a Florense?
- Experimente, tente, ouse, faça coisas em todas as direções. De novo, lembre-se que este é o tempo perfeito para se tornar um designer.
sábado, maio 17, 2008
Marina
Por aqui pegou muito mal a notícia da saída da ministra Marina Silva do ministério do Meio-Ambiente. Todos os jornais lamentaram a perda da maior responsável pela mudança de atitude do chamado primeiro mundo em relação ao Brasil quando se trata de proteção à floresta amazônica e ao verde. Até agora o texto que mais me chamou a atenção sobre o pedido de demissão de Marina foi o de seu ex-colega de Planalto no primeiro governo Lula, Frei Betto, publicado ontem na Folha:
Querida Marina
FREI BETTO
CAÍSTE DE pé! Trazes no sangue a efervescente biodiversidade da floresta amazônica. Teu coração desenha-se no formato do Acre e em teus ouvidos ressoa o grito de alerta de Chico Mendes. Corre em tuas veias o curso caudaloso dos rios ora ameaçados por aqueles que ignoram o teu valor e o significado de sustentabilidade.
Na Esplanada dos Ministérios, como ministra do Meio Ambiente, tu eras a Amazônia cabocla, indígena, mulher. Muitas vezes, ao ouvir tua voz clamar no deserto, me perguntei até quando agüentarias.
Não te merece um governo que se cerca de latifundiários e cúmplices do massacre de ianomâmis. Não te merecem aqueles que miram impassíveis os densos rolos de fumaça volatilizando a nossa floresta para abrir espaço ao gado, à soja, à cana, ao corte irresponsável de madeiras nobres.
Por que foste excluída do Plano Amazônia Sustentável? A quem beneficiará esse plano, aos ribeirinhos, aos povos indígenas, aos caiçaras, aos seringueiros ou às mineradoras, às hidrelétricas, às madeireiras e às empresas do agronegócio?
Quantas derrotas amargaste no governo? Lutaste ingloriamente para impedir a importação de pneus usados e a transformação do país em lixeira das nações metropolitanas; para evitar a aprovação dos transgênicos; para que se cumprisse a promessa histórica de reforma agrária.
Não te muniram de recursos necessários à execução do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, aprovado pelo governo em 2004.
Entre 1990 e 2006, a área de cultivo de soja na Amazônia se expandiu ao ritmo médio de 18% ao ano. O rebanho se multiplicou 11% ao ano. Os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectaram, entre agosto e dezembro de 2007, a derrubada de 3.235 km2 de floresta.
É importante salientar que os satélites não contabilizam queimadas, apenas o corte raso de árvores. Portanto, nem dá para pôr a culpa na prolongada estiagem do segundo semestre de 2007. Como os satélites só captam cerca de 40% da área devastada, o próprio governo estima que 7.000 km2 tenham sido desmatados.
Mato Grosso é responsável por 53,7% do estrago; o Pará, por 17,8%; e Rondônia, por 16%. Do total de emissões de carbono do Brasil, 70% resultam de queimadas na Amazônia.
Quem será punido? Tudo indica que ninguém. A bancada ruralista no Congresso conta com cerca de 200 parlamentares, um terço dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
E, em ano de eleições municipais, não há nenhum indício de que os governos federal e estaduais pretendam infligir qualquer punição aos donos das motosserras com poder de abater árvores e eleger ($) candidatos.
Tu eras, Marina, um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a tua demissão, os agressores do meio ambiente, os mesmos que repudiam a proposta de proibir no Brasil o fabrico de placas de amianto e consideram que "índio atrapalha o progresso".
Defendeste com ousadia nossas florestas, nossos biomas e nossos ecossistemas, incomodando quem não raciocina senão em cifrões e lucros, de costas para os direitos das futuras gerações. Teus passos, Marina, foram sempre guiados pela ponderação e pela fé.
Em teu coração jamais encontrou abrigo a sede de poder, o apego a cargos, a bajulação aos poderosos, e tua bolsa não conhece o dinheiro escuso da corrupção.
Retorna à tua cadeira no Senado Federal. Lembra-te ali de teu colega Cícero, de quem estás separada por séculos, porém unida pela coerência ética, a justa indignação e o amor ao bem comum.
Cícero se esforçou para que Catilina admitisse seus graves erros: "É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia. Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?"
Faz ressoar ali tudo que calaste como ministra. Não temas, Marina. As gerações futuras haverão de te agradecer e reconhecer o teu inestimável mérito.
CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, o Frei Betto, 63, frade dominicano, escritor e assessor de movimentos sociais, é autor de, entre outras obras, "A Obra do Artista Uma Visão Holística do Universo". Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).
Querida Marina
FREI BETTO
CAÍSTE DE pé! Trazes no sangue a efervescente biodiversidade da floresta amazônica. Teu coração desenha-se no formato do Acre e em teus ouvidos ressoa o grito de alerta de Chico Mendes. Corre em tuas veias o curso caudaloso dos rios ora ameaçados por aqueles que ignoram o teu valor e o significado de sustentabilidade.
Na Esplanada dos Ministérios, como ministra do Meio Ambiente, tu eras a Amazônia cabocla, indígena, mulher. Muitas vezes, ao ouvir tua voz clamar no deserto, me perguntei até quando agüentarias.
Não te merece um governo que se cerca de latifundiários e cúmplices do massacre de ianomâmis. Não te merecem aqueles que miram impassíveis os densos rolos de fumaça volatilizando a nossa floresta para abrir espaço ao gado, à soja, à cana, ao corte irresponsável de madeiras nobres.
Por que foste excluída do Plano Amazônia Sustentável? A quem beneficiará esse plano, aos ribeirinhos, aos povos indígenas, aos caiçaras, aos seringueiros ou às mineradoras, às hidrelétricas, às madeireiras e às empresas do agronegócio?
Quantas derrotas amargaste no governo? Lutaste ingloriamente para impedir a importação de pneus usados e a transformação do país em lixeira das nações metropolitanas; para evitar a aprovação dos transgênicos; para que se cumprisse a promessa histórica de reforma agrária.
Não te muniram de recursos necessários à execução do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, aprovado pelo governo em 2004.
Entre 1990 e 2006, a área de cultivo de soja na Amazônia se expandiu ao ritmo médio de 18% ao ano. O rebanho se multiplicou 11% ao ano. Os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectaram, entre agosto e dezembro de 2007, a derrubada de 3.235 km2 de floresta.
É importante salientar que os satélites não contabilizam queimadas, apenas o corte raso de árvores. Portanto, nem dá para pôr a culpa na prolongada estiagem do segundo semestre de 2007. Como os satélites só captam cerca de 40% da área devastada, o próprio governo estima que 7.000 km2 tenham sido desmatados.
Mato Grosso é responsável por 53,7% do estrago; o Pará, por 17,8%; e Rondônia, por 16%. Do total de emissões de carbono do Brasil, 70% resultam de queimadas na Amazônia.
Quem será punido? Tudo indica que ninguém. A bancada ruralista no Congresso conta com cerca de 200 parlamentares, um terço dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
E, em ano de eleições municipais, não há nenhum indício de que os governos federal e estaduais pretendam infligir qualquer punição aos donos das motosserras com poder de abater árvores e eleger ($) candidatos.
Tu eras, Marina, um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a tua demissão, os agressores do meio ambiente, os mesmos que repudiam a proposta de proibir no Brasil o fabrico de placas de amianto e consideram que "índio atrapalha o progresso".
Defendeste com ousadia nossas florestas, nossos biomas e nossos ecossistemas, incomodando quem não raciocina senão em cifrões e lucros, de costas para os direitos das futuras gerações. Teus passos, Marina, foram sempre guiados pela ponderação e pela fé.
Em teu coração jamais encontrou abrigo a sede de poder, o apego a cargos, a bajulação aos poderosos, e tua bolsa não conhece o dinheiro escuso da corrupção.
Retorna à tua cadeira no Senado Federal. Lembra-te ali de teu colega Cícero, de quem estás separada por séculos, porém unida pela coerência ética, a justa indignação e o amor ao bem comum.
Cícero se esforçou para que Catilina admitisse seus graves erros: "É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia. Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?"
Faz ressoar ali tudo que calaste como ministra. Não temas, Marina. As gerações futuras haverão de te agradecer e reconhecer o teu inestimável mérito.
CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, o Frei Betto, 63, frade dominicano, escritor e assessor de movimentos sociais, é autor de, entre outras obras, "A Obra do Artista Uma Visão Holística do Universo". Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).
sexta-feira, maio 16, 2008
Na Prateleira: Richard Price
A Bravo! deste mês traz uma resenha minha sobre o mais recente livro do escritor norte-americano Richard Price, Lush Life, que está na minha estante. É daqueles livros que vai dando uma pena quando a gente está próximo do fim...O texto:
Volta ao Mundo
Nova York
Em Lush Life, o romancista Richard Price desafina o coro dos que festejam Manhattan como um lugar seguro
Por Eduardo Graça, para a Bravo!
Recentemente, o roteirista e escritor Richard Price apareceu na revista Time assinando um manifesto com outros colegas. Alarmados pela revelação de que 1 em cada 100 norte-americanos está na cadeia, os manifestantes convocaram a população a protestar contra a existência de “duas Américas”, que só se esbarram nas páginas de crimes dos jornais. Ou em livros como Lush Life, que Price acaba de lançar e que ainda não tem data para chegar ao Brasil.
O olhar azedo sobre as últimas quatro décadas de vida nas grandes metrópoles dos EUA, quando a chamada “guerra às drogas” travestiu-se de “guerra aos pobres”, é o pano de fundo do romance. Lush Life (algo como Vida Opulenta) conta a história de Eric Cash, 35 anos, gerente de um café e escritor frustrado que mora na região de Manhattan conhecida por Lower East Side, onde “aos 30 anos você já parece ter 50”. Ele é suspeito de um crime que, aparentemente, não cometeu.
Ao deixar o batente às quatro da madrugada – acompanhado de um outro funcionário do café, Issac “Ike” Marcus, e de Steve, um amigo de “Ike”, que está completamente alcoolizado –, sofre um assalto por parte de dois jovens mal-encarados, possivelmente moradores de um dos muitos conjuntos habitacionais da ilha. “Ike” reage à abordagem com a frase “Hoje não, meu amigo” e acaba baleado. Morre no ato. Como ninguém mais viu os marginais, e uma das testemunhas estava sob o efeito do álcool, é preciso acreditar na palavra de Cash. Ou não.
A exatidão crua das falas de seus personagens e o pendor cinematográfico do livro levaram outro célebre romancista, Dennis Lehane, autor de Sobre Meninos e Lobos, a afirmar que, com Lush Life, Price se torna o escritor que melhor elaborou diálogos em toda a história da literatura norte-americana. Russell Banks, de Temporada de Caça e O Doce Amanhã, foi além. “Price”, escreveu, “é o nosso Balzac pós-moderno”. Exageros à parte, o que prende a atenção do leitor é a sensação de que o roteirista do filme A Cor do Dinheiro nos leva pela mão através dos labirintos de uma cidade escondida dentro da cidade. Ele atua como o cicerone de uma Manhattan sem brilho, a antítese da metrópole “seguríssima” proclamada pelos guias turísticos e pelos políticos. Um lugar ainda pulsante de vida subterrânea, desejos primários, cobiça e muita injustiça social.
Volta ao Mundo
Nova York
Em Lush Life, o romancista Richard Price desafina o coro dos que festejam Manhattan como um lugar seguro
Por Eduardo Graça, para a Bravo!
Recentemente, o roteirista e escritor Richard Price apareceu na revista Time assinando um manifesto com outros colegas. Alarmados pela revelação de que 1 em cada 100 norte-americanos está na cadeia, os manifestantes convocaram a população a protestar contra a existência de “duas Américas”, que só se esbarram nas páginas de crimes dos jornais. Ou em livros como Lush Life, que Price acaba de lançar e que ainda não tem data para chegar ao Brasil.
O olhar azedo sobre as últimas quatro décadas de vida nas grandes metrópoles dos EUA, quando a chamada “guerra às drogas” travestiu-se de “guerra aos pobres”, é o pano de fundo do romance. Lush Life (algo como Vida Opulenta) conta a história de Eric Cash, 35 anos, gerente de um café e escritor frustrado que mora na região de Manhattan conhecida por Lower East Side, onde “aos 30 anos você já parece ter 50”. Ele é suspeito de um crime que, aparentemente, não cometeu.
Ao deixar o batente às quatro da madrugada – acompanhado de um outro funcionário do café, Issac “Ike” Marcus, e de Steve, um amigo de “Ike”, que está completamente alcoolizado –, sofre um assalto por parte de dois jovens mal-encarados, possivelmente moradores de um dos muitos conjuntos habitacionais da ilha. “Ike” reage à abordagem com a frase “Hoje não, meu amigo” e acaba baleado. Morre no ato. Como ninguém mais viu os marginais, e uma das testemunhas estava sob o efeito do álcool, é preciso acreditar na palavra de Cash. Ou não.
A exatidão crua das falas de seus personagens e o pendor cinematográfico do livro levaram outro célebre romancista, Dennis Lehane, autor de Sobre Meninos e Lobos, a afirmar que, com Lush Life, Price se torna o escritor que melhor elaborou diálogos em toda a história da literatura norte-americana. Russell Banks, de Temporada de Caça e O Doce Amanhã, foi além. “Price”, escreveu, “é o nosso Balzac pós-moderno”. Exageros à parte, o que prende a atenção do leitor é a sensação de que o roteirista do filme A Cor do Dinheiro nos leva pela mão através dos labirintos de uma cidade escondida dentro da cidade. Ele atua como o cicerone de uma Manhattan sem brilho, a antítese da metrópole “seguríssima” proclamada pelos guias turísticos e pelos políticos. Um lugar ainda pulsante de vida subterrânea, desejos primários, cobiça e muita injustiça social.
quarta-feira, maio 14, 2008
Hollywood: duas irmãs, aos 90, ainda não se topam

Genial a reportagem de Rupert Cornwell que abre a página de Cultura do The Independent desta quinta-feira (já é dia em Londres). Quem diria que Olivia de Havilland e Joan Fontaine ainda se detestam, aos 90? E que a rivalidade voltaria à tona por conta de ...Bette Davis!Toda a deliciosa fofoca das nonegenárias de Hollywood (muito mais interssantes do que Britneys & Lindsays) aqui, infelizmente apenas em inglês:
Sibling rivalry: Hollywood's oldest feud
Screen legends Olivia de Havilland and Joan Fontaine have always had one problem: each other. Now in their nineties, the antagonism goes on. Rupert Cornwell reports
Thursday, 15 May 2008
Whatever happened to Olivia and Joan? Olivia de Havilland and Joan Fontaine that is, among the brightest jewels of 1940s Hollywood, Oscar-winners both but also sisters locked into an ancient sibling rivalry that, according to accounts from the tinsel city, is alive and well even though both are now in their 90s, grandes dames from a vanished era. Eight decades or more, you would have thought, is time enough to let bygones be bygones. But in this sad, remarkable but all too human instance, the answer appears to be, no. A couple of weeks ago, the Academy of Motion Pictures which organises the Oscars held a bash honouring the late actress Bette Davis on the 100th anniversary of her birth. In so doing, they unwittingly laid bare this celebrity feud for the ages.
Naturally, Joan and Olivia, among the closest surviving contemporaries of Bette Davis were invited. According to insiders, Olivia – who lives in Paris – at first let it be known she could not manage so long a trip. Upon learning her sister would not be coming, Joan agreed to attend. Then Olivia decided after all she would be there in person to commemorate Davis, her friend with whom she had worked in films such as Hush Sweet Charlotte. So Joan in the end took a pass. There are some wounds, it seems, that time cannot heal.
That Bette Davis was indirectly responsible for this latest contretemps, is fitting. If the real-life sibling rivalry between Hollywood stars has any equivalent on the silver screen, it is in the brilliantly macabre Whatever Happened to Baby Jane? that Davis made in 1962 with a rival of her era, another Joan, this one Joan Crawford. In the film, Davis plays Jane, the star child actress, fallen on booze and hard times, who is fated to have to look after her elder, far more successful, but now crippled famous sister Blanche. Neither Olivia de Havilland nor Joan Fontaine of course ever lost their lustre, nor have they ever behaved to each other with the sadism and criminal intent manifested by Jane and Blanche. On the other hand, even in their bitter declining years, Jane and Blanche were striplings by comparison.
Olivia and Joan were born to an English couple just one year apart in Tokyo, in 1916 and 1917. The father was a patent lawyer, their mother an actress. Both girls suffered from ill health, and when Olivia was just two, the family moved to California, where her parents divorced and the father returned to Japan. By the time she was 19, both Joan (who had by now taken the stage name of Fontaine) and Olivia were already starting to make a name for themselves in Hollywood. They were not only setting out on glittering careers, but with each successive step up the ladder of stardom more salt seems to have been rubbed into the raw emotions that by all accounts had divided them from their childhood.
An industry as dynastic and interconnected as Hollywood has had its share of feuds, but the Fontaine/de Havilland estrangement is one for the ages. Theirs is no petulant exchange of talcum powder, forgiven or forgotten the next morning. For seven decades, maybe nine decades, it has separated two of the leading actresses of their generation. They were the first sisters to win Oscars, and the first to be nominated for best actress in the same year, a co-incidence that repeated itself in 1965 with Lynn and Vanessa Redgrave. In that particular family there was no feud, and in any case neither Redgrave won. Not so in 1941. The previous year, Joan had been nominated for her role as the sweet and unworldly second Ms De Winter in Alfred Hitchcock's masterpiece Rebecca, based on the novel by Daphne du Maurier. Indeed, the feud between the sisters may have been sealed at that moment. One story is that both were chasing the part, and Joan got it. In the event, the Oscar went to Ginger Rogers, but within 12 months they were in contention again, Joan for her role in Suspicion, her second film with Hitchcock, and Olivia for Hold Back The Dawn. The award was presented by Rogers, and the winner was ... Joan Fontaine. Years later, Joan would remember how she froze as her name rang out, with her older sister sitting next to her.
As Olivia told her to "Get up there," Joan burst into tears, she wrote of the moment. All the resentments and jealousies of an uncomfortably shared childhood returned; "the hair-pulling, the savage wrestling matches, the time Olivia fractured my collar bone, all came rushing back in kaleidoscopic imagery. My paralysis was total ... I felt age four, being confronted by my older sister. Damn it! I had incurred her wrath again."
Such feuds, of course, make glorious copy. The imagined tiffs between Brad Pitt and Angelina Jolie are fodder enough for today's supermarket tabloids. But imagine the coverage if Jolie and, say, Gwyneth Paltrow were siblings, and truly at each other's throats. That is the star megawattage of the two de Havilland sisters in their day. In a historical context, it is even more remarkable. If Rebecca was indeed the match that lit the fuse of rivalry, the sisters have been at it since Hitler invaded France. But by Joan's account, the feud extends from the 1920s; in other words they were fighting with each other when Charles Lindbergh first flew the Atlantic.
Of course, the quarrel may have been exaggerated on occasion for publicity purposes; Joan at one stage claimed the whole thing had been cooked up by studio PR people. But the events on that same Oscars stage five years later suggest otherwise. In 1946 Olivia was nominated again, for To Each His Own, and this time she won. The prize was to have been presented by Joan Crawford. But Crawford pulled out, and the Academy, perhaps believing that there could be better setting for reconciliation, replaced her with Fontaine. So Joan it was who called her sister's name, and Olivia stepped up to the podium. The grudge match, you might have thought, was over, but it was not. Anyone expecting a soft hug of reconciliation, now that honours were finally even, watched as Olivia even refused to shake her younger sister's hand. In 1949, Olivia won a second Oscar, for her role in William Wyler's The Heiress. But the ancient enmity persisted. By 1975, it is said, they were no longer on speaking terms, after Olivia did not invite Joan to a memorial service for their mother. That was Joan's version. Olivia says she did invite Joan, who was too busy to attend.
In 1987, both were invited to the Oscars awards ceremony in its 60th anniversary year. Instead, the story goes, someone made the error of booking them in next door to each other at the Four Seasons hotel, prompting Joan to have her room switched. Later she was stuck in limo gridlock as she arrived for the ceremony, and was forced to get out and walk, "This is the last Oscars show for me," she is reported to have said. "From now on they can muck it up for themselves."
Today, these legends of the silver screen are 91 and 90 years old. Olivia is the last surviving major cast member of the 1939 epic Gone With The Wind (in which she won her first Oscar nomination, for the part of Melanie, only to be beaten out by Hattie McDaniel, the first black actress to be so honoured). Olivia has been based in Paris since the 1950s, while Joan, apparently in better health, lives in Carmel, California, where she is sometimes seen out with five dogs.
But why can't they make up? Despite Whatever Happened to Baby Jane? most movies heal such rifts in the final reel. But for a couple of nonagenarians, the "happy ending" possibilities are running low. But then again, life can be more complicated, more untidy, and on occasion just plain nastier than the movies. Siblings can share love, or they can drift apart. But they cannot be indifferent to each other. If they don't get on, the ability to get on each other's nerves, and thus to press their mutual rage button, is encoded in their genes.
Charles Higham, in his 1987 biography, Sisters: The Story of Olivia De Havilland and Joan Fontaine, says Olivia never got used to the idea of a younger sister. She would, apparently, rip up her old clothes that Joan was supposed to wear as hand-me-downs, forcing her to stitch them back together. Joan is said to have resented what she saw as her mother's favouritism for Olivia. This volatile mix was stirred into the dog-eat-dog, celebrity culture of the movie industry, where the greatest feat of all is to retain a sense of proportion. For Olivia de Havilland and Joan Fontaine, that task proved too great.
Sibling rivalry: Hollywood's oldest feud
Screen legends Olivia de Havilland and Joan Fontaine have always had one problem: each other. Now in their nineties, the antagonism goes on. Rupert Cornwell reports
Thursday, 15 May 2008
Whatever happened to Olivia and Joan? Olivia de Havilland and Joan Fontaine that is, among the brightest jewels of 1940s Hollywood, Oscar-winners both but also sisters locked into an ancient sibling rivalry that, according to accounts from the tinsel city, is alive and well even though both are now in their 90s, grandes dames from a vanished era. Eight decades or more, you would have thought, is time enough to let bygones be bygones. But in this sad, remarkable but all too human instance, the answer appears to be, no. A couple of weeks ago, the Academy of Motion Pictures which organises the Oscars held a bash honouring the late actress Bette Davis on the 100th anniversary of her birth. In so doing, they unwittingly laid bare this celebrity feud for the ages.
Naturally, Joan and Olivia, among the closest surviving contemporaries of Bette Davis were invited. According to insiders, Olivia – who lives in Paris – at first let it be known she could not manage so long a trip. Upon learning her sister would not be coming, Joan agreed to attend. Then Olivia decided after all she would be there in person to commemorate Davis, her friend with whom she had worked in films such as Hush Sweet Charlotte. So Joan in the end took a pass. There are some wounds, it seems, that time cannot heal.
That Bette Davis was indirectly responsible for this latest contretemps, is fitting. If the real-life sibling rivalry between Hollywood stars has any equivalent on the silver screen, it is in the brilliantly macabre Whatever Happened to Baby Jane? that Davis made in 1962 with a rival of her era, another Joan, this one Joan Crawford. In the film, Davis plays Jane, the star child actress, fallen on booze and hard times, who is fated to have to look after her elder, far more successful, but now crippled famous sister Blanche. Neither Olivia de Havilland nor Joan Fontaine of course ever lost their lustre, nor have they ever behaved to each other with the sadism and criminal intent manifested by Jane and Blanche. On the other hand, even in their bitter declining years, Jane and Blanche were striplings by comparison.
Olivia and Joan were born to an English couple just one year apart in Tokyo, in 1916 and 1917. The father was a patent lawyer, their mother an actress. Both girls suffered from ill health, and when Olivia was just two, the family moved to California, where her parents divorced and the father returned to Japan. By the time she was 19, both Joan (who had by now taken the stage name of Fontaine) and Olivia were already starting to make a name for themselves in Hollywood. They were not only setting out on glittering careers, but with each successive step up the ladder of stardom more salt seems to have been rubbed into the raw emotions that by all accounts had divided them from their childhood.
An industry as dynastic and interconnected as Hollywood has had its share of feuds, but the Fontaine/de Havilland estrangement is one for the ages. Theirs is no petulant exchange of talcum powder, forgiven or forgotten the next morning. For seven decades, maybe nine decades, it has separated two of the leading actresses of their generation. They were the first sisters to win Oscars, and the first to be nominated for best actress in the same year, a co-incidence that repeated itself in 1965 with Lynn and Vanessa Redgrave. In that particular family there was no feud, and in any case neither Redgrave won. Not so in 1941. The previous year, Joan had been nominated for her role as the sweet and unworldly second Ms De Winter in Alfred Hitchcock's masterpiece Rebecca, based on the novel by Daphne du Maurier. Indeed, the feud between the sisters may have been sealed at that moment. One story is that both were chasing the part, and Joan got it. In the event, the Oscar went to Ginger Rogers, but within 12 months they were in contention again, Joan for her role in Suspicion, her second film with Hitchcock, and Olivia for Hold Back The Dawn. The award was presented by Rogers, and the winner was ... Joan Fontaine. Years later, Joan would remember how she froze as her name rang out, with her older sister sitting next to her.
As Olivia told her to "Get up there," Joan burst into tears, she wrote of the moment. All the resentments and jealousies of an uncomfortably shared childhood returned; "the hair-pulling, the savage wrestling matches, the time Olivia fractured my collar bone, all came rushing back in kaleidoscopic imagery. My paralysis was total ... I felt age four, being confronted by my older sister. Damn it! I had incurred her wrath again."
Such feuds, of course, make glorious copy. The imagined tiffs between Brad Pitt and Angelina Jolie are fodder enough for today's supermarket tabloids. But imagine the coverage if Jolie and, say, Gwyneth Paltrow were siblings, and truly at each other's throats. That is the star megawattage of the two de Havilland sisters in their day. In a historical context, it is even more remarkable. If Rebecca was indeed the match that lit the fuse of rivalry, the sisters have been at it since Hitler invaded France. But by Joan's account, the feud extends from the 1920s; in other words they were fighting with each other when Charles Lindbergh first flew the Atlantic.
Of course, the quarrel may have been exaggerated on occasion for publicity purposes; Joan at one stage claimed the whole thing had been cooked up by studio PR people. But the events on that same Oscars stage five years later suggest otherwise. In 1946 Olivia was nominated again, for To Each His Own, and this time she won. The prize was to have been presented by Joan Crawford. But Crawford pulled out, and the Academy, perhaps believing that there could be better setting for reconciliation, replaced her with Fontaine. So Joan it was who called her sister's name, and Olivia stepped up to the podium. The grudge match, you might have thought, was over, but it was not. Anyone expecting a soft hug of reconciliation, now that honours were finally even, watched as Olivia even refused to shake her younger sister's hand. In 1949, Olivia won a second Oscar, for her role in William Wyler's The Heiress. But the ancient enmity persisted. By 1975, it is said, they were no longer on speaking terms, after Olivia did not invite Joan to a memorial service for their mother. That was Joan's version. Olivia says she did invite Joan, who was too busy to attend.
In 1987, both were invited to the Oscars awards ceremony in its 60th anniversary year. Instead, the story goes, someone made the error of booking them in next door to each other at the Four Seasons hotel, prompting Joan to have her room switched. Later she was stuck in limo gridlock as she arrived for the ceremony, and was forced to get out and walk, "This is the last Oscars show for me," she is reported to have said. "From now on they can muck it up for themselves."
Today, these legends of the silver screen are 91 and 90 years old. Olivia is the last surviving major cast member of the 1939 epic Gone With The Wind (in which she won her first Oscar nomination, for the part of Melanie, only to be beaten out by Hattie McDaniel, the first black actress to be so honoured). Olivia has been based in Paris since the 1950s, while Joan, apparently in better health, lives in Carmel, California, where she is sometimes seen out with five dogs.
But why can't they make up? Despite Whatever Happened to Baby Jane? most movies heal such rifts in the final reel. But for a couple of nonagenarians, the "happy ending" possibilities are running low. But then again, life can be more complicated, more untidy, and on occasion just plain nastier than the movies. Siblings can share love, or they can drift apart. But they cannot be indifferent to each other. If they don't get on, the ability to get on each other's nerves, and thus to press their mutual rage button, is encoded in their genes.
Charles Higham, in his 1987 biography, Sisters: The Story of Olivia De Havilland and Joan Fontaine, says Olivia never got used to the idea of a younger sister. She would, apparently, rip up her old clothes that Joan was supposed to wear as hand-me-downs, forcing her to stitch them back together. Joan is said to have resented what she saw as her mother's favouritism for Olivia. This volatile mix was stirred into the dog-eat-dog, celebrity culture of the movie industry, where the greatest feat of all is to retain a sense of proportion. For Olivia de Havilland and Joan Fontaine, that task proved too great.
Edwards Anuncia Apoio a Obama
O ex-senador John Edwards, que fez uma belíssima campanha à presidência e deixou vários eleitores órfãos quando abandonou a corrida eleitoral, acaba de anunciar seu apoio ao senador Barack Obama. A declaração de apoio (abaixo, no vídeo) é uma grande vitória para o político do Illinois. Edwards acrescenta a Obama mais delegados e o apoio de sindicatos, boa parte dos trabalhadores, e da classe média-baixa branca, até agora mais próxima de Hillary.
segunda-feira, maio 12, 2008
W, por Oliver Stone
O fim de semana por aqui foi todo da primeira-família. Nos tablóides, apareceram as fotos do casamento de Jenna, uma das gêmeas de George e Laura. Novas pesquisas deram conta que quase 80% dos norte-americanos acreditam que o país está sendo governado de forma equivocada. Mas o melhor estava na EW, que trouxe com exclusividade as primeiras fotos - e detalhes - de W, o filme que Oliver Stone quer lançar às vésperas das eleições, neste outono.A capa traz Elizabeth Banks como a primeira-dama Laura e um irreconhecível Josh Brolin (estrela de Onde os Fracos Não Tem Vez, dos irmãos Coen) como o homem que chegou à Casa Branca em 2000 apesar de ter recebido menos votos do que Al Gore. O enteado de Barbara Streisand está usando uma prótese no nariz para ficar mais parecido com George W. Bush. É de arrepiar!
O repórter Benjamin Svetkey acompanhou as primeiras movimentações da produção do longa (que deve completar a trilogia de presidentes de Stone, responsável por JFK e Nixon) nos cafundós da Louisiana. O roteiro - assinado por Stone e Stanley Weiser (de Wall Street - Poder e Cobiça) - ainda está sendo azeitado, mas algumas cenas já vazaram para a imprensa, tais como:
* o presidente se engasgando e quase sufocando com um pretzel enquanto acompanhava uma partida de futebol-americano na tevê
* dando apelidos a Condolezza Rice ('guru') , Colin Powell ('pé-chato') e Karl Rove ('turd-blossom', uma flor que dá no Texas e cresce aonde há uma grande concentração de esterco) no meio de uma reunião para definir como seria feita a invasão do Iraque.
* aos 26 anos, embriagado, estacionando o carro no gramado de seus pais e gritando insultos contra o pai 'certinho'.
* anos depois, quase protagonizando um acidente fatal ao pilotar um jatinho alcoolizado.
* brigando com Dick Cheney e dizendo que 'quem decide é ele'.
* tentando convencer Tony Blair de que uma boa idéia para se provocar uma guerra com o Iraque seria mandar um avião da Força Aérea norte-americana com as cores da ONU para atacar Bagdá de supresa ou, no caso de ter de usar um Plano B, 'simplesmente assassinar o filho-de-uma-égua do Saddam'.
* quando seu pai é eleito presidente, ele confessa a Laura que 'no fundo queria que ele tivesse perdido a eleição para o democrata Michael Dukakis'. É que agora ele 'jamais sairia da sombra do pai'.
* quando a França decide denunciar a invasão do Iraque, em 2003, Bush solta palavrões contra Jacques Chirac, a quem nunca suportou.
* em 1999, governador do Texas, ele diz a um tele-evangelista que 'a verdade é que eu não tenho o menor interesse em concorrer à presidência, mas sinto que Deus quer que eu seja o novo presidente e eu devo concorrer. Eu tenho que concorrer!".
* em uma conversa com Prince Bandar, o embaixador da Arábia Saudita em Washington, Bush confessa que desde a invasão do Iraque ele abandonara os doces. "É meu sacrifício pessoal para mostrar o apoio moral que dou às nossas tropas".
No elenco de W já estão confirmados o ótimo James Cromwell como Bush pai, Ellen Burstyn como mama Barbara, a ingelsa Thandie Newton (de À Procura da Felicidade) como Condi, Jeffrey Wright como Colin Powell e outro súdito da rainha, Toby Jones (o Capote caricaturizado de Confidencial), como Karl Rove. Ainda falta escolher quem encarnará o todo-poderoso Dick Cheney. Diz-se que Robert Duvall, depois de ler o roteiro, pulou fora do barco correndo.
O último filme de Stone, Torres Gêmeas, tinha Nicholas Cage à frente do elenco, faturou US$ 70 milhões na bilheteria, mas foi massacrado pelos liberais, que viram a obra, curiosamente, como um libelo pró-Bush, uma tentativa ingênua de ligar os atentados às Torres Gêmeas à invasão do Iraque. Para a esquerda, o filme, um Stone menor, parecia justificar os atos do homem que ele agora quer biografar na tela.
O diretor, que estudou na Universidade de Yale na mesma época que Bush e John Kerry, diz que pretende contar a história 'de um homem que tinha talentos limitados, com a exceção de um dom: a impressionante habilidade de ser ele mesmo. Se Scott Fitzgerald estivesse vivo ele estaria escrevendo sobre George W. Bush. Ele, é, de certa maneira, um Gatsby ao contrário', diz.
Já dá para ter uma idéia do que será o W de Stone.
Iron Man trucida Speed Racer
Massacrado pela crítica norte-americana, Speed Racer fez apenas US$ 20, 2 milhões de bilheteria em sua semana de estréia, ficando em segundo lugar nos cinemas dos EUA, à frente da comédia Jogo de Amor em Las Vegas, com Ashton Kutcher e Cameron Diaz, que chegaram aos US$ 19 milhões. Em sua segunda semana em cartaz, Homem de Ferro faturou mais US$ 50,5 milhões, chegando a US$ 177,1 milhão apenas nos EUA. O filme estrelado por Robert Downey Jr. é o primeiro hit do verão nos EUA e Speed Racer o primeiro grande fracasso por aqui.
Los Angeles Times: Obama na frente
A pesquisa mais recente da corrida presidencial colocou Barack Obama novamente à frente do candidato republicano, John McCain. Mas Hillary - que deve ter seu canto do cisne esta semana na primária de Virgínia Ocidental - ganharia com margem ainda maior.
Obama 46% X 40% McCain
Hillary 47% x 38% McCain
A organização ultra-liberal MoveOn.org gastou rios de dólares para produzir este anúncio, que mostra bem as razões para o novo disparo democrata (o descontentamento de eleitores tradicionalmente republicanos com o partido cada vez mais radical à direita):
Por Onde Andará...
Bye-Bye, Chicory


Rstaurantes favoritos são fundamentais no dia-a-dia de quem vive aqui em Nova Iorque. Restaurantes favoritos do bairro, aqueles nem tão caros nem tão bagaceiras que a gente retorna tanto em uma emergência no meio da noite quanto no dia em que quer descansar do forno e do fogão, são catedrais informais. Eu me ajoelhei nos últimos dois anos no altar do chef Gavin McAleer, que abandonara a haute cuisine (ele foi durante anos acólito de David Burke e Rocco Dispirito) para nos servir, em seu Chicory, saladas caprichadas, um burguer fenomenal e porções inesquecíveis de arroz selvagem com cranberry. Foi com ele que aprendi a gostar de succotash, uma mistura de feijão mulatinho com grãos de milho e pedacinhos de carne-seca que me levavam ao céu. Depois descobri que era o prato mais tradicional na celebração do Dia de Ação de Graças na Filadélfia.
E McAleer ainda servia o melhor fried chicken do lado de cá da ponte...
Quem se lambuzou comigo no Chicory mais de uma vez foi minha amiga e expert em gastronomia Catherine Vieira.
Cathê, acabou!
Já estou com saudades de meu succotash nas noites de outono do Brooklyn!
sexta-feira, maio 09, 2008
Cantando Vitória Antes do Tempo?

Chegou hoje aqui em casa a Time desta semana - a capa dá como certa a indicação de Obama a candidato pelo Partido Democrata. Como Hillary ainda não entregou os pontos fica a dúvida: a imprensa realmente está fazendo a campanha de Obama? O engraçado é o asterisco usado na capa, com a explicação : 'de verdade, nós estamos praticamente certos desta vez'. Veremos.
quinta-feira, maio 08, 2008
ENTREVISTA/Matthew Fox
Ele é o Corredor X de Speed Racer, que estréia nas telonas brasileiras nesta sexta-feira. Mas é mais conhecido do público brasileiro por duas séries televisivas: O Quinteto e Lost. Conversei com ele nos bastidores do GP de Long Beach, na Califórnia. A entrevista segue abaixo: Menino Prodígio
Matthew Fox - o alter ego do Corredor X
Por Eduardo Graça, de Los Angeles
O que um Speed Racer muda na vida de um ator? Para Matthew Fox, 41 anos, a resposta não poderia ser mais direta: "Não faço TV novamente tão cedo!". Os fãs de Lost, ele jura, terão de ir ao cinema para seguir acompanhando sua carreira. Famoso por dois personagens de séries televisivas dramáticas — o responsável e romântico Charlie Salinger de O Quinteto e o misterioso doutor Jack Shephard de Lost (transmitido no Brasil pelo canal a cabo AXN) —, Fox avisa que está pronto para se dedicar exclusivamente a Hollywood.
Ele recebeu Contigo! enfiado numa camisa verde sem mangas, grudada no corpo para lá de sarado, calça jeans e um jeito relaxado, porém elegante. Durante a entrevista, o ator casado com a ex-modelo italiana Margherita Ronchi, 39, parecia pensar bem antes de responder às perguntas. E apresentava um tique fatal: encarava o repórter longamente e abria um largo sorriso, que durava alguns segundos — e parecia congelar no tempo —, toda vez que percebia estar surpreendendo o interlocutor. Inclusive quando resolvia dar conselhos para a criação dos filhos — ele tem dois, Kyle, de 10 anos, e Byron, de 7. A seguir, trechos da entrevista.
- Você encarnou mesmo o Corredor X. Criou uma voz própria para o personagem e parece bem à vontade no filme... - Sabe que chegou um momento em que eu tinha a certeza de que era o ator certo para fazer o Corredor X? E essa é uma sensação incrível! Claro, passei noites rolando na cama tentando imaginar como seria essa voz, como me manteria fiel ao desenho, sem deixar de fazer algo original. O X é misterioso, icônico, fantástico. E temos uma coisa em comum: como ele, sou muito ligado à família. Meus dois irmãos (Francis Jr., 46, e Bayard, 38) são muito próximos e foram importantes na minha formação.
- Este foi seu primeiro trabalho com os irmãos Wachowski, famosos tanto pelo talento quanto pela excentricidade. Foi tranqüilo trabalhar com eles? - No nosso primeiro encontro, Andy e Larry foram cuidadosos ao extremo, como se estivessem me prevenindo sobre as complicações do filme. Eles diziam: "Você vai ter de se habituar à green screen, ou seja, imaginar os elementos com os quais terá de interagir no filme, seu personagem vai usar máscara, ninguém vai ver seus olhos, a sensação de desconforto vai ser imensa". E quanto mais eles falavam, mais eu queria filmar Speed Racer (risos). Estou cruzando os dedos para termos Speed Racer II logo, logo! E eu, cá entre nós, acho que há uma chance de a próxima narrativa passar pela continuação da história de Corredor X, de seu retorno para casa, de seu reencontro com a família. Vou adorar fazer isso!
- Em Lost você nunca sabe exatamente o que vai acontecer com o Jack. No cinema é exatamente o oposto. O roteiro fechado te ajuda a criar personagens mais elaborados?
- É essa justamente a principal razão pela qual não farei mais TV depois de Lost. O que mais gosto é justamente poder investir e construir a história do personagem. No cinema você também exerce mais controle sobre seu tempo de trabalho. Com Lost gravo sem parar de seis a oito meses por ano. Nos filmes, você pode trabalhar em algo intenso por quatro meses e aí decidir quanto tempo pode ficar desempregado até encontrar um novo projeto que te seduza. É isso o que quero, uma vida boa, sabe (risos)? Você sabe que eu cresci em uma casa no meio dos Estados Unidos, na qual televisão era proibida, né?
- Pois é. Então você não viu Speed Racer quando criança… - Não mesmo. Só vi o desenho quando os Wachowskis me convidaram para viver o Corredor X.- E você acha que foi positivo ter passado a infância sem o aparelho de TV ligado?
- Sim, sim! Mas veja bem, não é que meus pais eram contra a TV, é que eles eram pró-livros. Acho que há várias coisas legais na TV, programas educacionais, especialmente nos dias de hoje.
- Fico imaginando como seus filhos, Kyle e Byron, conseguiriam viver sem TV...
- Nem precisa imaginar que eu te conto (risos)! Eu e Margherita (Ronchi, sua mulher) decidimos repetir a experiência, somos pró-livros também (risos)! Vivemos em nossa casa no Havaí um período sem TV. Depois, liberamos o aparelho, mas só deixávamos assistir a uma programação bem curta, uma regra que permanece hoje. O que eu acho mais importante é estabelecer limites para tudo, inclusive para o tempo que seus filhos dedicam à TV.
Entrevista/EMILE HIRSCH
Estréia esta semana no Brasil o novo longa dos irmãos Wachowski - responsáveis por Matrix - uma aventura tecnológica mais alucinante do que lógica, Speed Racer. A partir do desenho animado (um de meus favoritos quando criança) eles revisitam a história do corredor de corridas mais certinho da face da terra. Infelizmente os excêntricos Wachowski não conversaram com a imprensa (nem a norte-americana), mas conversei com Emile Hirsch (o ótimo jovem ator que brilhou no ano passado com Na Natureza Selvagem) e Matthew Fox (o galã de Lost). A conversa com Emile segue abaixo:Emile Hirsch
Menino prodígio
Por Eduardo Graça, de Los Angeles
Considerado o novo River Phoenix, o ator de 23 anos falou com exclusividade à Contigo! sobre seu novo longa, Speed Racer, e disse estar ansioso para conhecer as garotas brasileiras.
Emile Hirsch, o protagonista de Speed Racer, superprodução dirigida pelos irmãos Larry, 42, e Andy Wachowski, 40 (os mesmos da cinessérie Matrix) - baseada no famoso desenho animado japonês dos anos 60 que foi exibido no Brasil nas TVs Tupi, Globo, Record, MTV e Boomerang (canal por assinatura) -, com estréia nesta sexta-feira, é a personificação do termo meninão. Nas duas entrevistas que deu à Contigo!, ele exagerou na descontração. No primeiro encontro, no centro de convenções do Autódromo de Long Beach, Hirsch - famoso por aqui pelo filme Show de Vizinha (2004) - manteve despudoradamente as pernas em cima da mesa durante todo o bate-papo. No segundo, em um hotel de luxo de Beverly Hills, simplesmente permaneceu deitado - esparramado - no sofá da suíte, enquanto brincava com o microfone do gravador acoplado no iPod do repórter: "Pontudo ele, não? Será que ele está assim porque ficou feliz em me ver (risos)?".
Hirsch adora provocar e parece ter um certo prazer em deixar o entrevistador encabulado. É capaz de exclamações intensas de espanto e excitamento e de movimentos bruscos de corpo que deixam esse californiano de 23 anos e pouco mais de 1,68 m de altura parecer bem maior do que de fato é. Essa capacidade de expansão pôde ser conferida na tela grande em suas excelentes interpretações do skatista Jay Adams em Os Reis de Dogtown (2005) e especialmente na do estudante Christopher McCandless em Na Natureza Selvagem (2007), dirigida pelo amigo Sean Penn, 47, e baseada em fatos reais.
Depois de viver o herói certinho das pistas de corrida, criado pelo japonês Tatsuo Yoshida (1933-1977) - e que, diz a lenda, irá voltar (o desenho) em nova temporada, com Speed adulto, casado com sua Trixie e correndo o mundo atrás de seu filho perdido -, Hirsch volta a trabalhar com Penn na biografia do político de São Francisco e ativista gay Harvey Milk, em filme dirigido pelo cult Gus Van Sant, 55. Considerado por muitos o River Phoenix (morto em 1993 com os mesmos 23 anos de Hirsch) dos anos 2000, Hirsch disse achar "o máximo" saber que é adorado pelas meninas brasileiras. "Já estou pensando em comprar minha passagem!", brincou, com uma piscadela de olhos e sorriso aberto.
- Você foi muito celebrado por sua atuação em Na Natureza Selvagem no ano passado e não poderia ter escolhido filme mais dessemelhante do que Speed Racer para rodar na seqüência. Foi justamente esse desejo de ir ao outro extremo que o fez investir no 'filme família' dos Wachowski?
- Fazer Speed Racer foi uma maneira de deixar o filme Na Natureza Selvagem, que eu amei, intocado, sabe? Ele é o que é. E ninguém agüentaria me ver de novo fazendo um personagem dolorido, mais um drama, né não? Como cresci vendo as reprises de Speed Racer na televisão, sou fanático por carros de corridas e a trilogia Matrix fez totalmente a minha cabeça, vi logo que esta era a continuação ideal para mim naquele momento! E me joguei mesmo no filme (risos)!
- Este é o primeiro filme comercial de grande impacto que você protagoniza. Sentiu-se pressionado?
- Humm... fiquei mais animado do que temeroso. Mas é claro que você fica um pouco tenso quando o pessoal do estúdio diz: "Menino, olha lá, investimos 120 milhões de dólares neste filme, hein?". Este provavelmente será o maior filme que farei em minha carreira. Quando terei outra oportunidade dessas? Mas o jeito é me manter em forma e pronto para tudo. Uma coisa que faço, para me preparar para qualquer momento, é, ao voltar para casa todos os dias, sair para uma corrida por Venice Beach, onde moro, de pelo menos uma hora. Manter o corpo em ação é meu segredo para a mente ficar sempre calma, pronta para os desafios. E também me alimentar de modo saudável. Você jamais vai me ver comendo dois cheeseburguers nas lanchonetes de Los Angeles! Ultimamente estou obcecado por tênis. Meu melhor amigo (que ele não diz quem é nem por decreto dos estúdios) teve uma lesão muscular e teve de aprender a jogar tênis no processo de recuperação. Agora jogamos o tempo todo!
- Em um primeiro momento foi complicado para você se ver como Speed Racer?
- De fato eu nunca pensei que faria um filme como este. Mas o Speed, assim como eu, valoriza a determinação, é completamente apaixonado pelo que faz e muito ligado à família e amigos. Ele é um gato esperto (risos).
- Como você?
- Não, nenhum ser humano conseguiria ser tão cool quanto o Speed. Mas eu bem que tento (risos)!
- No Japão, os fãs do desenho acharam a sua escolha para o papel perfeita. Os críticos de lá dizem que você é a cara do Speed. Você concorda?
- Claaaaaaro (incrédulo)! Mas não tenho o cabelo do Elvis, como ele (risos)! Não, sério, acho que esta semelhança física provavelmente me ajudou a ganhar o papel. Fiz um teste para o filme, duas cenas, e foi bem divertido. Quando se é escolhido, tem-se certeza absoluta de que se está pronto para fazer o papel. Afinal de contas, até chegarem no escolhido, eles testaram milhares de atores tão bons quanto você.
- Sabia que no Brasil você já é um símbolo sexual? Muitas meninas têm a sua imagem na tela do computador...
- Ah, fala sério! Jura? Gente, não vou mentir, adorei saber disso (risos)! Já fiquei com vontade de viajar para lá. Nunca estive no Brasil. O mais perto que cheguei da América do Sul foi ir a Porto Rico. Minha irmã mora lá e adoro a vida na praia, a cultura, a música. Acho que iria adorar o Brasil. Nossa, que legal isso (risos)! -
- Mas é tão legal assim saber que se é um sex symbol em um país tão distante?
- Oh, yeah! Claro que sim! Você não quer ficar deslumbrado com isso e achar que ser desejado é um aspecto fundamental de sua carreira, mas quem não gostaria de ser desejado pelas brasileiras? E, claro, tomara que elas se animem a ver Speed Racer. Atenção, meninas: este é o melhor filme jamais feito sobre carros. E vocês vão gostar! Palavra de Emile (risos)!
- Você gosta de dirigir carros? - Adoro! Vivo para cima e para baixo com o meu Toyota preto. Mas sabe que no filme isso é muito relativo, né? O grande desafio é que se está o tempo todo em uma sala do tamanho de um armazém e a única coisa na sua frente é uma tela verde. O restante foi colocado depois, pelo pessoal da animação. Você pensa que aquilo que viu na tela é uma corrida de carros, mas, vamos ser francos, a única coisa que eu via quando dirigia o Mach 5 e 6 era uma parede vazia. Aqui e ali eu tive de me segurar para não pensar: Emile, você está ficando maluco! (risos). O que nos ajudava muito eram os computadores. Eu via as imagens no laptop dos animadores, em terceira dimensão, e imaginava a cena a partir do que aparecia ali.
- Há algum ator favorito, algum ícone em quem você se inspire ou algum tipo de ator que gostaria de ser? Afinal, você tem uma imensa carreira pela frente...
- Quero ser o tipo de ator que está sempre empregado (risos)! E fazendo bons filmes. Admiro muito o Marlon Brando (1924-2004). A maioria de seus filmes são lições de atuação. E o Sean (Penn), claro. Ele é um modelo para mim, é fantástico atuando e também quando está fora de cena, militando pelas causas que acredita. Exatamente como a Susan (Sarandon), que faz minha mãe em Speed Racer. Aprendi muito com os dois no que se refere a usar sua carreira para militar pelas causas sociais que o interessam.
- Você acabou de trabalhar ao lado de Sean Penn no novo filme de Gus Van Sant, Milk, em que você faz justamente um ativista político...
- E Sean faz o personagem título, o político de São Francisco Harvey Milk, que foi uma espécie de Martin Luther King para a comunidade gay norte-americana. Eu faço o Cleve Jones, que luta para impor sua visão de que seres humanos, de qualquer opção sexual, têm diretos básicos que precisam ser respeitados. Jones, um homossexual, foi o braço direito de Harvey Milk. Nós filmamos no bairro gay de São Francisco e circulei muito no histórico Castro, onde fiz vários amigos. E foi legal estar com Sean sem ele me dirigir. Foi mais leve em um certo sentido, sabe?
- É... imagino ele te dirigindo nas cenas mais radicais de Na Natureza Selvagem. Aliás, nos seus filmes recentes há muitas cenas de ação. É algo que te impulsiona? Você é um desses fãs ardorosos de esportes radicais?- O que me impulsiona são os personagens por trás da ação. Gosto mais das pessoas do que da ação. Sou um apaixonado por pessoas. Foi isso que me fez querer me tornar um ator.
terça-feira, maio 06, 2008
Listas, Listas, Listas...
Norte-americanos adoram listas. Esta semana a People saiu com os '100 mais belos'. A Time apareceu com seu '100 mais importantes do globo' e até a Foregin Policy entrou na festa com os '100 mais importantes intelectuais públicos'. Dois brasileiros apareceram nas listas. Kaká na Time e Fernando Henrqiue Cardoso na FP.
As listas refletem o inevitável americocentrismo. Na mais interessante das três, a da FP, 36 ungidos vêm dos EUA-Canadá, 30 da Europa, 12 da Ásia, 11 do Oriente Médio e apenas 4 da América Latina e outros 4 da África sub-Saariana. Há ainda 3 do Sudeste Asiático e Oceania.
segunda-feira, maio 05, 2008
Homem de Ferro Arrasador
Hoje Hollywoood ri de felicidade. Em seu fim de semana de estréia Homem de Ferro provou ser o blockbuster que o povo do cinema esperava ardorosamente por aqui. O filme, que custou, oficialmente, US$ 135 milhões, já recuperou o investimento da Paramount. Apenas nos EUA a bilheteria, nos primeiro três dias, foi de US$ 100,8 milhões. No restante do planeta (incluindo Brasil), entraram outros US$ 100,2 milhões na caixa dos produtores. O filme, estrelado pelo sensacional Robert Downey Jr., chega perto do recorde estabelecido entre obras inspiradas por super-heróis, o primero Homem Aranha, em 2002.
Aguarda-se ansiosamente pelos outros três filmes mais esperados da temporada - os novos Batman e Indiana Jones e Sex&the City - para celebrar um verão inesquecível. Neste fim de semana eu fui convidado para a cabine de imprensa aqui em NY de Sex&the City e saí feliz com o que vi. Sim, o filme é mais longo do que deveria ser. Sim, há algumas situações forçadas. Mas os fãs do seriado vão adorar saber o que aconteceu, quatro anos depois, com Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte.
Ah...sim, entrevistei as meninas! Já já conto como foi...
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