sexta-feira, fevereiro 01, 2008
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Kennedy & Obama
De qualquer modo, a propaganda de Obama, que segue abaixo, com a filha de John e Jackie Kennedy, é um belo trunfo:
sábado, janeiro 26, 2008
Caroline Kennedy
Um dos trechos do texto de Caroline Kennedy:
Eu nunca tive um presidente que me inspirasse como meu pai as inspirou. Mas, pela primeira vez, acredito ter encontrado o homem que pode ser este presidente - não apenas para mim, mas para toda uma nova geração de norte-americanos.
Obama: Vitória Gorda na Carolina do Sul
sexta-feira, janeiro 25, 2008
A Candidata do NYT - Hillary Clinton
O NYT classifica Hillary como 'brilhante', diz que a senadora poderá modificar a atuação e não apenas imagem dos EUA no planeta, danificada pesadamente pelos oito anos de Bush II. O NYT se confessa imensamente impressionado pela entendimento profundo dos temas mais caros aos eleitores, a força do inteletcto e a experiência demonstrada por Hillary, que seria uma forte comandante das Forças Armadas do país. O NYT condena o apoio dado a Hillary para a invasão do Iraque, mas reconhece que é dela o melhor plano para a retirada das tropas norte-americanas de Bagdá.
Ao olhar para o estado do país, o jornal afirma que Hillary tem o melhor plano educacional, e que ela vai colocar a máquina de Washington para ajudar a classe média e os mais pobres, enfrentando a crescente desigualdade social, incrementada na última década. Também a considera 'melhor equipada' para lidar com o ataque às liberdades civis e o precário equilíbrio entre os três poderes da República.
O jornal saúda, com ressalvas, tanto o ex-senador John Edwards ("de oratória feroz, mas fantasioso ao prometer reverter a maré da globalização") quanto o senador Barack Obama ("que construiu uma campanha eletrizante a partir da idéia de mudança, mas ainda se detém em promessas amorfas de uma nova 'maioria' a ser construída, sem explicar de maneira clara como irá governar) e ataca os candidatos republicanos.
Rudy Giuliani é limitado, pouco democrático, vingativo, ambicioso, arrogante, economicamente irresponsável, o político que transformou vergonhosamente os ataques terroristas de 11 de setembro em fonte lucrativa de negócios. Mitt Romney muda de posição em absolutamente todos os temas e é impossível saber o que (ou quem) apóia. E Mike Huckabee é o pastor batista de fala suave que promove um absolutismo anti-imigrante e que colocou, infelizmente, a religião como protagonista de sua campanha.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Entrevista/DEZEL WASHINGTON & RUSSEL CROWE
Denzel e Russell
Que dupla!
Por Eduardo Graça, de Los Angeles e Nova York
Ambos vencedores do Oscar, o contido americano e o expansivo neozelandês falam a Contigo! sobre o novo filme que estrelam, O Gângster, de Ridley Scott
Foram duas entrevistas, dos dois lados dos Estados Unidos, com duas das maiores estrelas de Hollywood. E o irônico é que Russell Crowe, 43 anos, e Denzel Washington, 53, pareciam ter trocado de personalidade ao conversarem com a Contigo! sobre o lançamento de O Gângster, a superprodução de 100 milhões de dólares de Ridley Scott (o emblemático diretor de Alien, de 1979, e Blade Runner, 1982), 70, que protagonizou uma polêmica sobre a glorificação dos gângsteres quando estreou nos Estados Unidos (em novembro de 2007).
Confortável num dos uniformes de seu time de rugby — ele é um dos donos do australiano South Sydney Rabbitohs —, e com uma imensa barba por fazer, o neozelandês Crowe, 43, casado há quatro anos com a atriz Danielle Spencer, 37, e pai de Charles, 4, e Tennyson, 1, deixou de lado a fama de mau e falou pelos cotovelos. Mais comedido, Denzel, 53, casado com a atriz Pauletta há 24 anos e pai de John David, 23, Katia, 20, e os gêmeos Malcolm e Olivia, 16, revelou seu lado mal-humorado.
O filme, no qual esses dois opostos no gênio e comportamento, mas igualmente talentosos, contracenam — que estréia sexta-feira (25/1/2008) —, conta a história real de Frank Lucas, o mais importante traficante de drogas e primeiro gângster negro da história de Nova York (papel de Washington), e do mulherengo e enigmático detetive Richie Roberts (Russell Crowe), que, nos anos 70, conseguiu desbaratar seu império. O Gângster recebeu três indicações para o Globo de Ouro (melhor ator para Denzel e melhor diretor e melhor filme dramático) e gerou um CD gravado pelo rapper Jay-Z, 38, o eterno noivo de Beyoncé Knowles, 26 — aliás, no elenco também atuam o rapper Common, 35, e os músicos de hip-hop RZA, 38, e T.I., 27.
Os dois vencedores do Oscar — Crowe por O Gladiador, de 2000 (melhor ator) e Washington por Tempo de Glória, de 1989 (melhor ator coadjuvante), e Dia de Treinamento, de 2001 (melhor ator) —, falaram à Contigo! sobre esse novo trabalho.
Esta é a sexta vez que você encarna um personagem da vida real. É mais fácil ou mais complicado interpretar esse tipo para a telona?
Denzel Washington - Os dois são difíceis. Mas se a pessoa está viva pode ser uma vantagem, você tem de onde tirar material de pesquisa.
E como vocês aproveitaram a oportunidade de conhecer a fundo a vida de Frank Lucas e de Richie Roberts?
DW - Conversei com o próprio Frank Lucas sobre tudo. Tudo mesmo. Falamos de beisebol, de como criar os filhos, de como as ruas de Nova York mudaram. Boa parte da conversa quem comandou foi ele, que escolhia os tópicos. Eu ia seguindo os caminhos que ele me apresentava.
Russell Crowe - Depois de passar tantos anos investigando crimes, especialmente grandes histórias como a do Frank, Richie não é exatamente um livro aberto. Foi, portanto, um processo lento, em que ele me revelava algumas coisas, aqui e acolá. Tive de ir ganhando a confiança dele aos poucos, sabe? Mas houve um momento em que ele me ofereceu a chave de quem era aquele homem que eu teria de interpretar. Foi quando ele me disse que não queria ser visto como um mulherengo. E um minuto depois começou a me contar a sensacional história de quando transou com a estenógrafa no segundo andar do fórum (risos)! Por aí você vê tem uma idéia de quem ele é (risos).
Vocês tiveram algum receio de que a visão do Harlem dos anos 70, apresentada pelo filme, acabasse ficando um pouco estereotipada?
DW - Em geral, não me preocupo com o que as pessoas dizem ou pensam. Não saio perguntando para as pessoas o que elas acham e não tenho medo algum de fazer algo mais ou menos estereotipado. Simplesmente, faço o melhor que posso. Depois, as pessoas podem falar à vontade, dar suas opiniões. Não vou dizer que as críticas não me afetam de vez em quando. Mas me recuso a ser rotulado, a ser colocado em uma posição específica, "aquele é o Denzel, ele faz filmes deste jeito, pode fazer estes personagens". Comigo, não! Eu não leio sobre minha vida, eu vivo.
Como foi, para vocês dois, o trabalho com Ridley Scott? Para Denzel é uma novidade, mas é a quarta parceria entre ele e você, Russell, não é?
RC - Sabe que é sempre diferente trabalhar com Ridley? As pessoas têm esta fantasia de que nós dois trabalhamos juntos porque concordamos em tudo o tempo todo. Na realidade é exatamente o oposto. Mas é quando discordamos que encontramos o melhor de nós. Respeitamos muito a opinião um do outro e o resultado vocês vêem nos filmes. Gosto muito dos mundos que ele criou e dos quais tive a honra de fazer parte.
DW - Ridley traz a visão, coisas que só ele vê. Ainda estou digerindo a experiência. Aprendi muito, era como se estivesse indo à escola de filmagem. Ficava pensando por que ele colocava a câmera em certa posição, como ele se movimentava, o motivo de se escolher certa locação. E, se você reparar bem, ele usa a cidade como um personagem, como um dos principais personagens de O Gângster, de uma maneira genial. E até mesmo como ele se programou para fazer o filme...
Filmando primeiro com Russell...
DW - Na verdade, a idéia foi a de, durante oito semanas, fazer o filme a partir da visão de mundo do Richie. Depois nós filmamos juntos por oito dias. E no fim Russell foi embora e rodamos a partir da visão do Frank. Eu pensei, claro, sensacional essa decisão e o que ela acarretou ao filme.
Vocês dois discutem muito no set de filmagem? Há espaço para conversarem nesta altura da carreira e 12 anos depois de trabalharem juntos pela primeira vez (eles contracenaram na ficção científica Assassino Virtual, de 1995) sobre qual o melhor caminho para o outro seguir em determinada cena?
DW - (encarando Russell) Humm... Não, não mesmo.
RC - Não há espaço para esta troca da maneira como você está perguntando. É mais como uma prova de harmonia na teoria musical, sabe? É sobre cantar juntos sem desafinar.
Denzel, incomoda a você de alguma maneira o fato de boa parte dos espectadores se identificar mais com seu personagem, um gângster terrível que mata a sangue frio nas ruas de Nova York? Você reflete sobre o motivo dessa reação?
DW - Não tenho a mais vaga idéia! Nunca pensei sobre isso, não. Agora, isso também depende do que você, quer dizer, a audiência vai trazer para o filme. Se você gosta de um personagem que cozinha muito bem mas mata pessoas, isso diz mais sobre você do que sobre Denzel, o ator (risos)!
terça-feira, janeiro 22, 2008
Enfim, os indicados
Há um consenso entre os jornalistas baseados em Los Angeles, que conhecem bem os eleitores, de que a grande briga de filme do ano parece ser entre Onde Os Fracos Não Têm Vez e Sangue Negro, dois filmaços, com oito indicações cada. Em uma temporada repleta de bons títulos, também receberam merecidas lembranças os ótimos Juno, Desejo e Reparação, e Conduta de Risco. Segue a lista dos ungidos nas principais categorias e, em negrito, os favoritos dos jornalistas da imprensa internacional que fofocam sem parar aqui nos saguões do Four Seasons:
ATOR - George Clooney (Michael Clayton); Johnny Depp (Sweeney Todd), Tommy Lee Jones (No Vale de Elah), Daniel Day-Lewis (There Will Be Blood) e Viggo Mortensen (Senhores do Crime)
DIRETOR - Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta), Jason Reitman (Juno), Tony Gilroy (Conduta de Risco), Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez ) e Paul Thomas Anderson (Sangue Negro.)
ATRIZ - Cate Blanchett (Elizabeth: A Era de Ouro); Julie Christie (Longe Dela); Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor), Laura Linney (The Savages), Ellen Page (Juno).
ATOR COADJUVANTE - Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford), Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez),Phillip Seymour Hoffman (Jogos do Poder),Hal Halbrook (Na Natureza Selvagem), Tom Wilkinson(Conduta de Risco).
ATRIZ COADJUVANTE - Cate Blanchett (Não Estou Lá), Ruby Dee (O Gângster), Saoirse Ronan (Desejo e Reparação), Amy Ryan (Medo da Verdade), Tilda Swinton (Conduta de Risco).
FILME ESTRANGEIRO - Beaufort (Israel), The Counterfeiters (Áustria), Katyn (Polônia), Mongol (Cazaquistão), 12 (Rússia)
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Angelina Tiririca!
Giuliani vem fazendo uma campanha medonha, centrada na política do medo. Ele seria o único capaz de defender a América dos ataques terroristas. Até agora sua estratégia não tem dado certo - ele patina em todas as pesquisas eleitorais - mas o ex-prefeito de NY está concentrando as forças nas primárias da Flórida, que acontecem em duas semanas. E o fiel escudeiro Voigt está zanzando pelo estado fazendo campanha para o amigo conservador. Pobre Angelina!
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Outra Trilha!
Duas Trilhas Sonoras Sensacionais
Aqui embaixo você vê o curta-metragem Possum, de James Flower, que usa uma de minhas faixas favoritas compostas por Cave-Ellis para o personagem vivido por Brad Pitt no filme de Andrew Dominik.
Ah, claro, já ia me esquecendo. A lista das melhores apresentações musicais em noite de Oscar de acordo com a EW:
1. Philadelphia, Neil Young (1994) e Street of Philadelphia, Bruce Springsteen (1994), as duas do filme Philadelphia.
2. Miss Misery, Elliott Smith (1998), o hino de Gênio Indomável (1998).
3. Journey to The Past, Aaliyah (1998), de Anastasia.
4. Blame Canada, Robin Williams (2000), de South Park.
5. I've Sent It All (2001), Bjork (2001), de Dançando no Escuro.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Lula & Raúl
domingo, janeiro 13, 2008
Obama: alianças à direita
Poesia Sem Permissão: Maria Rezende
Este me tocou fundo, hoje, especialmente:
Há fogo na noite e fogo ao meio dia.
Num banco de jardim um homem chora.
Orquídeas, bromélias, marias-sem-vergonha conversam distraídas.
Num quarto qualquer fora da cena há uma criança, é Natal e ela abre os presentes.
Mas isso já é outro flashback, ou o homem no jardim é o flashback, não se sabe.
Diante da página pautada em azul claro um olho arde – o direito.
Noite é pra dormir ou o quê?
Outras coisas são certas:
Alguém sabe inglês
Alguém escreve versos numa tarde de domingo
Alguém ama com receio
Alguém não.
Hoje quero só o não e uma noite inteira pra dormir sem sonhar.
(Maria Rezende, Bendita Palavra, 2008)
sábado, janeiro 12, 2008
CARTA CAPITAL: A América Em Dúvida
A AMÉRICA EM DÚVIDAEUA: Pela Primeira vem em duas décadas não há um claro favorito à Casa Branca, após as primárias de Iowa e New Hampshire
POR EDUARDO GRAÇA, DE NOVA YORK
Foram apenas cinco dias na posição de favorito no flanco democrata, mas o suficiente para que o jovem senador de Illinois virasse de cabeça para baixo a campanha presidencial dos EUA. Pela primeira vez em duas décadas, mesmo após a contagem dos votos nas primárias de Iowa e New Hampshire, não há um claro favorito na disputa pela Casa Branca em nenhum dos dois grandes partidos nacionais. Enquanto os republicanos lutam para encontrar um nome que contagie suas bases, a oposição democrata vive um momento político histórico, no que vem sendo caracterizado pela mídia como a versão eleitoral do embate entre Muhammad Ali e Joe Frazier.
De um lado do ringue, Hillary Clinton, apoiada pela máquina partidária, incluindo a esmagadora maioria dos caciques democratas e seu marido, o ex-presidente Bill Clinton. Do outro, Barack Obama, ungido pela militância do partido, apoiado por sua ‘nova maioria americana’, que inclui independentes e republicanos desiludidos e pelo candidato derrotado em 2004, John Kerry.
Obama venceu em Iowa, Clinton levou a melhor em New Hampshire. Na peculiar lexicografia política norte-americana, estes são ‘estados púrpuras’, ou seja, não pendem nem para os republicanos (vermelhos) nem para os democratas (azuis). E eleitores independentes estavam livres para votar na primária que preferissem. Daí o significado do número muito maior de votos no flanco democrata do que no republicano. Em New Hampshire, Obama, mesmo perdendo para Hillary, teve 16 mil votos a mais do que John Mc Cain, o vencedor da prévia republicana.
“Há duas certezas até agora nesta campanha. Uma é a de que os republicanos não conseguiram encontrar um discurso que os desembaracem da tragédia dos sete anos de Bush. A outra é o fenômeno Obama, que utiliza o tempo todo em seus discursos o pronome você. Enquanto Hillary diz, com orgulho, que ‘eu fiz isso’, que ‘eu sou importante por aquilo’, Obama oferece um espaço aberto, que você, eleitor, pode preencher do modo que melhor lhe agradar. Esta é sua fortaleza, mas ela pode se transformar em fraqueza se ele não usar logo este momento para estabelecer um pacto com os eleitores baseado em idéias mais claras”, diz o sociólogo Stephen Duncombe.
Um dos idealizadores do movimento Bilionários Por Bush, que carnavalizou a disputa eleitoral de 2004 ao satirizar o apoio dos mais ricos ao candidato republicano, Duncombe viu a explosão do fenômeno Obama de sua janela na Universidade de Nova Iorque, quando uma multidão estimada em 20 mil pessoas ocupou a Washington Square em um comício do senador no ano passado. Celebrado pelo livro Dream: Re-Imagining Progressive Politics in an Age of Fantasy, em que urge a esquerda a reinvestir na iconoclastia em vez de se lamentar pela aparente desimportância dos valores iluministas, Duncombe vê na alegria da militância de Obama a criação de um novo espaço na esfera política do país. “Talvez não tenha sido nem um movimento consciente de Obama, mas seus militantes inventaram um espaço em que os cidadãos podem fantasiar ao mesmo tempo sobre quem é este líder, sobre quem são eles, jovens americanos, e sobre o que são os EUA no século XXI, algo que não se via há décadas na nossa realidade política”, diz.
O arco de alianças estabelecidos por Obama, que recebeu mais votos de independentes do que qualquer outro candidato democrata nas prévias de Iowa e New Hampshire, é uma arma utilizada pela campanha do senador para pedir os votos de eleitores preocupados em escolher o candidato com maiores possibilidades de derrotar os republicanos em novembro. Em todas as pesquisas cabeça-a-cabeça, que opõem um nome democrata a um republicano, Obama vence os adversários por larga margem. Hillary, que tem um índice de rejeição acima dos 40%, empata com Rudy Giuliani e perde para John McCain. Além do ex-prefeito de Nova Iorque e do senador do Arizona, os outros dois candidatos mais fortes da situação são os ex-governadores Mitt Romney e Mike Huckabee. Evangélico, Huckabee vem surpreendendo os analistas com sua campanha sem muitos recursos, mas calcada em valores conservadores. Ainda assim, os dois dados mais notáveis em sua biografia seguem sendo seu ataque à obesidade no país (ele perdeu quase 50 quilos depois de um processo de reeducação alimentar) e o apoio de Chuck Norris, presença constante, riso sempre aberto, em todos os seus eventos.
O desencontro dos republicanos gerou uma enorme expectativa de lançamento de um candidato de terceira via que pudesse se aproveitar da rejeição a Hillary. O nome mais cotado é o do atual prefeito de Nova Iorque, o bilionário Mike Bloomberg, ex-democrata que se tornou republicano e desde o ano passado não tem filiação partidária. Nesta movimentada semana, Bloomberg reuniu-se em Oklahoma com uma série de políticos oriundos dos dois partidos, descontentes com a rivalidade entre os dois partidos que impede votações emergenciais no Congresso. Para azar do prefeito, os holofotes estavam todos voltados para Obama e seu discurso propondo a formação de uma ‘nova maioria para a América’, esvaziando o balão de ensaio de Bloomberg. “A estratégia de s expandir a base democrata com um discurso centrado na mudança de geração e em questões ideológicas, ao invés de raça e classe, é simplesmente brilhante”, diz o professor J.Michael Turner, do Hunter College, um brasilianista que é também uma das maiores autoridades nos estudos afro-americanos na costa leste americana.
Para Turner, os ataques de direita que vêm denunciando Obama como um pseudo-negro, em uma antítese a líderes históricos como o Reverendo Jesse Jackson, carecem de substância. Ao contrário de Al Sharpton, outro negro a tentar a sorte anteriormente nas prévias democratas e que ainda não definiu seu candidato em 2008, Jackson anunciou seu apoio entusiasmado a Obama. E seu filho, o deputado Jackson Jr., é um dos coordenadores da campanha do senador.
A espetacular recuperação de Hillary em New Hampshire (todas as pesquisas de boca-de-urna davam como certa uma vitória substancial de Obama) se deu após a candidata deixar mais aparente um lado feminino mais estereotipado, tanto no debate entre os presidenciáveis – em que ao responder a uma pergunta sobre o fato de ela não ser tão adorada quanto Obama disse que ‘isso me dói fundo’ – quando no desabafo em um encontro público em que quase chorou ao dividir com os eleitores a dureza da campanha e os ataques que vinha recebendo.
Depois de, em Iowa, ficar atrás do senador John Edwards, que segue na disputa com o apoio da maioria dos sindicatos, Hillary sofreu uma série de ataques considerados por veteranos comentaristas políticos dos mais virulentos na história política moderna dos EUA. Sua candidatura foi dada como morta e seu palanque em Iowa – que contava com o ex-marido e nomes ungidos de suas duas administrações, como a ex-Secretrária de Estado Madeleine Albright – traduzido como o prenúncio de uma terceira encarnação política da velha raposa do Arksansas, em oposição ao novo representado por Obama. Pior: as aparições do ex-presidente para salas vazias em New Hampshire levaram os jornais a compará-lo ao Elvis Presley gordo, em fim de carreira, lutando para se manter de pé nos cassinos de Nevada.
A situação pareceu ficar ainda mais tenebrosa quando populares gritaram em um comício de Hillary palavras de ordem machistas, como ‘a senhora deveria estar em casa passando roupa!’. Um dia antes de os eleitores do pequenino estado montanhoso da Nova Inglaterra rumarem para as urnas a histórica feminista Gloria Steinem saiu em defesa da senadora com um artigo na página de opinião do New York Times dizendo que mulheres jamais são favoritas para vencer eleições e afirmando que a primeira semana de caça aos votos em 2008 provara que gênero e não raça era o aspecto mais restritivo da vida política norte-americana. No dia seguinte, de acordo com pesquisas feitas com eleitores nas saídas das sessões eleitorais, Hillary recebeu mais do que o dobro de votos de mulheres do que Obama, em uma reviravolta drástica em relação a Iowa.
A discussão se estendeu à internet, onde a pós-feminista Camille Paglia saiu em defesa de Obama nas páginas da prestigiada Salon. “O desdém de Hillary ao mundo masculino se encaixa perfeitamente no ideário de Steinem. Seu artigo revela o sentimentalismo reacionário de um fossilizado establishment feminista. A história vai julgá-las com severidade por sua obtusa indiferença ética às mulheres da classe trabalhadora e estagiárias que são abusadas e ameaças pelos Bill Clintons, enquanto as Hillarys olham para o outro lado e buscam desmoralizar as vítimas”, atacou.
Mas o momento mais tenso da batalha foi gerado pela tática do “bateu-levou” defendida por Mark Penn, principal e polêmico estrategista da campanha da senadora de Nova Iorque. A fim de explorar a fragilidade do discurso de seu adversário, Hillary jogou duas bombas no quartel-general de Obama. A primeira veio quando a candidata, se apropriando de um discurso até então confinado à campanha do ex-prefeito Giuliani, afirmou não ter sido mera coincidência a ação de terroristas na Grã-Bretanha logo após a posse do primeiro-ministro Gordon Brown em substituição ao experiente Tony Blair (“a Al-Qaeda está acompanhando nosso processo eleitoral atentamente”), sugerindo que a possibilidade de ataques aos EUA seriam maiores em um governo Obama.
“O principal ponto fraco de Obama é justamente sua falta de conhecimento do poder executivo. Ele não teve a chance nem mesmo de comandar o orçamento de um pequeno município. A campanha de Hillary tem explorado este tema aonde quer que ela vá, e com alguns bons resultados”, diz o jornalista David Mendell, autor da biografia Obama:From Promise to Power e que cobre a eleição para o Chicago Tribune.
Depois de Hillary, foi a vez de Bill. O ex-presidente, criticado em editorial pelo New York Times por ‘não se comportar como estadista’ ao embarcar na disputa de forma integral, afirmou que Obama, ao contrário de sua mulher, jamais apresentara qualquer plataforma de governo e mudara de posição em relação a sua condenação à invasão de Iraque, apoiada por Hillary. Já é tempo, anunciou, grave, de se acabar com o ‘conto de fadas’ que havia se transformado a campanha democrata.
Duncombe lembra que, de fato, mais do que a inexperiência – Hillary serviu menos tempo em cargos legislativos do que Obama – o que pesa contra o senador de Illinois é a ausência de substância em seu discurso. “Vejo com certa apreensão o depósito de tamanha esperança em Obama pois não temos, honestamente, a menor idéia de quais são os projetos e as idéias por ele defendidos”, diz.
Para os estrategistas da senadora, um de seus trunfos é a boa aceitação de sua equipe econômica pelo mercado, que espera um postura similar à política de crescimento com responsabilidade fiscal dos anos Clinton. Com Obama, o quadro é bem outro. Seu principal conselheiro econômico é o professor Austan Goolsbee, da Universidade de Chicago. No departamento de Economia da faculdade reinaram três prêmios Nobel que se tornaram campeões do mercado – Milton Friedman, George Stigler e Gary Becker. Mas, distante da catequese conservadora, Goolsbee fala em aumento de salário mínimo, em corte de impostos para a classe média com o objetivo de incrementar a movimentação de capital (em oposição aos benefícios concedidos pelo governo Bush à parcela mais rica da população), num programa de combate à pobreza mais ambicioso do que o de Lyndon Johnson nos anos 60 e até na rediscussão de tratados como o NAFTA, para incrementar questões ambientais e os direitos dos trabalhadores. Em editorial temeroso sobre o que seria um governo Obama em meio a um virtual processo recessivo na economia norte-americana, o conservador The Wall Street Journal afirmou que Goolsbee pretende aplicar o maior incremento de impostos jamais visto no país e que sua política econômica ultra-liberal é o ponto mais fraco de Obama, especialmente no momento em que o foco de atenção do eleitor parece se deslocar da ocupação militar do Iraque para o aumento do desemprego e a ameaça de recessão na maior economia do planeta.
Famoso pelo carisma e pelo tom jovial que remetem ao próprio senador de Illinois, Goolsbee vem tentando acalmar os ânimos do mercado, especialmente nervoso com sua intenção de incrementar os impostos sobre dividendos e ganhos de capital. Em entrevista coletiva dada em New Hampshire, declarou que não aceita a carapuça de ‘ultra-liberal’ e lembrou que as primeiras medidas tomadas pelo governo Bush para ajudar os milhares de americanos vivendo o pesadelo da perda da casa própria foram sugeridas pela equipe de Obama no início de 2007.
Uma evento no Grand Hyatt Hotel, na quarta-feira 9, reuniu em torno de Obama e seus conselheiros econômicos boa parte de Wall Street, cada vez mais fundamental na disputa pelos dólares que manterão os principais candidatos no páreo. Hillary e Obama partem para a disputa com os bolsos cheios.
Nos primeiros 10 dias do ano, Obama arrecadou US$ 8 milhões, ante US$ 5 milhões da adversária. Hillary, por sua vez, arrecadou mais no fim de 2007 e divulgou que tem US$ 25 milhões no banco. E como ninguém espera uma definição antes da super terça-feira de 5 de fevereiro (em que 22 estados realizarão primárias) e muitos já apostam que a decisão será mesmo voto a voto, na convenção de agosto, com os delegados de John Edwards decidindo para quem pesará a balança, a captação de recursos continuará a todo vapor. E será fundamental para definir quem continuará de pé no ringue.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Obama: O Apoio de Kerry
O discurso, bonito, está aqui:
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Ainda a TV na Venezuela
Vale a leitura, aqui.
Hillary: "Estava em Busca de Meu Prumo e o Encontrei com Vocês"
O discurso da senadora de Nova Iorque: